Coluna do Tite: Somos a bola da vez

Loja que mais vendeu motos BMW no mundo, em 2011, está aqui
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Geraldo Simões
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– Durante o lançamento da BMW S 1000 RR a empresa apresentou alguns dados impressionantes: a concessionária que mais vendeu motos BMW no mundo, em 2011, é de São Paulo, capital. A Caltabiano vendeu mais motos do que concessionárias na Alemanha, Itália, Estados Unidos, França etc. Além de confirmar o período difícil que a Europa está passando, revela que o mercado brasileiro será cada vez mais a bola da vez. A marca BMW depois de abocanhar uma bela fatia do mercado com a nacionalização dos modelos G 650 GS e F 800 R já deu sinais que em breve deverá ser a vez dos carros. Carros BMW “made in Brazil”, alguém poderia imaginar isso?

E não vai parar por aí, porque Harley-Davidson também está navegando de vento em popa no mercado brasileiro e as marcas do segmento “Premium” começam a olhar mais atentamente para o mercado brasileiro acima de 500cc. Hoje essa fatia responde por apenas 2% do mercado. Apenas? Em um mercado de 500.000 unidades/ano seria uma mixaria, mas quando se colocam dois milhões de unidades essa matemática é música aos ouvidos da indústria. Isso significa um mercado de 40.000 unidades/ano que é mais do que muito mercado do chamado primeiro mundo, em números absolutos.

Em 2011 o mercado acima de 500 cc cresceu 23% em relação a 2010. O segmento “Premium” do mercado tem um enorme potencial de crescimento como pôde atestar a Kawasaki, recém chegada ao mercado e que terminou 2011 com mais de 6.000 unidades vendidas, à frente da BMW, que fechou o ano com 5.552 motos nas ruas, segundo dados de emplacamento fornecidos pela Fenabrave. Tudo bem que a Kawasaki tem motos 250cc acessíveis, mas a marca é um dos mitos aqui no Brasil e os modelos Ninja beiram à adoração.

Sinceramente, demorou para o Brasil entrar no padrão dos grandes e históricos mercados do mundo. Um país que reúne as condições climáticas e geográficas para usar a moto 12 meses por ano deveria já estar bem à frente. A inflação nos anos 80 e incertezas e desconfianças nos anos 90 seguraram esse crescimento. Felizmente nem o mundo acabou em 2000 e nem o bug do milênio nos levou de volta à idade da pedra lascada.

Pelo contrário, o Brasil começou a se estabilizar economicamente ao mesmo tempo que velhos mercados mostraram a fragilidade dos ciclos econômicos. Quem diria que um dia veríamos Europa e Estados Unidos em crises econômicas típicas de países emergentes.

O que sobrou de positivo para o Brasil é que as fábricas podem migrar para cá, ou as matrizes incentivarem o investimento naquelas que já estão instaladas em terras brasileiras. Pena que ainda é uma “nacionalização” pra inglês e Zona Franca de Manaus verem. Na prática a maioria das motos acima de 500cc recém chegadas são montadas em Manaus, recebem incentivo fiscal, mas saem das linhas de montagem sem quase nada feito ou comprado no Brasil.

Isso vai mudar e rápido, porque os fornecedores tradicionais na Europa estão passando o chapéu. Alguns componentes já são feitos na China, Taiwan e Coréia do Sul com mesmo padrão de qualidade dos japoneses. Soma-se a isso o crescimento em qualidade e capacidade de produção dos fornecedores brasileiros e a resultante caminha para um previsível crescimento da indústria nacional.

É cada dia mais difícil definir o que é “nacional” no produto acabado, porque uma moto pode ter peças feitas na Alemanha, Itália, China e Brasil para tudo ser montado em Manaus e desembarcado em São Paulo. E aí? Essa moto é “made in where?”

A perspectiva para 2012 é ver o mercado brasileiro acima de 500cc continuar no mesmo nível de crescimento. Marcas que antes eram comercializadas por importadores independentes assumiram o comando das operações e a gigante Honda, que detém quase 80% do mercado total brasileiro decidiu se mexer. Mesmo dominando o segmento, criou o espaço Dream nas concessionárias com o claro objetivo de fazer o cliente que hoje roda de motos pequenas sonhar com um modelo de alta cilindrada.

Essa sempre foi a receita mais eficiente para dar aderência à marca. É difícil achar um motociclista no Brasil que não reconheça o logotipo Honda, ou que já teve uma moto da marca. Nada mais natural do que cativar esse cliente até levá-lo às categorias maiores.

Hoje o Brasil ocupa o sétimo lugar no mundo na categoria over 500cc. Se mantiver o ritmo de 23% de crescimento, podemos fechar 2012 com 56.000 motos vendidas acima de 500cc, superando mercados mais tradicionais como Alemanha e Itália. E querem saber? Ainda vem muita notícia boa por aí!
As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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Geraldo Tite Simões é jornalista, instrutor de pilotagem e ministra o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio de Honda, Pirelli, Tutto e Shoei. www.speedmaster.com.br

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