Motos custom: passado, presente e futuro

Recente chegada da Royal Enfield Meteor e vinda da Haojue Master Ride em setembro criam degraus, mas ainda há espaço

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Roberto Dutra
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Já falamos aqui sobre a carência no segmento de motos custom do mercado brasileiro. O espaço que, há não muitos anos, teve diversos modelos bem-sucedidos, alguns amados até hoje - e outros nem tanto -, tem andado desprestigiado.

Honda Rebel 500
A Honda Rebel 500 ficaria só na parte intermediária do segmento. Motor é igual das CB 500 F e X
Crédito: Divulgação

Foi-se o tempo em que víamos um número relevante de Yamaha Virago XV 250, Virago XV 535, Drag Star 650 e Midnight 950, Honda Shadow 600 e 750, Kawasaki Vulcan 500, 750, 800, 900 e 1.500, Kasinski Cruise 125 e Mirage 250 e 650, e até de Harley-Davidson Sportster 883, só para citar alguns exemplos.

Dafra Horizon 150
A Dafra Horizon 150 é a custom mais barata do país: custa R$ 11.690
Crédito: Divulgação

Também já explicamos o principal motivo dessa carência: as vendas limitadas. Muita gente não sabe, mas o segmento custom responde por apenas 0,5% da comercialização total de motos no país. Por isso as principais marcas pararam de investir ali.

Sem uma rentabilidade mínima, o negócio fica inviável. E o resultado foi uma lacuna enorme entre as remanescentes - as básicas Haojue Chopper Road 150 e Dafra Horizon 150, atualmente na faixa dos R$ 12.000 -, e a Kawasaki Vulcan 650 S, cujo preço acabou de subir para R$ 39.990.

Yamaha V Star 250
A V-Star 250, versão evoluída da nossa conhecida Virago 250, é vendida até hoje nos EUA
Crédito: Divulgação

Mas isso começa a mudar. A chegada da Royal Enfield Meteor 350, que tem preços entre R$ 17.990 e R$ 19.990, já criou um degrau intermediário interessante.

E em setembro chegará a TR 150 Master Ride, outra custom da Haojue - que, aliás, não deverá tirar a Chopper Road 150 de linha. Como a Master Ride será posicionada um degrau acima de Chopper e Horizon, com preço em torno dos R$ 15.000, podemos pensar na seguinte "escadinha":

  • Dafra Horizon 150 - R$ 11.690
  • Haojue Chopper Road 150 - R$ 12.195
  • Haojue TR 150 Master Ride - R$ 15.000 (estimado)
  • Royal Enfield Meteor 350 Fireball - 17.990
  • Royal Enfield Meteor 350 Stellar - R$ 18.490
  • Royal Enfield Meteor 350 Supernova - R$ 18.990
  • Kawasaki Vulcan 650 S - R$ 39.990
  • Mas ainda faltam opções. Com o recente aumento, a Vulcan 650 S se distanciou ainda mais das pequenas. E ainda há um espaço vazio entre ela e a Meteor 350, tanto em preço quanto em tamanho.

    As candidatas ideais devem, em teoria, ter motor na faixa dos 300 cm³ a 500 cm³ e preço não superior a R$ 30.000 (vale lembrar que a Honda Shadow 750 custava isso quando saiu de linha, em 2014). Mas claro que modelos com motor maior, de até 1.000 cm³, ajudariam a enriquecer esse segmento.

    De lá para cá, as motos custom zero-quilômetro ficaram raras, os preços das novas, de maneira geral, subiram bastante e a pandemia de covid-19 atrasou as entregas das fábricas, o que gerou falta de motos nos showrooms e contribuiu para o aquecimento - e o consequente aumento nos preços - das usadas.

    Hoje, pede-se no mínimo R$ 30 mil por uma Shadow 750 2014 - um valor teoricamente fora da realidade por ser o mesmo da moto então zero, e bem próximo do pedido por modelos maiores, como algumas Harley-Davidson 1.600 apenas pouco anos mais antigas.

    Harley Davidson Street 750
    Criada para os mercados asiáticos, a Harley Davidson Street 750 cairia muito bem no Brasil
    Crédito: Divulgação

    Aquele 0,5% do mercado que curte as custom permanece à espera de novas opções. Lá fora existem modelos interessantíssimos, como a própria Shadow 750, que ainda é vendida nos Estados Unidos, as Rebel 300 e 500, também da Honda, e ainda as Yamaha V-Star 250 e Bolt 950.

    Também podem entrar na lista a Kawasaki Vulcan 900, que foi descontinuada aqui justamente em função das vendas inexpressivas (apesar de ser uma ótima moto!) e as Harley-Davidson Street 500 e 750 - que provavelmente não virão nunca, já que a marca americana resolveu ser "premium". A "escadinha" ganhou alguns degraus, mas ainda está muito curta.

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