Motos e mercado de trabalho Dá pra acreditar nessa dobradinha?

Duas rodas motivam um papo, aproximam as pessoas e revelam detalhes sobre o caráter do profissional
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Há cerca de dez anos, o headhunter e motociclista paulistano Ricardo Nogueira, RN, de 44 anos, dono da Junto Brasil, com sede na Avenida Paulista, descobriu uma pérola: as motocicletas ajudam a descobrir talentos.

Motos e profissionais. Dá pra acreditar nessa dobradinha? Por incrível que pareça, nessa reportagem, o headhunter RN provou que sim.

Segundo ele, a moto tem o poder de dar um belo empurrão em uma carreira. “É só trabalhar a coisa da maneira certa. A moto faz a diferença. E isso vale para os dois lados do jogo - tanto pra quem contrata como para quem é contratado”, afirmou.

Evidentemente, não estamos falando das populares, mas sim daquelas lindas máquinas importadas - ou clássicas.

Esperto, nosso caçador agregou a descoberta ao seu trabalho. Aos poucos, foi descobrindo que as motos motivam um papo, aproximam as pessoas e revelam detalhes sobre o caráter do profissional.

É uma inversão de valores. Com certeza, muitos cinquentões que estão em frente a essa tela recordam-se dos áureos tempos do pátio interno do Parque Ibirapuera, o sino, ponto de encontro das motos paulistanas nos finais de semana nos anos 70.

Na época, grandes importadas as Hondas CB 750 Four, CB 750 SS, Gold Wing 1000, Suzuki GT 750, GT 550, Yamaha TX 650, XT 500, Norton, Ducati, Harley-Davidson, BMW, Laverda, Moto Guzzi etc ficavam por ali, girando ante um público extasiado. Mas eram vistas apenas como uns brinquedões de playboys endinheirados. Eram.

Quarenta anos depois, não são mais. Atualmente, possuir uma grande bike significa ter nas mãos um símbolo de status. E, claro, mostrar o resultado de uma sonhada conquista.

Há outros pormenores nessa história. Atualmente, uma Harley-Davidson ou uma BMW das maiores, que valem entre R$ 40 e R$ 80 mil, também podem determinar a escolha de um executivo.

Exagero? Quem trabalha recolocando pessoas, como RN, jura que não. “Sem dúvida, muitas vezes essas máquinas ajudam a abrir as portas de grandes corporações”, afirmou ele à reportagem da AutoInforme.

O executivo e engenheiro Marco Folegatti, diretor da Metokote Brasil, tem várias motocicletas. Sua pequena coleção vai de uma bela Harley-Davidson Classic Heritage vermelha até a BMW 860GS, passando pela motocross nacional Honda CR.

Amigo de outro dono de BMW, o também engenheiro Ricardo Battaglia, diretor para a América do Sul da Tyco Electronics, Folegatti nos revelou que firmou sua posição profissional graças ao relacionamento com as motos.

Para ele, as motos são reveladoras do perfil pessoal e profissional. “Motociclistas gostam de convívio, camaradagem, aventuras, descobrir locais novos e diferentes, planejar passeios, viver aventuras e bolar como executá-las”, afirmou.

Fazendo uma auto-análise, ele disse que vê o motociclismo como uma boa oportunidade de relaxar. Não vejo uma relação direta entre a minha personalidade profissional e minhas motos. Busco melhorias e objetivos, porém valorizando o equilíbrio no processo decisório, o engajamento e o desenvolvimento de todo o meu time.

Já Battaglia, seu amigo há trinta anos - também graças às motocicletas - revelou que foi encontrado pelo headhunter RN por causa da BMW que aparece na foto.

“Marcamos um encontro lá no Rio de Janeiro, no aeroporto do Galeão. Durante o almoço, o Nogueira informou que eu havia sido aprovado para trabalhar como diretor geral de uma empresa carioca. Mas assim que o assunto caiu nas motos, quase esquecemos que o encontro era sobre emprego”, lembrou.

“Ficamos uns vinte minutos falando de motos e estradas e cinco sobre trabalho. Quando percebeu, Battaglia estava posicionado numa das principais empresas automotivas do País. Deu certo. Ele está por lá até agora”.

RN segue em frente em seu raciocínio: “se o cão é a cara do dono, com as motos se dá o mesmo. Pode reparar: a moto ou o carro tem a cara de seu dono. Ele, por exemplo, tem uma superesportiva Yamaha R1. Seu carro é um Hyundai Santa Fé. De acordo com sua cartilha, seu perfil se encaixa na mistura entre arrojo com estabilidade”.

Suas presas podem ser homens ou mulheres. Sim, mulheres! De uns anos pra cá, elas avançaram e estão apegadas às grandes motocicletas e aos altos cargos. Assim, aquela beleza que passa tocando uma grande custom é chamada por Nogueira de mulher gato.

“Essa geração de mulheres pertence à nova safra de executivas. São casadas, solteiras ou namoram profissionais de destaque. Acompanham a onda, saem nas baladas estradeiras e deixam muito marmanjo de boca aberta”, afirmou.


Boas motos, bons empregos

De cara, quem pilota uma supermoto e curte sua tocada tem a preferência desse headhunter. Quando caça, Nogueira busca indícios.

“Uma simples miniatura sobre a mesa já é um sinal revelador. Com certeza, ali está um sujeito que possui esse diferencial. Já sei como abordá-lo. Não há como errar”.

Segundo ele, para a empresa que busca o tal executivo, a moto quebra - ou acelera - algumas etapas do relacionamento. “As boas motocicletas derrubam naturalmente as paredes de algumas organizações”, argumentou.

No entanto, muita calma nessa hora: a coisa não é tão simples assim. A moto, sua marca, cilindrada ou característica não revelam necessariamente o retrato do profissional. A máquina apenas emite sinais, que devem ser interpretados.

O presidente de uma grande empresa, um dos personagens citados em destaque - pode ter uma impecável Harley-Davidson ou uma BMW 1100 GS. Mas também pode surgir de repente no meio do mato, pilotando uma trail toda enlameada ou sua motocross. Ou seja, temos aí duas situações completamente opostas.

Nesse jogo de sinais e subjetividades interpretadas, o que há de certo é que na maioria dos casos o motociclista é enturmado, participa de encontros, frequenta points diferenciados e é apegado a uma determinada marca, estilo ou tribo. Enfim, ele tem uma cara.

Algumas características podem ser tiradas a partir daí. Na maioria das vezes, o executivo-motociclista pode ser muito formal, como aquele diretor que fica enfurnado no seu escritório durante a semana, com a foto da família sobre a mesa de trabalho, manja? No destaque, um dos entrevistados afirmou que é exatamente assim.

No entanto, no primeiro sábado ensolarado esse mesmo executivo poderá ser encontrado de macacão na curva de uma rodovia. “Nesse caso, a moto é apenas o oxigênio que nosso amigo engravato respira em seu fim de semana”, notou Nogueira.

Segundo o headhunter, o fato de possuir uma moto também revela sinais de coletividade. “O executivo que tem uma máquina grande chegou ao topo e conquistou seu objeto de desejo. Assim, busca o contato de profissionais do mesmo nível”. Detalhe: raramente esse tipo de motociclista-executivo roda ou viaja sozinho.

Há mais. RN já sacou, por exemplo, que o candidato que tem moto fica mais à vontade nas entrevistas. Basta tocar no assunto duas rodas que o papo muda, revelou.

Porém, em todos os casos há exceções. Por isso, o headhunter nunca deve incluir apenas a moto como indício de perfil. “A motocicleta ajuda a definir características, mas ela não passa de uma aliada”.

Nogueira também revelou que, deixando motos, carros, jipes, barcos etc. de lado, a caça precisa se destacar em alguns aspectos fundamentais: estar atualizado, informado sobre novas tecnologias, ter vários gols conquistas registrados na carreira. E possuir carisma, autocontrole e liderança.

Duas e quatro rodas


Nesse ponto, surgiu a inevitável comparação. “Com os carros se dá o inverso. Geralmente, o dono de uma Mercedes-Benz topo de linha nem tira seu carro da garagem se estiver garoando. Seu lazer é restrito à família, amigos, clubes, algum esporte ou encontros formais e sociais”.

Já o dono de um jipão sujo ou de uma picape pode ser encontrado num parque qualquer, trajando bermudas e tomando sorvete no domingo à tarde.

“A análise inicial do profissional a partir do seu carro é menos complicada. O carro é mais fácil para delinear o retrato do dono. Só de olhar já é possível desenhar um perfil”.

Mas é lá, no mundão das motocicletas, essas meninas sensíveis, perigosas e cheias de manhas, que está o pulo do gato. Graças a sua descoberta, o headhunter já contratou muitos executivos.

“Modéstia a parte, nunca errei, disse. Os profissionais com quem trabalhei chegaram a ultrapassar minhas expectativas”!

RN agregou ao seu trabalho a dose de sensibilidade que só uma boa motocicleta pode passar. Isso foi lapidado após muitos cases, contatos, e, com certeza, quilômetros de ruas, avenidas e estradas.



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