Um das brigas mais quentes do momento acontece no segmento das motos trail/crossover de média cilindrada. A Honda XRE 300 Sahara ainda é líder isolada em vendas, mas a Royal Enfield Himalayan 450 e, mais recentemente, a CFMoto Ibex 450 têm conquistado bons números de compradores.
A briga reforça algo que o mercado brasileiro de motocicletas já conhecida bem: esse tipo de moto quase sempre faz sucesso por aqui, pois é versátil e costuma ter preço razoavelmente acessível.
É, também, o degrau logo acima para que vem de motos de baixa cilindrada, como Honda NXR 160 Bros e Yamaha XTZ 160 Crosser, entre outras. Então preparamos aqui um comparativo com algumas observações, as especificações e os preços das três para ajudar o caro leitor que anda pensando em lecar um desses modelos para casa a fazer a melhor escolha. Confira abaixo!

A XRE 300 Sahara é mais do que conhecida pelo consumidor brasileiro. O modelo atual ressuscitou o sobrenome da antiga NXR 350 Sahara, mas na prática é a XRE 300 que já existia há anos - claro que com aprimoramentos no design e na mecânica e em tecnologia - ganhou, por exemplo, iluminação full-LED e ABS nos dois freios.
É a "opção segura" de quem quer uma moto confiável e de uma marca que tem a maior rede de concessionários no País - são mais de mil. Mas é, também, uma moto com certa polêmica, já que os preços públicos sugeridos das três versões - R$ 30.990, da Standard; R$ 31.670, da Rally; e R$ 32.750, da Adventure, raramente são os praticados nas concessionárias. E não incluem frete e seguro.
No mundo real, dificilmente se leva a moto para casa por menos de iniciais R$ 35 mil. Além disso, das três é a que tem motor menor e a única com refrigeração a ar. Por isso, é menos potente e torcuda que as rivais, algo que deve entrar na relação custo/benefício - mas que, por outro lado, reduz custos de manutenção.
Em test-ride feito pelo WM1, a Sahara foi melhor no asfalto do que no off-road. Mas tem rodas apropriadas, raiadas e com aro de 21 polegadas na frente, e muita versatilidade. É o tipo de moto que te leva a qualquer lugar - basta ter pneus apropriados para isso.
A Himalayan 450 substituiu a Himalayan 411 com larga margem e sem deixar saudade da antecessora: é melhor em absolutamente tudo e, da antecessora, só herdou mesmo o nome.
É versátil, bem equipada e com ótimas especificações, como o painel redondo de TFT, moderno, bem completo e com conectividade, e farol e lanterna de LED. Atualmente é a mais vendida em seu segmento, o das maxtrail - onde, pela classificação da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave).
Por ter motor menor, a concorrente a Honda XRE 300 Sahara não está no mesmo segmento - está nas trail/fun -, mas no mundo real, até por uma questão de preço, as duas brigam pelo mesmo comprador.
A Himalayan 450 é vendida em duas versões, cuja diferença principal está nos pneus com ou sem câmara. Mas tem três faixas de preços, a depender da pintura: R$ 29.990, para Slate Himalayan Salt e Slate Poppy Blue (ambas com pneus com câmaras); R$ 30.990 e R$ 31.990 para a Hanle Black (pneus com câmaras e pneus sem câmaras, respectivamente); e iguais R$ 31.990 para a Kamen White (pneus sem câmaras).
Importante destacar que a Royal Enfield já tem uma rede de concessionárias bem robusta no Brasil. Mas, por outro lado, vale ressaltar que a marca ainda é relativamente deficiente no pós-venda, com relatos de serviços de qualidade abaixo do desejável e revisões e peças caras.
Em test-ride feito pelo WM1, a Himalayan 450 exibiu ótimo desempenho no asfalto, proporcionando conforto, segurança e respostas de motor surpreendentes. E também se saiu muito bem no off-road, que não teve trilhas pesadíssimas, mas superou terrenos bem acidentados sem sofrer.
A Ibex 450 é a mais nova concorrente no segmento. Exibida em primeira mão no Festival Interlagos - Motos do ano passado, sua chegada foi cercada de expectativas por exibir um conjunto realmente interessante e um design particularmente bonito.
Aí, algum tempos depois, a moto foi efetivamente lançada e logo houve fila para comprá-la. Na falta de motos para entregar, naturalmente vieram reclamações - algo habitual em se tratando de consumidor brasileiro.
A CFMoto é uma marca chinesa de primeira linha que vende motos no mundo inteiro, inclusive na Europa. E tem aceitação e aprovação enormes. mas, no Brasil, chegou por meio de um representante, e não por subsidiária, como a Royal Enfield e a Bajaj, por exemplo. Isso naturalmente limita as operações, ainda mais em um primeiro momento.
As expectativas continuam altas e será preciso muita dedicação do representante, o Grupo Unique, para consolidar a marca no País. Produtos para isso, ela tem. E a Ibex 450 é prova disso: bonita, completa, com bom desempenho e preço razoável - R$ 35.990, já com frete e seguro inclusos. Isso com ABS desligável na roda traseira, painel de TFT, farol duplo de LED, lanterna de LED, protetor de cárter e protetores de mãos, entre outros recursos.
Em test-ride feito pelo WM1 em pista fechada, de autódromo, a Ibex 450 exibiu ótimo desempenho, alto nível de conforto e um conjunto muito convincente. Andamos apenas no asfalto e, apesar dos pneus de uso misto, ficou bem evidente que essa moto é muito mais afeita ao piso negro do que ao off-road, embora suas especificações também indiquem certa versatilidade para esse tipo de uso.
O futuro da CFMoto no Brasil ainda é uma incógnita. Mas, se depender da Ibex 450, a marca se consolidará por aqui e será uma boa concorrente principalmente para a Royal Enfield Himalayan 450.
E aí, qual você levaria para casa?
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