Diário do Paschoalin: pré-competição

Convite para a prova, seguro de vida, exportação das peças, logística... Rafa explica os trâmites de correr no exterior.

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Rafael Paschoalin
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Fala galera, aos poucos vocês irão se acostumar com a minha presença aqui no WM1. Pretendo escrever cada vez mais e se você ainda não viu a minha apresentação ou a minha coluna sobre a MotoGP, não deixem de ler.

Nesse ano vou representar o Brasil e a Webmotors em uma das principais competições do mundo, a subida de montanha Pikes Peak, no Colorado, EUA.

Este primeiro texto conta um pouco sobre os trâmites de ir competir no exterior. Sente só o drama dessas coisas que eu invento!

 Rafael Paschoalin
Legenda: Rafael Paschoalin
Crédito: Rafael Paschoalin

O convite

Não importa quão bom você é ou quão recheada é sua conta bancária. Pikes Peak, TT Isle of Man, Macau GP, NW200 são provas para convidados e a participação é restrita para pilotos aceitos. O processo de inscrição não é difícil, mas trabalhoso. Algumas páginas de um PDF são preenchidas com todas as informações possíveis sobre o seu perfil e também sua carreira. Tive que passar 3 telefones de pessoas que acompanham minhas competições e acabei optando por organizadores da Ilha de Man, da North West 200 e também um promotor de competições aqui no Brasil.

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Legenda: Pikes Peak Hill Climb
Crédito: Pikes Peak Hill Climb

Para validar a inscrição, mesmo sem saber se vai ou não dar certo, é preciso pagar US$ 1.500 (cerca de R$ 5 mil) e caso você não seja aceito, essa grana é estornada para o seu cartão de crédito. O período de inscrição acaba no dia 27 de janeiro e a organização divulga no site a lista de participantes aceitos no dia 17 de fevereiro.

Não importa quão bom você é ou quão recheada é sua conta bancária. Pikes Peak, TT Isle of Man, Macau GP, NW200 são provas para convidados e a participação é restrita para pilotos aceitos

Depois de aceito é hora de correr atrás da documentação necessária, inclusive a carteira internacional de piloto emitida pela FIM (Fcaptionação Internacional de Motociclismo). Um exame médico minucioso também é preenchido e dia sim, dia não, recebemos algum e-mail da organização com boletins, regras, alterações de regulamento, pedido de fotos, biografia para o app de Pikes, etc..

 E-mails Pikes Peak
Legenda: E-mails Pikes Peak
Crédito: E-mails Pikes Peak

Seguros e exportação temporária

Existem muitos prós e alguns contras quando você é o único piloto de motovelocidade do país que roda o mundo atrás das competições mais perigosas que existem. O seguro de vida é um deles e eu não consigo fazer nenhuma apólice aqui no Brasil que cubra um acidente na Ilha de Man. A opção mais razoável é contratar uma seguradora no exterior e fazer um plano válido para o período da competição.

Eu não consigo fazer nenhuma apólice de seguro aqui no Brasil que cubra um acidente na Ilha de Man

Eu acabo usando essa mesma estratégia para Pikes Peak e opto sempre por um seguro que cubra todos os requisitos exigidos pela organização, com valores altos para tratamento hospitalar, danos irreversíveis e até repatriação de corpo.

Outro ponto interessante é justamente a dúvida entre levar ou não a minha motocicleta aqui do Brasil – mais para frente vamos dissecar a minha Yamaha MT-07 e vocês saberão de todos os truques que a transformaram em um foguete! Além do custo exorbitante para levar e trazer a moto de avião – pode ultrapassar R$ 25.000,00 -, acabo ficando muito tempo sem a moto aqui por conta da burocracia brasileira.


Dessa forma, opto sempre por fazer uma exportação temporária das peças de performance e compro uma outra moto nos EUA. Nessa temporada vou levar “apenas”: pedaleiras, escapamento, cabeçote, rodas, relação secundária, amortecedor, linhas e pastilhas de freio.

 Avião
Legenda: Avião
Crédito: Avião

Logística e apoio no exterior

Pousar nos EUA com um orçamento limitado e uma grande quantidade de bagagem exige certa desenvoltura e falta de timidez. Para a minha sorte, em todos os cantos do mundo tenho bons amigos que estão sempre dispostos a ajudar. Para essa corrida de Pikes chego em Colorado Springs 20 dias antes da prova e tenho esse tempo para comprar a motocicleta (de preferência uma usada com mais de 4.000 milhas) e instalar nela todas as peças de performance que vieram da minha moto no Brasil.

Todo esse trabalho vou fazer apenas com a ajuda do meu amigo americano James Osborne e sua esposa Irina Osborne, donos da American Bike Tailor, uma acolhedora oficina de preparação que tem até dinamômetro e banco de fluxo. Para a semana da corrida chegam meus anjos da guarda, chefiados pelo meu pai Vail Paschoalin. Rica e AG completam o time dessa vez enquanto o pessoal que fez o trabalho duro aqui no Brasil, Lucas Albuquerque e Fábio Guerrero, terão que torcer de longe desta vez. Já os avisei que em 2018 estaremos na Ilha de Man e aí sim o time estará completo, mas esse é um assunto para outro post!

Abraços e fiquem ligados que semana que vem tem mais sobre o nosso desafio em Pikes Peak!

Rafa Paschoalin

 

 

 

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