Nova Honda CB Twister: do passado, só o nome

Novidade de 250 cc que aposenta CB 300R é street evoluída; parte de R$ 13.050
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Karina Simões
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Quem se lembra da CBX 250 Twister? O modelo - fabricado de 2001 a 2008 e equipado com o mesmo monocilíndrico de 250 cc da Tornado - fez muito sucesso no País. Após sete anos de vida, a Twister saiu de cena para dar lugar a CB 300R, mais moderna e potente na época.

Passado alguns anos, o movimento foi contrário. A Honda resgata o nome Twister e lança no Brasil um modelo inédito para substituir a CB 300R, que sai de linha até o final deste ano. Com vocês: CB Twister, um dos principais destaques do Salão Duas Rodas 2015.

Para começar, saiba que trata-se de um modelo de 250 cc, mas o motor é totalmente novo. Produzida em Manaus (AM), ela chega nas versões Standard e ABS por R$ 13.050 e R$ 14.550, respectivamente. O valor está exatos R$ 675 e R$ 22 acima do valor de tabela da CB 300R (R$12.375 e R$14.528 ABS).

Específica para o mercado brasileiro, a CB Twister é fruto de muita pesquisa e desenvolvimento. A promessa da Honda é que ela não deixe a desejar em desempenho para a CB 300R, ofereça robustez e economia de combustível em um produto com tecnologias bem mais avançadas. Para comprovar, fomos até a fábrica da Honda em Manaus (AM) para conhecer de perto (e acelerar!) a novidade.

A começar pelo coração: o motor é inédito. Com capacidade cúbica de 249,5 cm³, trata-se de um monocilíndrico SOHC 4 tempos, com arrefecimento a ar, injeção de combustível e tecnologia bicombustível. A potência é de 22,4 cv a 7500 rpm quando o modelo é abastecido com gasolina e 22,6 cv a 7.000 rpm com etanol. O torque é de 2,24 kgf.m a 6.000 rpm.

Um motor monocomando prioriza o torque em baixa, o que faz com que ela atenda muito bem à proposta urbana. Todavia, a Honda alongou a relação adicionando uma sexta marcha, que caiu muito bem ao conjunto. Isso, aliás, é uma melhoria com relação à CB 300, cuja transmissão é de cinco marchas e em velocidades mais altas o motor parece trabalhar com uma rotação muito alta, pedindo um alívio, sem contar a vibração que é transmitida para o piloto. Para a CB Twister, isso foi melhorado.

Há radiador de óleo na parte frontal, os balancins são roletados (para exigir menos energia do conjunto) e o motor está de acordo com a segunda fase do Promot 4 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares), que entra em vigor em janeiro de 2016. Este também é um dos motivos pelo qual a Honda está atualizando seus produtos.

O comportamento linear e progressivo do motor agradou. A montadora não divulga números de desempenho, mas de acordo com nossas medições, na reta, a velocidade máxima da CB Twister sem ABS foi de 146 km/h (no velocímetro).

Embora este propulsor seja mais eficiente, o de 300 cc ainda não sai de linha. Segundo a Honda, há planos de modelos on/off-road partindo da XRE 300 saiondo do forno.

Vale a troca

Destacamos alguns pontos que pode fazer você querer dar um upgrade na sua CG, ou trocar aquela sua CB 300R que está na garagem.

A nova CB Twister conta com um painel novinho em folha com a tecnologia Blackout. Ele é todo preto, parece a tela de seu smartphone e, o melhor, é extremamente eficiente, tanto na sombra quanto no sol escaldante do estado do Amazonas. Totalmente digital, conta com indicadores como tacômetro, velocímetro, hodômetro total e parcial, relógio marcador de nível de combustível, além de luzes de injeção eletrônica, neutro, farol alto e sinalizadores.

O chassi é novo e do tipo Diamond (que usa o bloco do motor como parte estrutural). A dupla trave forma um perímetro e oferece muita rigidez a um peso reduzido – são 10 kg a menos que a CB 300R.  Falando nisso, o peso total de 137 kg na versão standard (139 kg na ABS), o modelo apresenta boa relação peso x potência (6,1).

Merece elogios o pneu escolhido pela Honda para equipar o lançamento. As rodas de liga-leve são calçadas com pneus radiais sem câmara Pirelli Diablo Rosso, que grudam no asfalto e aumentam muito a sensação de segurança do pilotio. Suas medidas são 110/70R-17 na dianteira e 140/70R-17 na traseira.

Outro ponto a ser mencionado é o acerto da suspensão, calibrada para uso urbano. A dianteira possui garfo telescópico, com curso de 130 mm, e a traseira do tipo mono-amortecida traz um inédito amortecedor com mola dupla de 108 mm de curso. Resumindo, o comportamento da suspensão passa a ser mais progressivo porque há duas molas de materias diferentes atuando ao mesmo tempo.

Os freios são a disco de 276 mm na dianteira e 220 mm na traseira, com versão disponível com sistema ABS (antitravamento).

Ao olhar o logo estampado no tanque, recebemos instantaneamente a mensagem subliminar “fácil de ser pilotada”. Sim, a CB Twister é uma Honda e não poderia ser diferente. Para contribuir com o piloto, o guidão possui posicionamento mais elevado e o assento está a 784mm de altura do solo. Ele é confortável, mas confesso que ele poderia ter um pouquinho mais de espuma.

Faltou sal

É evidente que a CB Twister recebeu forte inspiração de modelos de maior cilindrada. Colocamos a novidade ao lado da CB 500F e encontramos muitas semelhanças. As aletas laterais dão certa imponencia à moto, as semi-carenagens laterais contam com acabamento diferenciado, que imita fibra de carbono. Desta vez, os faróis e lanternas são em LED sim! Estão bonitos, mais eficientes e duram mais.

Com capacidade para 16,5 litros, o tanque de combustível ganhou o bocal de padrão esportivo e abastecimento rápido, igual ao da nova CG 150 Titan

O visual está atraente, mas faltou alguma coisa. E não estou falando da indicação da motorização (nenhum adesivo comunica que o modelo é 250 cc). Certamente a opção por não escrever 250 na moto é estratégica da Honda, todavia, falta um chamariz, alguns grafismos, adesivos mais radicais, enfim, um tempero no modelo. As cores são sóbrias também: preto, vermelho e branco.

Um exemplo de que o consumidor busca um produto mais bonito, que transmita mais emoção no visual foi a edição especial CB 300 Repsol (com grafismos inspirados na RCV de Marc Marquez, do MotoGP), um sucesso em vendas. O engenheiro Alfredo Guedes, supervisor de relações institucionais da marca, disse que o caminho é longo e eles tem muitas fichas para gastar com o modelo. “Teremos outras versões no futuro”, conclui.

Vai ser sucesso de qualquer jeito...

Modelos de 250 cc a 500 cc representam 10% do mercado e, dentro disso, a categoria street representa 45%. Com a enorme rede de concessionárias que a Honda possui no vasto território nacional, não será difícil chegar às 40 mil unidades anuais que a marca espera vender.

A Honda foi bem arrojada em apostar nesta espécie de “downsizing” no mundo de duas rodas, onde a cilindrada sempre fala mais alto na decisão de compra. Nós sabemos da evolução que este modelo representa sobre a CB 300R, mas e o público? “Olha, isso cabe a vocês da imprensa explicar”, disse Alfredo.

Indiscutivelmente, a Honda fez uma motinho muito evoluída que travará uma briga boa com a Fazer 250 da Yamaha, cujo conjunto mecânico e ciclistico muito me agradam também.

Com todos os seus atributos e o sobrenome do Sr. Honda, a CB Twister vai ser um sucesso de qualquer jeito, mas seria bom a marca adicionar um tempero. A street chega às lojas a partir desta terça-feira (06) com garantia é de três anos, sem limite de quilometragem.  

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