Ousada, MT-09 é aposta da Yamaha no segmento naked

Rodamos, em Portugal, com a inédita tricilíndrica japonesa, que deve chegar ao Brasil ainda este ano
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A Yamaha apostou em um novo motor de três cilindros para dar vida à inédita MT-09. Com exatos 847 cm3, o modelo tricilíndrico, lançado no primeiro semestre de 2013, já está à venda na Europa e Estados Unidos, e fez uma aparição surpresa no estande da marca no Salão Duas Rodas 2013. Com um design e uma proposta nada convencionais, a MT-09 pode ser considerada uma das novidades mais ousadas da fábrica japonesa nos últimos anos.

 

Com a MT-09 a marca dos três diapasões arrisca com uma moto que mescla características de naked e de supermotard. Confesso que estava ansioso antes de retirar a nova tricilíndrica japonesa na Yamaha Portugal. Nada melhor que uma moto inédita para explorar as belas estradas portuguesas com bom “alcatrão”, como eles chamam o asfalto na “terrinha”.

 

Mescla de estilos

Vista de perto, a MT-09 é surpreendente. Seu desenho foi inspirado nas corridas de drift, nas gangues tatuadas, nas motos customizadas de Tóquio, que a marca chama de “o lado negro do Japão”.

 

A parte dianteira chama atenção. O tanque com linhas angulosas, as duas entradas de ar laterais e o quadro do tipo diamante abraçando o motor de três cilindros levemente inclinado à frente confere um ar musculoso ao modelo. Ao mesmo tempo, a ausência total de carenagens garante um visual leve, bem limpo. Além do design, o alumínio do quadro e rodas ajuda a fazer da MT-09 uma moto bastante leve: 188 kg em ordem de marcha, 1 kg a menos que a esportiva da marca, YZF-R6.

 

O farol e a lanterna seguem a mesma filosofia “clean”. Até exageram. Parecem ter sido adaptados ao modelo. O resultado ficou controverso: há quem elogie; enquanto outros, como um oficial da Polícia Municipal de Lisboa que me parou para conferir os documentos, perguntam se falta uma carenagem acima do farol poligonal. Há, mas como acessório.

 

Originalmente, a MT-09 é assim crua, despida como uma naked. Entretanto, nota-se a mescla de estilos. As rodas de liga leve são de 17 polegadas e calçadas com pneus de perfil esportivo sem câmara (120/70 na dianteira e 180/55 na traseira). Já o garfo telescópico invertido tem longo curso (137 mm) e o guidão é largo como em uma supermotard. Assim como o banco estreito na frente e as pedaleiras baixas.

 

Ao montar na moto, o assento a 81,5 cm do solo não é dos mais baixos. Porém, a junção entre o tanque o banco é estreita, que até mesmo os de estatura média conseguem colocar os pés no chão. Os braços ficam abertos e os joelhos, pouco flexionados resultando em uma posição de pilotagem mais ereta do que nas motos naked.

 

Muito torque

Ao despertar o motor, percebe-se um som mais grave do que outros tricilíndricos, como os da inglesa Triumph. Em parte por causa do ressonador instalado na caixa de ar, mas também por causa do seu virabrequim “crossplane”, com cada um dos três cilindros detonando individualmente em intervalos de 240 graus. Arquitetura já utilizada na superesportiva YZF-R1.

 

O principal objetivo do desenho crossplane não é somente um som diferenciado, mas também proporcionar um controle mais preciso do torque nas mãos do piloto. Ajuda nessa tarefa o acelerador eletrônico da Yamaha (ride-by-wire), que possibilitou a instalação de três mapas de gerenciamento do motor: standard, com um modo mais agressivo “A” e outro mais suave,”B“.

 

Os três cilindros trazem duplo comando para as 12 válvulas no cabeçote e refrigeração líquida. São capazes de produzir bons 115 cv a 10.000 rpm e 8,9 kgfm de torque máximo alcançados a 8.500 giros, mas muito bem distribuídos por uma ampla faixa de giros. Desde os 4.000 até 11.500 rpm, a faixa vermelha, há força suficiente para “esticadas” divertidas, e reduções no câmbio de seis marchas são, na maioria das vezes, desnecessárias.

 

O propulsor mostrou-se bastante espirituoso. Mesmo no modo standard, automaticamente escolhido quando se dá partida, as respostas ao acelerador são bruscas. O que por um lado incomoda se o objetivo for rodar tranquilamente, mas se torna divertido para pilotar trocando as marchas com os giros lá em cima.

 

Guerreira urbana

Aclamada pela Yamaha como uma nova geração de moto esportiva, a MT-09 pretende ser leve, potente e com bom desempenho para o uso diário. Dentro dessa proposta ela se sai muito bem. Afinal, com apenas 188 kg, 115 cv (mais que a Kawasaki Z 800, por exemplo) e torque à vontade para levantar a roda dianteira até mesmo em segunda marcha sem usar a embreagem, a MT-09 é o tipo de moto que instiga a acelerar.

 

A posição de pilotagem “peito aberto” aumenta ainda mais a sensação de velocidade e, por diversas vezes, me vi pilotando 20 km/h, 30 km/h acima do permitido. Ainda bem que as ruas lisboetas não são cheias de radares...

 

O guidão largo facilita a mudança brusca de direção, mas não atrapalha circular entre os carros. Compensa o reduzido raio de giro, um problema comum em nakeds mais esportivas. O baixo peso também faz da MT-09 uma moto ágil e precisa, gostosa de pilotar. 

 

Mas a resposta brusca do acelerador no modo standard fica ainda mais estúpida no modo “A”: qualquer ação no punho direito resulta em um tranco no piloto. Por isso, depois de algum tempo, percebi que o modo “B”, que não limita a potência final, mas apenas acalma a ação do acelerador eletrônico era o ideal para pilotar na cidade com mais conforto.

 

A troca de um modo para o outro, realizada por meio de um botão no punho direito, pode ser feita em movimento, desde que se feche o acelerador. O processo é um pouco desajeitado, afinal com a mesma mão você precisa parar de acelerar e ainda apertar o botão.

 

Os freios, com 298 mm de diâmetro na roda dianteira, contam com pinças de fixação radial. O conjunto garante uma mordida arisca e instantânea. Ainda sem uma versão com freios ABS, que deve ser lançada no final deste ano na Europa, a MT-09 tem a tendência em arrastar a roda traseira até mesmo em frenagens normais.

 

Em parte, a culpa é do design com o peso concentrado mais na dianteira. Mas o garfo telescópico invertido com curso de 137 mm na frente e ajustado para oferecer mais conforto afunda bastante nas frenagens, deixando a traseira mais leve. Para quem conhece Lisboa e suas estreitas ruas com calçamento de pedra sabe que isso exige certa atenção do piloto. 

 

O conjunto de suspensões, aliás, segue claramente a proposta urbana da MT-09. Tem curso maior que nas nakeds e absorve bem as imperfeições do piso e as emendas na Ponte 25 de Abril, que liga a capital portuguesa à região ao Sul do Rio Tejo. Na cidade, garante conforto e isola o motociclista dos obstáculos.

 

Apesar do comportamento esportivo e do meu ímpeto ao acelerador, o consumo não foi dos piores: 17,8 km/l no uso urbano. Com a capacidade de 14 litros do tanque, isso significa uma autonomia de cerca de 250 km.

 

Escapada rápida

Não via a hora de experimentar a Yamaha MT-09 em estradas. Para isso, escolhi um destino comum dos motociclistas de Lisboa e região: o Cabo da Roca, ponto mais ocidental do continente europeu, e como diz Camões, “onde a terra se acaba e o mar começa”. Partindo da cidade de Almada, ao sul do Tejo, escolhi uma rota margeando o litoral, passando pelas belas praias de Cascais e Estoril.

 

O torque da MT-09 é bem distribuído por todas as faixas de rotação. Na estrada de mão dupla, que margeia o Atlântico, as reduções de marcha só eram necessárias para ultrapassagens mais rápidas. Mas, na maioria do tempo, até se esquece qual a marcha engatada... Várias vezes, tive de olhar o indicador de marchas no painel de instrumentos da MT-09.

 

Pequeno e totalmente digital, o painel traz velocímetro, conta-giros com barras, marcador de combustível, relógio, dois hodômetros e indicador de consumo. Fica, inexplicavelmente, deslocado para a direita, ampliando a sensação de que falta algo na dianteira da moto. Aliás, pouco se vê da MT-09 quando está ao guidão: a posição de pilotagem ereta e “pra frente” deixa apenas o painel e os retrovisores à vista.

 

Na hora de subir a Serra de Sintra até o Cabo da Roca, mais uma vez o tricilíndrico mostra a que veio despejando torque de sobra, mas sem assustar mesmo no modo “A”. Vale ressaltar aqui que as respostas bruscas do acelerador são mais sentidas, e incômodas, em baixas rotações. A partir de 6.000 rpm a injeção eletrônica faz seu trabalho muito bem.

 

As suspensões – ajustáveis na frente e atrás – até suportaram bem a subida, quando não é preciso frear tanto e o motor dá conta de reduzir a velocidade. Já na descida, o conjunto mostra sua limitação. Nas curvas mais fechadas, não tinha certeza que a roda da frente estava onde eu realmente queria.

 

Decidi então pilotar de forma mais suave e fluida para testar os limites da MT-09. Claro que ela não chega ao nível de segurança que transmite uma esportiva ou uma naked, principalmente em curvas com o raio menor, mas a sensação transmitida pelo trem dianteiro melhorou e me senti mais seguro. Nada como respeitar os limites da máquina.

 

Na volta, decidi retornar pelas auto-estradas, com diversas pistas e curvas mais abertas. Apesar de o limite de 120 km/h, rodar nessa velocidade significa ser ultrapassado até mesmo por caminhões. No geral, quase todos dirigem a 140 km/h e nesse ritmo o motor vibra quase nada e gira pouco – cerca de 5.500 rpm – com bastante sobra para acelerar mais. E nas curvas de alta velocidade, a ciclística da MT-09 mostra-se estável e segura.

 

O vento, porém, incomoda e cansa. Afinal, apenas o pequeno farol tem o trabalho de desviá-lo do piloto. Definitivamente, o pequeno parabrisa deverá ser um dos opcionais mais vendidos na Europa ou quando a moto chegar por aqui.

 

Aposta ousada

Famosa por inovar ao longo de sua história, a Yamaha mais uma vez projeta uma moto que não tem nada de convencional. Seja pelo seu desenho “pelado”, pela posição de pilotagem que mescla a esportividade das nakeds com a agressividade das supermotard, ou ainda pelo “torcudo” motor de três cilindros, a MT-09 não é parecida com nenhuma outra moto disponível atualmente no mercado. Uma boa “cartada” da Yamaha para acabar com a mesmice.

 

Focada em um piloto que usa a moto diariamente, gosta de acelerar e pretende se divertir com pequenas escapadas no final de semana, a MT-09 cumpre bem sua proposta. Porém, se a ideia for fazer viagens mais longas, saiba que a ausência de carenagem e a pouca espuma no banco estreito cansam mesmo depois de uma viagem de 200 km.  

 

Em Portugal, a MT-09 sem ABS tem preço sugerido de 7.795 Euros. Mais barata que a naked FZ-08 (8.690 Euros) da própria Yamaha ou ainda que a Kawasaki Z 800 (8.990 Euros). Com isso, a nova tricilíndrica japonesa surge como uma boa opção nesse segmento de média capacidade cúbica com vocação esportiva. Uma moto de três cilindros, potente, leve e divertida de pilotar.

 

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