Mas o gosto pelo asfalto não é exclusividade da nova Tiger 1200. Várias outras big trail vendidas em todo o mundo já vinham reforçando essa tendência. Até mesmo modelos que ainda mantém alguma boa vocação "off", como a nova geração da Suzuki V-Strom 1000, a Honda CRF 1100L Africa Twin, a BMW R 1250 GS e a recém-descontinuada Yamaha XT 1200 Super Ténéré, têm de fábrica características como pneus de uso misto e muita eletrônica embarcada - que, se por um lado, facilita o próprio uso no "off" com suas assistências, leva um pouco à perda da essência de depender fundamentalmente do talento do piloto.
E quando pensamos em modelos como a mais recente geração da Kawasaki Versys 1000, que tem até suspensões adaptativas eletrônicas herdadas da Ninja 1000 e é quase uma sport-touring, e da Ducati Multistrada, com seus modos de pilotagem, aí vemos com ainda mais força essa preferência pelo asfalto. Ainda que ambas tenham versões mais e menos "off", é fato que também não são big trails na mais pura acepção da palavra.
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Há vários motivos para tudo isso. O primeiro foi o "crescimento" exacerbado das motos trail. Lá pelos anos 80 essas motos tinham na faixa dos 350 cm³ aos 600 cm³. Aí vieram modelos como a Yamaha XTZ Super Ténéré 750 e a Cagiva Elefant 900, entre outros, e, a partir de então, tudo fica cada vez maior. Mas eram motos que impressionavam tanto pelo tamanho quanto pela performance, e fizeram sucesso.
Nas décadas seguintes, as grandes continuaram a existir, mas as principais fabricantes perceberam que era preciso ter motos com a mesma vocação "mista", porém com tamanhos diferentes. O resultado foram linhas como as Suzuki V-Strom 650 e 1000, as Versys 650 e 1000, e as Ducati Multistrada 950 e 1260. A própria BMW também fez as trail médias F 700 GS, F 750 GS e F 800 GS conviverem com a grande R 1250 GS. O motivo: quem gosta mesmo de pegar estrada de terra e até fazer trilhas leves prefere motos mais leves e ágeis, ainda que um pouco menos potentes.
Enquanto ficou a cargo dessas motos médias a tarefa de manter a tradição do uso misto, mas com forte aptidão ao "off", coube às grandes passar a maior parte do tempo no asfalto, onde, no fim das contas, também tomaram o lugar de muitos modelos originalmente criadas exatamente para isso.
Resultado: muita gente trocou suas custom e sport-touring pelas big trail. Afinal, elas exibem performance tão boa quanto ou até melhor, e com algumas vantagens: equipadas com suspensões mais altas e um pouco mais macias, proporcionam rodagem confortável nas estadas boas, absorvem melhor os impactos naquelas nem tanto e ainda oferecem ótima posição de condução para os pilotos e bons assentos para as garupas - que, na ausência do sissy-bar típico das custom, se encostam no baú traseiro quase sempre presente nessas motos.
Por falar em baús, essas motos também costumam ser equipadas com largos baús laterais, o que facilita ainda mais o transporte de bagagens nas viagens. Isso, além de bons para-brisas, faróis auxiliares e outros recursos, que também otimizam seu uso.
Em resumo, as big trails se tornaram uma opção relevante para quem usa a moto para viagens, mesmo que seja só no asfalto - e não é tão conservador no aspecto estético como muitos usuários das custom, nem faz questão de um desempenho cheio de adrenalina como as sport-touring são capazes de oferecer.
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