Moto do Ano: o maior comparativo de motos do mundo

Contamos no detalhe como foi pilotar 57 motos em dois dias e quais os modelos vencedores de 2017

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Karina Simões
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Quando eu era criança, não existia esse papo de "descer pro play". A gente juntava a criançada e ia pra rua depois da escola com bike, skate, carrinho de rolimã, patinete e o que mais interessasse no momento. Isso explica um pouco as marcas da minha infância, aquelas cicatrizes boas de lembrar. Hoje, o que mais me aproxima desta sensação é a premiação Moto do Ano, realizada pela Revista Duas Rodas, da qual eu tenho o orgulho de participar como jurada. É aquele velho esquema de juntar os amigos e um monte de brinquedos divertidos. Felizmente, assim como eu, os brinquedos também cresceram e o que era distração virou trabalho. Se você gosta de motos, gaste uns minutos lendo este texto para entender do que estou falando.

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Legenda: Motos
Crédito: mva_5617a.jpg

Durante dois dias, eu e mais seis jornalistas especializados de diferentes publicações nos reunimos no Campo de Provas da Pirelli, em Sumaré, interior do estado de São Paulo, para avaliarmos numa tacada só um monte de motocicletas. Nesta, que foi a 19ª edição, testamos nada menos que 57 motos que estrearam no Brasil nos últimos 12 meses. As motocas foram divididas em 10 categorias: ScooterStreetTrailTouring, ClassicCustomAdventureSport-TouringNaked, e Sport. Não à toa, este é o maior comparativo de motocicletas do planeta.

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Legenda: Ducati Diavel
Crédito: ducati diavel.jpg

CANSOU? CALMA, AINDA NEM COMEÇAMOS...

Além da pista, das motos abastecidas e de engenheiros e executivos das montadoras para tirarem nossas dúvidas sobre os modelos, tivemos à disposição equipamento completo, novo e de “grife”, etiquetados com o nome de cada jurado. É sério.

Como jornalista, o Moto do Ano é uma oportunidade única de comparar modelos concorrentes sob a mesma condição de piso e temperatura, além de encontrar no detalhe diferenças sutis entre motos de uma mesma categoria. Para cada modelo, damos notas de 5 a 10 para o motor, freios, suspensões, agilidade, conforto, design e custo-benefício. A melhor média final nos sete quesitos elege a Moto do Ano em cada categoria e a maior nota entre todas as motos concorrentes determina a vencedora geral. Os leitores da revista também participam da escolha votando em sua moto preferida pelo site.

 Evento Moto do Ano
Legenda: Evento Moto do Ano
Crédito: moto_do_ano_2017.jpg

WORK HARD, PLAY HARD

Ás 9h, com o sol já castigando, comecei os testes pela categoria Scooter, a “salvação” de quem mora em grandes centros urbanos e quer fugir do trânsito. Um dos segmentos que mais cresce no Brasil veio com seis modelos para a disputa. A Honda trouxe o PCX 150 que recebeu melhorias (como você pode assistir aqui) e seu irmão maior –e bem mais caro- SH 300i. A Dafra, o Citycom 300S e o retrô Fiddle III, de visual e mecânica "ultrapassada" perante os concorrentes (digo isso, pois é o único da categoria a utilizar carburador). Já a Yamaha surpreendeu com os dois melhores avaliados da categoria: novo Neo 125, econômico, com ótimo custo-benefício e visual agressivo, e o campeão Nmax 160 (R$ 11.390).

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Legenda: Scooters têm vez
Crédito: moto_do_ano_2017.jpg

Na categoria Street, os dez modelos comprovaram que não é só robustez e baixo consumo que o consumidor deste segmento espera. As motos estão mais bonitas, leves, ágeis, com motores mais eficientes, freios mais refinados e suspensões bem calibradas. A Honda marcou presença com cinco exemplares: Biz 110i, Biz 125, CB Twister, CG 125 Fan e CG 160 Start.

 Yamaha MT-03
Legenda: Yamaha MT-03
Crédito: Yamaha mt 03.jpg

Todavia, foram outros dois modelos que me impressionaram. Um deles foi a laranjinha KTM Duke 200, que embora não seja das mais confortáveis, empolga muito. As pedaleiras recuadas e o design original, somam-se à uma construção refinada para a categoria: suspensão invertida na dianteira, pinça radial de quatro pistões e balança de alumínio na traseira. O troféu, porém, foi novamente para a Yamaha, com a ágil MT-03 (R$ 20.730 ABS), equipada com um bicilíndrico de 320,6 cm³ e 42 cv. Prêmio merecido.

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Legenda: Moto do Ano
Crédito: moto_do_ano_2017.jpg

Na categoria Trail, a XRE 300 (R$18.190) superou a XRE 190 e a Yamaha Crosser 150. Após o almoço, quatro clássicas de sobremesa –uma italiana e três inglesas–, com gosto de evolução. Impressionante o comportamento explosivo da Thruxton R (R$ 55.500) cujo motor de 1200 cc gera 97 cv, é o mesmo da Bonneville, mas com diferente mapeamento. Na primeira volta notei que o visual café racer era apenas um disfarce, ela tem mesmo é DNA de esportiva. Para completar o pacote, freios Brembo de disco duplo na dianteira, modos de pilotagem e níveis de controle de tração. Essa clássica moderna levou o troféu da categoria, sua irmã Street Twin, uma deliciosa opção para o dia a dia na cidade, ficou logo atrás.

Para fechar, oito modelos Custom. Entre as norte-americanas e centenárias Indian e Haley-Davidson, uma italiana roubaria a cena. Impossível passar despercebido pela Ducati XDiavel S (R$ 85.900). Ela continua musculosa, mas ganhou ares bem futuristas. Ostenta um motor Testastretta com dois cilindros em “L”, de 1.262 cm³, que gera 156 cv e 13,35 kgf.m de torque. Em comum com as demais motos da categoria está o porte avantajado e as pedaleiras avançadas. A italiana "diferentona"  atropelou as americanas todas e levou o título da categoria. Com as Custom, encerrei meu primeiro dia de testes com 31 motos para a conta.

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Legenda: Diavel
Crédito: mva_4290.jpg

AMANHÃ TEM MAIS

No dia seguinte, o sol parecia castigar ainda mais. Optei por começar com as Touring, grandalhonas e pesadas, porém absolutamente confortáveis: Harley CVO Street Glide (R$ 134.200), Indian Chieftain e Indian Roadmaster. A representante da H-D se destacou pelo motor "torcudo" e agilidade, superando as concorrentes.

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Crédito: moto_do_ano_2017.jpg

Foi dificílimo julgar as oito motos da categoria Adventure. Além daquela pegada “pau pra toda obra”, algumas motos contavam com muita eletrônica, no caso da R 1200GS Adventure Plus e Ducati Multistrada Enduro, e esportividade, no caso da austríaca KTM 1290 Super Adventure. A Triumph também estava muito bem representada pelas Tiger XCa e Explorer XCx. O interessante foi que a ganhadora da categoria não foi uma moto recheada de tecnologia, mas sim um modelo leve e versátil que entrega o básico para você ir até o fim do mundo, estou falando da Honda Africa Twin (R$ 64.900, saiba tudo sobre ela aqui).

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Crédito: moto_do_ano_2017.jpg

Outra categoria difícil foi a Sport Touring, onde, na minha opinião, as estrelas foram a Yamaha MT-09 Tracer e a BMW S1000XR (R$ 72.900). A alemã entrega o melhor dos mundos: tem posição de pilotagem muito confortável, versatilidade para ultrapassar obstáculos e comportamento de esportiva. O som produzido pelo motor de quatro cilindros e 999 cm³, que entrega 160 cv a 11 mil rpm, empolga a cada troca de marcha. E falando nisso, confesso que o quick shifter –sistema que dispensa o acionamento da embreagem nas trocas e que pode ser utilizado para subir e também descer as marchas– me fez esquecer que eu deveria continuar a testar outros modelos... Ela foi a escolhida da categoria.

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Crédito: moto_do_ano_2017.jpg

Hora de colocar o macacão para experimentar as naked Triumph Speed Triple R (R$ 59.500), CB 650F, CB 500F , e depois, finalmente, me deliciar com as esportivas. Comecei com a Honda CBR 500R, mas deveria ter ido direto na Yamaha R1 M. De tanto testarem o controle de largada, acabaram com a embreagem da moto, que teve que ficar parada bem na minha vez. Uma pena, mas nem tudo estava perdido.

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Crédito: moto_do_ano_2017.jpg

Parti para a Ducati 1299 Panigale, que, definitivamente, não nasceu para andar devagar. Ela pede para você girar o manete da direita com vontade e fazer seu bicilíndrico de 205 cv berrar alto. Caso você não obedeça, há grandes chances de você não curtir o ride. Em baixos giros, o motor trabalha muito áspero e ela não se deixa domar tão facilmente, é incômodo.

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A Kawasaki ZX-10R (R$ 74.990 ABS), em contrapartida, é bem mais amigável. Acho que por isso tive um caso de amor à primeira volta com a esportiva. Ela é equipada com motor de quatro cilindros que rende até 210 cv e, além do visual arrebatador, ganhou um chassi mais leve. Suave, divertida e potente, ela deixou claro para mim porque venceu por três vezes o Mundial de SuperBike.

DE OUTRO PLANETA

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Crédito: motodoano_2017.jpg

A última moto não poderia ter um sabor mais especial. A Kawasaki H2R permeia o imaginário de quem curte as superesportivas, mas ela definitivamente não é para qualquer um. Diferentemente de sua irmã de rua, a H2, este demônio é exclusivo para uso em pista, não tem faróis nem retrovisores. Ela impressiona por vários motivos, seja pelos 400 km/h de velocidade final (basta digitar "H2R top speed" no YouTube e conferir), seja pelo visual arrebatador e extremamente agressivo, pela pintura espelhada, pelos 326 cv gerados pelo motor sobrealimentado ou apenas pelo fato de existir um único exemplar no Brasil, no caso, aquele eu estava prestes a colocar as mãos. Intimidador, não? Agora pense que ela custa R$ 350 mil.

Diferentemente de sua irmã de rua, a H2, este demônio é exclusivo para uso em pista, não tem faróis nem retrovisores.

Sem dúvida a moto mais cara e mais potente que eu já pilotei na vida. Aliás, sou a única mulher neste país que pilotou essa moto, o que me deixa imensamente feliz! Passado o êxtase inicial, me dei conta que a pista da Pirelli ficou muito pequena para a H2R. Mesmo pilotos muito experientes dificilmente conseguiriam utilizar metade do que ela pode oferecer em termos de potência ali naquelas condições. De qualquer forma, foi inesquecível poder controlar por alguns minutos uma moto de força descomunal e me divertir com o som ensurdecedor que ela produz. A H2R não é deste planeta, por isso voltemos à Terra, a ZX-10R foi a escolhida como a esportiva do ano.

Depois da demoníaca H2R, veio a sensação de dever cumprido. Felizmente, fechamos os dias de testes sem acidentes. Hora de tirar o macacão e ir para casa. Para o dia seguinte, sobraram calos nas mãos, um certo desconforto nos punhos e músculos, e nenhuma moto de outro mundo para pilotar. Ainda assim, fui dar uma volta na minha "cinquentinha" enquanto espero pela próxima edição do evento. O chato deste "parque de diversões", é que ele só abre uma vez por ano.

Dentre todas as motocicletas, a escolhida como Moto do Ano 2017 foi a Honda Africa Twin, que chega às lojas na primeira quinzena de dezembro no Brasil nas versões Standard e Travel Adventure (R$ 74.900). Confira o vídeo do evento e a classificação geral:

  • Sport – Kawasaki Ninja ZX-10R
  • Sport-touring – BMW S1000XR
  • Touring – Harley-Davidson CVO Street Glide
  • ​Custom – Ducati XDiavel
  • Naked – Triumph Speed Triple R
  • Classic – Triumph Thruxton R
  • Scooter – Yamaha NMax 160
  • Street – Yamaha MT-03
  • ​Trail – Honda XRE 300
  • Adventure – Honda Africa Twin
  • Moto do Ano (prêmio principal) – Honda Africa Twin
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