Embreagem hidráulica ou a cabo? Qual a melhor?

Harley-Davidson muda sistema nos modelos touring 2021 e estimula o debate: qual é o mais confortável e confiável

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Roberto Dutra
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Pouca gente percebeu aqui no Brasil, mas lá nos Estados Unidos o assunto tem sido bastante debatido: a Harley-Davidson abandonou a embreagem hidráulica em todas as suas motocicletas touring na linha 2021, e adotou o sistema a cabo.

Adotadas a partir de 2014, as embreagens hidráulicas passaram a equipar progressivamente as maiores motos da marca desde então. Mas este ano a Harley-Davidson deu um cavalo de pau e voltou a botar embreagem a cabo em todas.

Os motivos para essa mudança tão radical nunca foram comentados oficialmente pela fabricante. Lá na terra do Tio Sam o que se diz é que um "feedback" dos concessionários à fábrica informava que os clientes se queixavam de que as hidráulicas não proporcionavam uma "zona de atrito" confortável, o que gerava saídas da inércia menos suaves que o desejável.

Thumbnail 2. Road Glide Special

Até modelos topo de linha como a Road Glide Special passaram a ter embreagem a cabo

Aqui cabe uma explicação: "zona de atrito" é exatamente o ponto em que, à medida em que o piloto vai soltando o manete de embreagem, a embreagem acopla a marcha, o sistema começa a gerar movimento progressivo no motor e a moto a andar.

Além disso, comenta-se que a nova embreagem a cabo usada nas Harley-Davidson resolveria estes problemas: teria acionamento suave e não exigiria esforços demais do piloto; aumentaria drasticamente a zona de atrito; e permitiria um excelente controle dos engates das marchas.

Thumbnail 3. Road King Special
Experiência própria: na Road King Special a embreagem hidráulica era sacrificante no trânsito pesado
Crédito: Divulgação

Os reais motivos da mudança deverão ficar guardados nas gavetas da matriz de Milwaukee eternamente. Então, vamos aproveitar a novidade para esclarecer aqui as vantagens e as desvantagens de cada sistema.

Embreagens hidráulicas

As vantagens das embreagens hidráulicas em comparação com as acionadas por cabo seriam oferecer um acionamento mais leve e uma zona de atrito mais previsível, exigir baixa manutenção (em teoria, apenas a troca do fluido a cada dois anos) e não precisar de ajustes periódicos, já que o próprio sistema hidráulico compensa o desgaste dos discos de embreagem e, com isso, o piloto não sente diferenças no "ponto" da embreagem por conta desse desgaste natural.

Thumbnail 4. Embreagem Hidráulica
O sistema hidráulico não permite regulagens, mas teoricamente deve exigir menos esforço no acionamento
Crédito: Divulgação

No mundo real, tive a oportunidade de sentir - ao pilotar uma Road King Special uns três anos atrás - que a embreagem era pesadíssima e cansava muito a mão no trânsito urbano (ressalve-se que a RKS não é moto para isso). Além disso, as saídas da inércia não eram mesmo muito suaves.

Já a baixa manutenção nas embreagens hidráulicas é relativa. O sistema é composto por vários componentes, que, como quaisquer outros, estão sujeitos a problemas. E a troca de um reparo de burrinho de embreagem em uma Harley-Davidson touring, por exemplo, não é algo tão fácil nem barato. A desvantagem mais evidente, contudo, é que uma embreagem hidráulica não permite pequenas regulagens para ficar ao gosto do freguês: é como vem de fábrica e pronto.

Embreagem a cabo

A embreagem a cabo, por sua vez, permite as pequenas regulagens e sua manutenção se limita, basicamente, a lubrificações periódicas, um ou outro ajuste fácil de fazer e à troca do cabo quando este começa a esgarçar ou simplesmente quando arrebenta. Inclusive essa troca costuma ser um serviço relativamente simples.

Outro aspecto positivo vem nas customizações: é mais fácil substituir um cabo original por um mais comprido, por exemplo, do que um mangote original por outro mais comprido.

Thumbnail 5. Embreagem A Cabo
Acionamento por cabo: em teoria, mais força e manutenção mais fácil
Crédito: Divulgação

Por outro lado, o cabo exige mais espaço na moto, pois tem uma "rota" mais extensa do que a exigida pelo mangote por onde circula o fluido de embreagem. Em motos carenadas e com geometria mais complexa, a opção pela hidráulica facilita a produção, pois praticamente não existem as limitações de "rota" na ligação entre o burrinho (reservatório), lá junto ao manete, e o efetivo dispositivo de acionamento na caixa de marchas.

Por fim, vale lembrar que as embreagens a cabo são inquestionavelmente mais baratas do que os sistemas hidráulicos, que são mais complexos. Para o fabricante, em escala de produção, faz uma boa diferença.

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