Como escolher uma moto?

Perguntas simples podem ajudar você a evitar erros e arrependimentos
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Geraldo Simões
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Para escolher sua moto – caso ainda não tenha uma –, a primeira pergunta a ser feita é: “Para que eu quero uma moto?”. Pode parecer uma bobagem muito grande, mas essa perguntinha prosaica pode evitar muitos erros. Por exemplo, se a intenção é usá-la como meio de transporte diário, para se deslocar no trânsito intenso, sem pretensões aventureiras nas longas estradas, uma moto de baixa cilindrada entre 115 e 300 cc, pequena e confortável pode ser uma solução. Ou mesmo um scooter, veículos cada vez mais aperfeiçoados, confortáveis, versáteis e econômicos.

Por outro lado, se o plano é utilizá-la como meio de transporte, mas também fazer viagens, acompanhado de garupa, a melhor pedida é uma moto média ou grande entre 400 e 1.000 cc.

Para aqueles que gostam de pegar estradas de terra, as motos recomendadas são as de uso misto cidade-campo. Já os motociclistas de espírito esportivo, as superesportivas são as indicadas. Enfim, os chamados românticos, que veem na moto um objeto de lazer puro e ainda têm um leve espírito de rebeldia ao estilo Easy Rider, as motos custom são a melhor opção.

Nessa escolha devem ser levadas em conta as dimensões do motociclista. Não adianta sonhar com uma moto grande e pesada, se as dimensões do motociclista forem pequenas e leves. Ao escolher uma moto, ela deve servir como uma luva, não pode ficar nem larga, nem apertada. Um motociclista de baixa estatura pode não agüentar o peso da moto e gastar um bom dinheiro em manetes e funilaria do tanque.

As principais categorias de motos são:

On ou off

As chamadas motos de uso misto, ou trail, on-off road, fazem muito sucesso pela sua versatilidade. São correspondentes aos automóveis chamados de SUV – Sport Utility Vehicle. As principais características das motos on-off são:

Maior curso de suspensão, o que permite rodar em estradas de terra, ou de asfalto detonado, sem massacrar a coluna do motociclista.

Maior distância entre banco e solo e grande vão livre ao solo. Ou seja, elas são altas, o que combina com motociclistas com mais de 1,85 m.

O guidão largo e a roda dianteira de maior diâmetro 19 ou 21 polegadas facilitam a pilotagem em baixa velocidade e pisos irregulares.

Grande distância entre as pedaleiras e o banco. Ótimo para pilotos altos e muito bom para quem vai na garupa, porque pode se posicionar com as pernas menos dobradas.

Mas também tem suas características negativas:

Pneus com câmara, menos seguros em caso de perfurações.

Motor geralmente monocilíndrico, que emite mais vibração e ruído.

Desempenho limitado.

Geralmente têm o pára-lama dianteiro alto, que gera mais arrasto aerodinâmico.

Falta de proteção aerodinâmica carenagem, pára-brisa .

Fun-bike

Nos anos 1990 surgiu uma nova categoria de moto, inaugurada pela BMW F 650GS e batizada de fun-bike, algo como “moto-divertida”. Esta categoria revelou-se muito interessante e rapidamente ganhou adeptos e variações sobre o tema. Trata-se de uma mistura entre uso misto e esportivo. Ou seja, aparentemente ela tem características de fora-de-estrada guidão largo, suspensões de curso longo, banco largo, mas os pneus são de desenho esportivo, a roda dianteira é de 19 ou 17 polegadas e pequeno vão livre do solo. Tem as vantagens da versatilidade de uma trail com as vantagens de uma esportiva. Em suma, é praticamente uma moto dois-em-um.

Utilitárias

São aquelas pequenas motos entre 100 e 150cc que normalmente estão debaixo de um moto-boy. Geralmente são utilizadas dentro de perímetro urbano, embora tenha visto alguns motociclistas que rodaram o Brasil inteiro nestas pequenas e valentes utilitárias. São muito práticas na cidade e extremamente econômicas, chegando a fazer, facilmente, mais de 30 km com um litro de gasolina. No entanto têm uma grande desvantagem: são muito visadas por ladrões. Como são as mais vendidas – representam mais de 80% do mercado – são alvo de muitos roubos, furtos e assaltos.

Custom

Representam o sonho de consumo da maioria dos motociclistas acima dos 40 anos e alguns poucos jovens também. Sua principal representante é a Harley-Davidson, ícone americano que inspirou esta categoria de motos, hoje dominada pelos japoneses. Elas passam uma impressão de motos antigas, clássicas, sem preocupações com baixo peso e alto rendimento. O importante é dar ao motociclista a sensação de uma grande poltrona sobre duas rodas. Elas têm grande distância entre-eixos, o que as deixam péssimas de se fazer curvas, mas muito estáveis nas retas.

O principal na custom é representar um estilo de vida. O mais interessante é que este estilo de vida tem muito charme por misturar antigo com moderno. Mas verdade seja dita, somente as motos de grande cilindrada acima de 1.000 conseguem proporcionar algum conforto, porque as pequenas têm menor curso de suspensão, o que acaba sacrificando a coluna do motociclista. Quanto à posição de pilotagem, se as pedaleiras estiverem muito avançadas pra frente, o piloto ficará mais vulnerável às irregularidades do solo, porque a resultante do impacto na suspensão segue diretamente para o traseiro do piloto!

Esportiva

Fica entre 600 e 1.000cc e se caracterizam por alta potência entre 120 e 200 cv. São ótimas para curtir track-days em autódromos, mas horríveis para rodar na cidade, especialmente no trânsito porque o motor aquece muito. São extremamente prazerosas nas estradas cheias de curvas. Mas pelo alto desempenho – chegam a passar de 300 km/h – podem levar motociclistas novatos à tentação de correr demais onde não deve. Também são péssimas para levar garupa, aliás, a bem da verdade, motos esportivas NÃO foram feitas para levar ninguém na garupa!

Existem ainda outras subcategorias que vamos especificar em outras oportunidades.

Antes de se decidir por um modelo é sempre conveniente dar uma voltinha. Comprar “no escuro” pode trazer muitos aborrecimentos. A primeira lição é: jamais compre uma moto usada sem conhecimento de causa. Se o leitor for do tipo que anda de calculadora debaixo do braço, é bom reservar um dinheirinho extra para o pós-compra. A saber: licenciamento no caso de moto nova, seguro e as tralhas que acompanham a vida de um motociclista leia-se, equipamentos como capacete, luvas, botas, casaco, calça etc.


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Geraldo Tite Simões é jornalista, instrutor de pilotagem e ministra o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio de Honda, Pirelli, Tutto e Shoei. www.speedmaster.com.br 

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