Harley-Davidson Softail 2018: it´s evolution, baby

Harley lança motos mais rápidas, potentes e modernas. Nós já aceleramos!

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Karina Simões
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Apego, segundo o dicionário, é um sentimento de afeição por alguém ou alguma coisa. Não sei você, mas eu sofro de alguns ‘apegos’, embora ache que esse sentimento é quase sempre negativo. E o que isso tem a ver com a linha Softail 2018 da Harley-Davidson? Muita coisa.

Um dos maiores desafios para uma montadora centenária é lidar com o tal do apego dos clientes ao seu produto ou o que a marca representa para eles. E foi no aniversário de 115 anos que a Harley revelou a reformulação de uma família inteira de modelos, fruto do maior projeto de pesquisa e desenvolvimento da hisória da marca. Se teve gente torcendo o nariz? Lógico.

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Mas a linha de raciocínio foi bem lógica, a marca juntou seus planos ambiciosos com as vontades dos clientes (no plural mesmo, porque são muitas). Dessa receita nasceram oito motos que, exceto pelo nome, não trazem muita coisa do passado. Basicamente, o time de engenharia projetou um chassi mais leve capaz de dar origem a motos com estilos e propostas bem diferentes, os motores foram substituídos pelos mais potentes Milwaukee-Eight 107 e 114 e retrabalharam a suspensão.

As motos da família Dyna (Street Bob, Low Rider e Fat Bob), caracterizadas pelo amortecedor bichoque na traseira, foram incorporadas à família Softail. Agora, todas as motos da linha ganharam apenas um amortecedor monochoque ajustável na traseira, suspensão dianteira de duas válvulas para melhorar a performance, um sistema elétrico mais parrudo, além do visual repaginado com faróis em led e uma entrada USB.

O novo quadro tubular desenhado do zero é, sem dúvida, o grande destaque do projeto. Segundo a Harley, ele está 34% mais rígido e até 20% mais leve. A preocupação foi não interferir no visual hardtail ou “rabo-duro” - que imita as motos antigas sem amortecedor traseiro já que, na verdade, o monochoque está escondo sob o banco – e melhorar a agilidade e até os ângulos de inclinação.

Há dois tipos de balança traseira, uma acomoda pneus mais estreitos e a outra pneus mais largos, além de três diferentes angulações da coluna de direção. Com as melhorias, os novos modelos Softail ficaram até 17 kg mais magros. Combinar esta dieta ao vigoroso Milwaukee-Eight, certamente traria um resultado interessante.

Lançado em agosto de 2016, este motor representou a primeira grande evolução nas motos da Harley-Davidson e passou a equipar a família Touring. Ele possui dois cilindros em V a 45°, com quatro válvulas para cada cilindro e, desde seu lançamento, vem arrancando elogios pela melhor experiência de pilotagem. Leia: mais torque, menos calor nas pernas e menos vibração. Para a família Softail, ele é oferecido nas versões 107 de 1745cc e 14,7 kgf.m de torque, e o mais potente 114 de 1868cc e 15,8 kgf.m.

O discurso da Harley é que as novas motos estão mais rápidas, pontentes e ágeis do que qualquer antecessora. Para descobrir, a Webmotors foi à provincia de Seva, na Espanha, experimentar quatro modelos: Heritage Classic, Breakout, Fat Bob e Street Bob. Os modelos Deluxe, Low Rider, Softail Slim e a polêmica Fat Boy ficaram de fora. Polêmica porque ela é a moto da família Softail mais vendida no mundo, e, consequentemente, os clientes apegados ao modelo anterior não receberam tão bem as mudanças. Eu disse que esse texto tinha a ver com apego, não disse? Corey Wilson, líder do projeto da nova família foi suscinto em sua justificativa. “Os produtos evoluem, assim como os pilotos e a melhor maneira de fazer os clientes entenderem isso é convidá-los para um test ride”, disse Wilson.

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Crédito: karina_simoes_bo_011.jpg

Heritage Classic, miss conforto

O primeiro modelo designado para mim foi a Heritage Classic. Ela tem o visual inspitado nas Harleys dos anos 50 e, pela bolha alta removível e as bolsas laterais à prova d’água, percebemos de cara que é a Softail feita para a viajar. Ao tirar o descanso lateral, a primeira surpresa boa foi a leveza para colocar a moto “em pé”. Repeti o procedimento apenas para constatar que era a moto mesmo que estava leve, já que não intensifiquei o treino na academia.

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A Heritage mostrou muita desenvoltura nas estradas espanholas repletas de curvas por conta dos 17 kg a menos e do torque abundante de quase 15 kgf.m já aos 3 mil giros.  Ela ganhou mais capacidade de carga e vem, de série, com freios ABS e piloto automático. É uma moto para longos percursos, muito confortável e livre do peso - e do preço - das Touring da marca.

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Breakout, porque a primeira impressão é a que fica

Troquei a agradável Heritage pela drag Breakout. Ela é imponente, mas o estilo de pilotagem é o que menos me agrada por conta do entre-eixos muito longo e do rolocompressor (que chamam de pneu) instalado na traseira. São 240 mm de borracha que precisa contornar as curvas junto com você. Quase uma missão!  

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Identidade não falta para ela, além do pneuzão e da roda de 21 polegadas na dianteira, o garfo alongado a deixa com o maior ângulo de cáster da família. Ela também emagreceu 17 quilos, ganhou um painel minimalista acoplado à mesa do guidão e o tanque agora leva 13,2 litros. Sem dúvida ela melhorou muito se compararmos à antecessora. Ela freia muito bem e, com toda aquela borracha, qualquer freada mais forte com a roda traseira vira um drift, mesmo com ABS. Nas curvas acostume-se também a raspar as pedaleiras no asfalto o tempo todo. É uma moto que se dá melhor em retas, mas encara muito bem um desfile pelo bairro no final de semana. Afinal, este pode ser o motivo dela ser a segunda Softail mais vendida do mundo.

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Fat Bob, a transgressora

Da família, a moto que tem visual mais agressivo é a Fat Bob, especialmente pelo farol de LED retangular. De cara foi o modelo em que eu senti a frente mais pesada, o que dá um trabalho extra em manobras de baixa velocidade e estradas muito sinuosas. Também pudera, ali na frente está um pneu imenso de nada menos que 150mm, discos duplos nos freios e uma suspensão invertida com garfos de 43mm.  


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Ela emagreceu 15 kg e, depois de um tempo juntas, nos tornamos grandes parceiras pelas curvas da Catalunha, até na chuva! As curvas são contornadas de maneira precisa e as pedaleiras não riscam o asfalto o tempo todo.

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Um brinquedo chamado Street Bob

A caçula da turma me surpreendeu pela leveza, agilidade e diversão que proporciona. É aquele tipo de moto para ir à qualquer lugar, desde que você não se incomode com as pedaleiras recuadas e o guidão alto. Como as irmãs, ganhou um novo tanque com capacidade para 13,2 litros. Painel digital, ponteiras do escapamento em preto fosco e 7 kg a menos são os destaques.  

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Eu nem precisaria de dois dias rodando com as motos para constatar sua evolução, nítida já na primeira volta. Segundo o gerente de marketing da divisão brasileira da marca, Flávio Villaça, você poderá visitar a família Softail 2018 no Salão Duas Rodas, que acontece de 14 a 19 de novembro em São Paulo. Já os apegados que torceram o nariz para as mudanças terão de esperar até dezembro, quando os modelos chegam às lojas, para mudar de opinião.  

 

 

 

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