O maior comparativo de motos do mundo

A Webmotors foi convidada a ser jurada do prêmio Moto do Ano, da revista Duas Rodas
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Karina Simões
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Nunca tirei e coloquei o capacete tantas vezes seguidas como nos últimos dois dias. Senti muito calor, mas também senti o vento na “cara” na mesma proporção. Tive uma pista e 45 motos à disposição para avaliar em retas, curvas, subidas e descidas, munida de tempo, equipamentos, infra-estrutura e gasolina. Pude me servir de aceleradas vigorosas, freadas bruscas e arrancadas divertidíssimas, à vontade. Ser jurado do Moto do Ano, maior comparativo de motos do mundo segundo a Revista Duas Rodas, tem dessas coisas.

 

O prêmio é realizado desde 1998 pela publicação, que é a mais antiga do setor no Brasil. São reunidas em circuito fechado todas as motos lançadas em solo nacional nos últimos 12 meses e jornalistas especializados são convidados a testá-las. Para que haja uma avaliação mais coerente, as motos são divididas em 12 categorias: Scooter, Street, Trail, Street até 400cc, Custom, Big Custom, Big Trail, Adventure, Naked, Streetfighter, Sport-touring e Sport. Ou seja, é a oportunidade de comparar modelos concorrentes sob uma mesma condição de piso, traçado e temperatura.

Nos dois dias de evento, os jurados andam em todas as motos. Avaliam motor, freios, suspensões, conforto, design, agilidade e custo-benefício, depois dão notas de 5 a 10, escritas em cédulas impressas. A melhor média final nos sete quesitos elege a Moto do Ano em cada categoria e a maior nota entre todas as motos concorrentes determina a vencedora geral. Para esta edição foram sete jurados, todos jornalistas especializados reconhecidos, com biotipos e níveis de pilotagem diferentes, visando um resultado mais democrático. Falando nisso, entre tantos "feras", estava eu representando a WebMotors e também o público feminino, como única mulher convidada pelos meninos a “descer pro play”. Que honra.

Então você, que é louco(a) por motos, imagine esta sequência: acordar cedinho, olhar para a janela, ver que não há uma nuvem no céu e ter muitas motocicletas legais para pilotar até o sol se pôr. No outro dia, repetir a dose. Duas constatações: a tarefa requer preparo físico, mas também proporciona altos índices de diversão.

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Me belisca?

Chego no Campo de Provas da Pirelli, em Sumaré, interior de São Paulo, antes das 8h. Lá, as motocicletas aguardavam enfileiradas, limpas, abastecidas e organizadas por categoria. Como estreante, antes do briefing fiz um breve reconhecimento da pista e recebi do piloto Leandro Mello dicas de locais indicados para avaliar cada aspecto das motos.

Hora de se aprontar. Jaquetas, calças, luvas, protetores de coluna e macacões de uma renomada marca de equipamentos estavam à disposição, em tamanhos diversos com os nomes dos jurados nas etiquetas. Capacete de qualidade e segunda pele (aquela peça de roupa fininha que fica entre o nosso corpo e o macacão absorvendo o suor) também faziam parte do pacote.

Ao lado das motos, representantes de todas as fabricantes para sanar qualquer dúvida. Comecei com a categoria Street, na qual pilotei a Yamaha Fazer 150 e as recém-chegadas CG 160 e Pop 110i, da Honda. Depois passei para os scooters, com representantes de 150cc até 530cc e na sequência avaliei modelos trail de baixa cilindrada. Para esta categoria utilizei também a pista off-road, onde levei um susto na companhia de uma Honda Bros 160. Era a quinta vez que eu passava pelo mesmo trecho, e naquela vez, perdi a dianteira da trail em uma aterrissagem desastrosa em um dos saltos da pista. Pela minha leitura, o pneu dianteiro encontrou o chão (ou melhor, a grama que cobria a pista e que fazia a moto deslizar mesmo no plano) já um pouco inclinado e o resultado foi um tombasso daqueles. Era difícil identificar o que era Karina, moto ou grama. Senti a pancada na perna esquerda e um estalo no polegar direito. Quem anda na terra sabe que tombos são recorrentes, ainda mais quando as condições no terreno não são das mais favoráveis. Todavia, ganhar uma lesão com outras 34 motos para pilotar pela frente (uma delas sendo a exclusiva e turbinada Kawasaki Ninja H2) não estava nos planos. Definitivamente.

Levantei a moto, dei partida e voltei à pista de asfalto, onde fui prontamente atendida pela equipe da ambulância. Como estava bem equipada, os estragos (em mim) pareciam pequenos. A moto também aguentou a pancada. Mal sabia que depois disso, a pista seria traiçoeira com mais quatro jurados. Felizmente, ninguém se machucou.

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Uma hora de descanso, spray para pancadas, uma faixa para imobilizar a mão e um anti-inflamatório me colocariam em pé para que eu pudesse retomar os testes. A parte boa é que a categoria seguinte muito me agradava, com modelos Street de até 400cc. Escolhi a Yamaha R3 para começar, por conta da nossa recente intimidade, e meu corpo reclamou só até a primeira curva. A levíssima e impetuosa KTM Duke 390 serviu de analgésico com seu monocilíndrico de 44 cv e as arrancadas nas retas com a invocada Kawasaki Z300 aqueceram o corpo de uma vez por todas. Bom mesmo, porque depois disso, motos de grande porte dominaram a lista. Entendi porque o piloto precisa encaixar no cockpit da insana Ducati Diavel (caso contrário a moto vai e ele fica, tamanha patada que é o torque de 13,3 kgf.m desta diaba). Aprovei o custo-benefício que a Vulcan S oferece com um honesto motor de 649cc e até curti um som na Harley-Davidson CVO Street Glide de R$ 111 mil.

Percebi que, a cada teste ia apurando o tato e refinando a sensibilidade para a atuação dos freios, suspensões, enfim, para o comportamento da moto de modo geral. Como um refresco, no fim do dia veio o pôr-do-sol e a última categoria, Big Trail. Versáteis, potentes e valentes, essas motos me conquistam também pela confortável posição de pilotagem. Estão entre minhas prediletas, confesso. A representante da Honda foi a NC 750X, a japonesa Kawasaki levou a Versys nas versões 6501000, esta última equipada com um quatro cilindros de 120 cv com desempenho invejável. A inglesa Triumph foi maioria com um trio de tigresas: Tiger 800 XCX, Tiger 800 XRX e Tiger Sport 1050. Avaliar tantos modelos concorrentes nas mesmas condições foi inédito e um tanto esclarecedor para mim, que pude identificar no detalhe, onde uma pode ser melhor que a outra. Fechei os trabalhos com 29 motos pilotadas no mesmo dia, com motores de 150cc até 1.800cc. Uau!

Força, garota!

Para o segundo dia, um enorme hematoma na perna, joelho inchado e polegar preto. Nenhuma dessas características, ou mesmo todas juntas, seriam suficientes para me tirar daquele desejado parque de diversões, ainda mais no dia em que pilotaria as motos mais rápidas. Para a ocasião, o traje de gala foi um macacão que parecia ter sido moldado para o meu corpo. Fui direto para a categoria Naked e, para aquecer, escolhi as Yamahas MT-09 e MT- 07. Elas garantiriam para este início de dia a leveza, facilidade de pilotagem e, lógico, aquele sorriso debaixo do capacete sempre que a roda dianteira levantava do chão. Culpa do acerto dos motores de três e dois cilindros, com 849cc e 689cc, respectivamente, que priorizam o torque. Acredito que esta tenha sido a categoria mais acirrada com modelos que demonstram qualidades bem condizentes com cada proposta. Além das japonesas da marca dos diapasões, estavam no páreo a alemã urbana BMW F 800R, as italianas impulsivas MV Agusta Rivale e Ducati Monster 821, além da Honda CB 650F, com seu quatro cilindros liso que "flutuava" na pista, inspirando muita confiança. Finalizei a categoria sabendo que o dia seria muito divertido. A rapidez das motos era evidente, especialmente ao notar o cone azul (que demarcava uma área segura para frenagem) chegando cada vez mais depressa.

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Na categoria Streetfighter, desci da KTM 1290 Super Duke R eletrizada e embasbacada com o nível que chegaram as motocicletas. Lembro de me questionar: O que é isso? Um motor de dois cilindros, 1.300 cm³, 180 cv, chassi leve, escape Akrapovic, suspensões WP, cores berrantes e design de outro planeta, definem bem. Para baixar a adrenalina, aventureiras repletas de eletrônica e modelos sport-touring.

Finalmente, chegou a vez das esportivas. O posicionamento racing demais pode ser incômodo a longo prazo, mas desconheço motociclista que não tenha se empolgado com uma superesportiva na vida. Curti contornar curvas com a Daytona 675, matei as saudades do quick-shifter esperto da BMW S 1000RR, mas deixei a cereja do bolo para o final, lógico.

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Os pilotos mais velozes desciam da Kawasaki Ninja H2 com cara de criança que acabou de ganhar o presente de natal desejado. Já os mais comedidos me alertavam, “cuidado com a manopla da direita, Karina!”. Aquilo gerava um misto de tensão e empolgação dentro de mim. Mais de tensão, na verdade, por conta dos seguintes detalhes: a Kawasaki trouxe para o Brasil apenas 28 exemplares (desses, só restam 4) e a divisão brasileira da marca não possui uma moto dessas na frota para emprestar aos jornalistas. Por isso, o exemplar que estavamos experimentando era emprestado de um piloto brasileiro patrocinado pela empresa nipônica. No mais, a moto custa a "paulada" de R$ 120 mil e é equipada com um turbocompressor. Apenas, tenso.

Mapeamento do motor ajustado para total entrega de potência, além de ABS e controle de tração menos atuantes. Lembra do tal cone azul da reta? Então, na primeira esticada com a H2 eu praticamente nem o vi, nas subseqüentes, com a moto mais na mão, vi menos ainda! Ela é muito rápida. O design agressivo e aerodinâmico fura o ar como uma bala e o motor empurra muito forte. Nos demos muito bem e a H2 me ensinou que basta dosar a mão no acelerador que ela te obedece.

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Nestes dois dias percebi que meu limiar de dor é bem maior do que eu imaginava e que me sobra disposição, ainda mais quando o assunto é moto. Identifiquei muita parceria entre diferentes veículos de comunicação e, acima disso, vi muita gente empenhada em manter firme o setor de Duas Rodas no País - seja como jurado, executivo ou engenheiro de montadora, assessor de imprensa ou funcionário da organização -, mesmo em tempos de economia difícil e do jornalismo em constante transformação. Cheguei lá com um pouco de frio na barriga e muita vontade. Saí com alguns hematomas, mas sobretudo, com mais experiência e a certeza de ter escolhido a profissão certa.

Os vencedores deste mega comparativo serão divulgados em 7 de outubro, primeiro dia do Salão Duas Rodas, maior evento de motos da América Latina. Fiquem ligados!

 

 

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