No Sudeste, vale pagar a mais pela Honda CG 150 Titan Mix

Primeira moto flex do mundo custa em média R$ 300 a mais que versão a gasolina, mas medições mostram que se pode economizar até 37% com álcool
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Agência Infomoto
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- O frentista do posto me olhou estranhamente ao ouvir o pedido: “Por favor, completa com álcool”. Tudo bem, ele ainda não conhecia a Honda CG 150 Titan Mix, a primeira motocicleta flexível em combustível do planeta, que roda com álcool, gasolina ou a mistura de ambos os combustíveis.

Apesar de saber da novidade, também desconhecia como seria o comportamento da Mix com o tanque cheio de álcool e o frio intenso que fazia em uma véspera de feriado de Corpus Christi.

As condições não eram as melhores para iniciar um teste, mas, como diz o ditado popular, “quem está na chuva é para se molhar”. Debaixo de muita água, a Mix foi serpenteando no caótico trânsito paulistano em horário de pico.

Nem tão melhor assim

Algumas dúvidas pairavam sobre a CG Mix totalmente abastecida com álcool. O desempenho seria melhor que o da versão com gasolina, como dava a entender a ficha técnica? Haveria problemas para o motor funcionar e andar os primeiros quilômetros em baixa temperatura?

A partida elétrica presente na versão ESD testada fez com que a motocicleta pegasse “de primeira”. Ao sair com a Titan Mix, a luz “ALC” acendeu no painel e a atenção foi redobrada.

A CG Mix demonstrava o típico comportamento de veículos a álcool nos primeiros quilômetros: “buracos” nas acelerações e a marcha lenta inconstante, sendo necessária a aceleração para a moto não morrer. Depois de alguns quilômetros a marcha lenta se estabilizou e a novidade da Honda seguiu rumo ao interior paulista pela rodovia dos Bandeirantes com muita chuva, frio e vento contra.

O desempenho superior oferecido quando abastecida com álcool é imperceptível, mesmo com a ficha técnica apresentando um aumento considerável no torque: 1,45 kgm a 6.500 rpm com combustível vegetal e 1,32 kgm no mesmo regime de giros quando abastecida com gasolina. O aumento de potência é insignificante, 0,1 cv: 14,3 cv somente com álcool no tanque contra 14,2 cv aos mesmos 8.500 rpm abastecida com combustível fóssil.

A CG que tem sede

Abastecida com álcool, tempo frio e sofrendo com o forte vento contrário na estrada, era de se imaginar uma sede insaciável da pequena Honda pelo combustível vegetal. Resumindo: a CG 150 Titan Mix não teve “vida fácil” durante o teste. Ao calcularmos a média, um resultado bastante positivo para as condições: 29,2 km/l de álcool.

Com essa média de consumo, o tanque de 16,1 litros projeta uma autonomia de 465 km, respeitando uma margem de 4 km para não ocorrer pane seca, já que a novidade não tem torneirinha de combustível nem indicador de reserva. É bom lembrar que essa média pode melhorar bastante sem os fatores climáticos que acompanharam a primeira fase do teste da CG Mix.

No segundo abastecimento, a Mix recebeu três litros de gasolina e o restante do tanque foi completado com álcool. Era de se esperar que nenhuma luz acendesse no painel. Mas, ao dar a partida – pegou na primeira tentativa mesmo com baixa temperatura – e sair com a motocicleta, a luz “MIX” acendeu e permaneceu assim até o próximo abastecimento.

Depois de rodar pelas estradas paulistas sem dó do acelerador, era hora de ir ao posto encher o tanque novamente – dessa vez com a quantia mínima de gasolina no tanque para partidas no frio – uma média um pouco mais baixa: 27,55 km/l.

As luzes que confundem o usuário

O sistema da Honda CG 150 Titan Mix não é idêntico ao dos carros flex por exigir um mínimo de 20% de gasolina no tanque para garantir partidas a frio. A Mix tem duas luzes no painel: “MIX” e “ALC”. Segundo o fabricante, quando a luz “MIX” acender é necessário colocar ao menos dois litros de gasolina. Se as duas luzes acenderem, será necessário adicionar no mínimo três litros de gasolina no tanque para garantir a partida a frio. Se ao virar a chave de ignição somente a luz “ALC” piscar, atenção: o teor de álcool no tanque é alto e a temperatura ambiente é baixa, o que significa dificuldades para dar a partida.

Aos mais desatentos há um adesivo no tanque explicando o que se deve fazer quando alguma das luzes acender. Na teoria é o que o parágrafo explicou, mas, na prática, a realidade é diferente. Mesmo seguindo as orientações, a luz “MIX” permaneceu acesa.

Ao questionar a engenharia da Honda sobre as luzes “MIX” e “ALC”, chegamos às conclusões. A luz “ALC” acende quando há mais de 85% de álcool no tanque e a luz “MIX” acende para avisar que tem os dois combustíveis no tanque. Em poucas palavras, quem utilizar álcool para abastecer a CG Mix, vai conviver com uma das luzes sempre acesa no painel.

Durante o teste, a temperatura ambiente era muito baixa e, mesmo assim, a CG Mix pegou na primeira tentativa todas as vezes pela manhã alguns dias a moto passou a noite propositalmente no sereno e a luz “ALC” não piscou nenhuma vez ao ligar a ignição.

Uma situação que o proprietário da CG Mix está sujeito é: ele pode completar o tanque com 100% de álcool e estacionar a moto à noite. Vamos supor que, ao anoitecer, a temperatura caia bruscamente. Será bem difícil dar a partida na moto pela manhã como também não pode pegar, devido à ausência do tanque auxiliar de partida a frio. E ao pegar, terá o funcionamento irregular típico dos carros a álcool de antigamente nos primeiros metros.

Uma dica para não vivenciar essa situação a bordo de uma CG Mix é abastecer a moto com no mínimo três litros de gasolina de boa qualidade e se habituar à luz “MIX” acesa no painel.

Na ponta do lápis

Por falar em abastecimento, é bom ficar atento com os preços dos combustíveis. Analisando os preços fornecidos pela ANP Agência Nacional do Petróleo, há regiões onde os valores cobrados pela gasolina chegam a 100% de diferença em relação aos cobrados pelo álcool, caso da região Sudeste. No Sul a variação de preço é de 74,31%, seguido pelas regiões Centro Oeste 67,52%, Nordeste 52,63% e Norte 44,74%. Colocar na ponta do lápis o consumo da motocicleta em todas as condições, o quanto roda por mês e o preço dos combustíveis em sua região são atitudes sensatas a se fazer, para economizar combustível e dinheiro.

Além da diferença de preço entre gasolina e álcool, outro fator importante é o consumo da CG 150 quando roda com diferentes combustíveis. No teste anterior, com a CG 150 2009, rodamos 41,2 km com um litro de gasolina. É preciso fazer algumas contas para saber se vale a pena pagar a diferença de cerca de R$ 300 entre o modelo Mix e o tradicional, a gasolina.

Vamos supor que um motociclista paulistano rode 3.000 km por mês com sua Titan a gasolina e pague R$ 2,39 o litro do combustível fóssil. Com o consumo de 41,2 km/ litro ele gastaria R$ 174,03 no final do mês.

Já no caso da CG Mix, considerando-se que rode a mesma distância e pague R$ 1,09 no litro do álcool, o motociclista faria uma boa economia no final do mês. Com uma média de consumo de 29,2 km/ litro, ele gastaria mais de 102 litros de álcool, porém pagaria R$ 111,98. Lembrando que esses valores são praticados em postos da capital paulista.

São mais de R$ 60,00 por mês de economia. O que significa que em cinco meses, o motociclista paga a diferença de preço de R$ 300 entre os dois modelos – a gasolina e Mix. Portanto, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste vale a pena optar pela CG 150 Titan Mix.

A flex da Honda está disponível nas cores prata metálico, azul metálico, vermelha e preta. As versões oferecidas são três: KS freios a tambor e partida a pedal, ES freios a tambor e partida elétrica e a topo de linha ESD freio dianteiro a disco e partida elétrica. Os preços sugeridos são R$ 6.151 versão KS, R$ 6.683 versão ES e R$ 7.071 versão ESD.

FICHA TÉCNICA – Honda CG 150 Titan Mix ESD

MOTOR Quatro tempos, um cilindro, 2 válvulas, comando simples no cabeçote SOHC e refrigeração a ar, 149,2 cm³
POTÊNCIA14,2 cv a 8.500 rpm gasolina e 14,3 cv a 8.500 rpm álcool
TORQUE1,32 kgm a 6.500 rpm gasolina e 1,45 kgm a 6.500 rpm álcool
ALIMENTAÇÃOInjeção eletrônica PGM-FI
CÂMBIO Cinco velocidades
TRANSMISSÃO FINAL Corrente
PARTIDA Elétrica
RODAS Dianteira e traseira em aro 18”
PNEUS Dianteiro 80/100-18 - Pirelli City Demon; traseiro 90/90-18 - Pirelli City Demon
CHASSI Quadro tipo diamante em aço estampado, com comprimento de 1.988 mm, largura de 730 mm, altura de 1.098 mm, altura do assento de 792 mm, entreeixos de 1.315 mm, altura mínima do solo de 203 mm e peso a seco de 120 kg versão ESD
TANQUE16,1 l
SUSPENSÃO Dianteira com garfo telescópico; traseira com duplo amortecimento
FREIOSDianteiro com disco simples de 240 mm de diâmetro com cáliper de dois pistões; traseiro com tambor de 130 mm diâmetro
CORES Azul metálica, prata metálica, vermelha e preta
PREÇOR$ 7.071 versão ESD
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