O mercado brasileiro de motos já foi o quinto maior do mundo e, atualmente, é o sétimo. A perda de duas posições deveu-se não somente a questões internas - sucessivas crises econômicas e políticas, desvalorização da moeda e recessão -, como também ao crescimento do mercado doméstico em outros países, notadamente a Índia.
Mas, para além disso, o mercado brasileiro de motocicletas exibe uma particularidade raríssima: aqui, uma única marca é líder absolutamente isolada, vendendo quase cinco vezes mais que a segunda colocada.
Sim, estamos falando da Honda. E isso se deve a vários fatores. A Honda não foi a primeira marca de motos a produzir no Brasil, mas foi a primeira a investir nisso em escala extremamente grande. A fábrica da Honda em Manaus (AM) apronta uma moto a cada 30 segundos, em média.
Além disso, a marca da asa acertou ao lançar no Brasil vários modelos que responderam diretamente às necessidades do consumidor local - caso da CG, lá atrás, em 1976, e depois dela vários outros, até chegar, em tempos mais recentes (ou menos antigos) à Biz e à Pop.
Quer mais? A Honda construiu uma rede de concessionários com enorme capilaridade no país - são mais de mil revendas - e criou um estoque de peças impressionantes - são mais de 2,8 milhões de itens estocados. Para completar, investiu pesado no consórcio próprio, que hoje responde por mais de um terço das vendas da marca no país, todo mês.
Mas de quantas motos estamos falando? Bom, aqui começam os números estarrecedores. Neste ano de 2025, de janeiro até agosto, a Honda vendeu nada menos que 943.742 motocicletas, motonetas e scooters.
A segunda colocada é a Yamaha. Que também é uma marca forte e que, na prática, foi a primeira a produzir motos no país, lá em 1974 - a Honda só começou a produzir dois anos depois. Porém, com menos investimentos em capacidade produtiva ao longo dos anos, a Yamaha acabou relegada a uma eterna e distante posição de coadjuvante, Este ano, já vendei 202.446 motocicletas, motonetas e scooters. Ou seja, quase cinco vezes menos que a líder Honda.
Outros dados impressionantes: com tal volume, a Honda respondeu por por incríveis 67% das vendas de veículos de duas rodas no Brasil. A Yamaha, segunda colocada, entrou com distantes 14,3%. Daí para baixo, todas as outras marcas presentes no país têm menos de 6% de market share, cada uma.
É uma distância absurda. E se pegarmos os números de vendas da Yamaha e somarmos com os das marcas que ocupam as 19 posições seguintes no ranking de vendas - acumuladas no ano, de janeiro a agosto -, não chegamos ao volume da Honda: foram 460.334 unidades. Um pouco menos que a metade. Sim, a soma das vendas de 20 marcas é menos que as vendas da Honda, isoladamente.
Confira o ranking de vendas de motos no acumulado deste ano, de janeiro a agosto - por marcas, em unidades:



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