Profissão: mãe de piloto

Mães de pilotos têm de incentivar os filhos a acelerar
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Agência Infomoto
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Não há vida sem elas. E todo ano, na manhã do segundo domingo de maio, nasce o dia ideal para homenageá-las – embora mereçam todas as datas do ano. São elas as únicas a dedicarem toda uma vida para que realizemos nossos sonhos, mesmo que este venha acompanhado de muitos perigos. Embora a data pertença a elas, quem ganha uma oportunidade de agradecer por tudo no Dia das Mães são os filhos. Mas a humildade e o amor maternal sempre prevalecem e é por isso que nossas personagens são só elogios para suas crias, mesmo sendo elas as homenageadas da vez.

Norma Napoles de Oliveira Balbi, Rose Granado e Elzi Abrahão ilustram bem o que é ser mãe. Enquanto Dona Norma, mãe dos pilotos Jorge Balbi Jr. e Mariana Balbi, já pode até dar palestras sobre como é criar filhos envolvidos com o motociclismo de competição, a mãe do piloto Eric Granado, Dona Rose, verá este ano a estreia do seu filho no Mundial de Motovelocidade. “Quando ele andou a primeira vez sozinho de bicicleta sem as rodinhas, isto com três anos, e começou a fazer manobras espontaneamente percebemos que algo era diferente. Com um pequeno incentivo do Papai Noel, ele ganhou uma moto de 50 cc com seis anos e não parou mais”, revela Dona Rose, alertando para o fato de que há muitos anos lida com a “carreira” do filho.

História parecida com a de Dona Elzi Abrahão, mãe de Alexandre Barros, piloto brasileiro com mais participações na MotoGP. “Estávamos na Rua General Osório (no centro da capital paulista) para comprar uma peça de bicicleta para o Coelho (pai de Alexandre), pois ele já corria. Chegando lá, vimos uma Italjet bem pequenininha, vermelhinha, coisa mais linda. Eu olhei e falei: nossa é do tamanho do Alexandre”, exclama Dona Elzi, revelando que naquela ocasião acabou sendo adquirida a Italjet do Alexandre, uma Ducati para o pai e também uma Honda 400 Four, que foi dada a Dona Elzi como forma frustrada de fazê-la adquirir gosto por motocicletas.

Mas nem tudo são flores. Se as mamães comuns já sofrem com a hiperatividade dos filhos, imaginem uma matriarca imersa no mundo das competições. “O nervosismo na torcida é grande e se há uma coisa que eu não gosto são as lesões. Já sofremos muito com elas”, afirma Dona Norma, mas ressalta que na sua família o amor pelas duas rodas foi natural. “Sempre gostei de motocicleta, porém, depois que conheci o pai do Jorginho, meu marido, comecei a me interessar ainda mais” diz. Aliás, a paixão é tamanha que ela revela sua profissão: mãe de piloto. Desde muito cedo viu os filhos acompanhando o pai nas competições e alimentando a vontade de fazer parte do mundo off-road. “O incentivo a prática do esporte foi algo que começou naturalmente”, diz.

Embora incentivem a carreira dos filhos, essas mães mostram rápido seu lado maternal quando o assunto é a velocidade atingida. “Sempre achei muito perigoso, sempre. Rezava muito para eles (incluindo também o irmão César, que também disputou o Mundial de Motovelocidade na categoria 250cc), não tirava o terço da mão”, conta Dona Elzi deixando a mostra seus receios com a profissão escolhida pelos filhos.

Todavia, essas mães se mostraram preparadas para incentivar os filhos e fazer o que for preciso para que seus sonhos se mantenham acesos. Não é preciso abdicar da vida. A receita é dar o respaldo necessário para que os filhos cresçam felizes. Enquanto a mãe da família Balbi garante viajar hoje em dia atrás dos filhos onde eles estiverem, Norma Granado explica que nem sempre é possível. “Não costumo ir às corridas, pois tenho vários compromissos aqui no Brasil, mas acompanho tudo pela internet”. Mariana mora nos Estados Unidos disputando campeonatos de motocross, onde Jorge Balbi Jr. também já morou.

Em conversa exclusiva, Dona Elzi revelou que organizava reuniões no Brasil para assistir o desempenho do filho nas pistas de motovelocidade do mundo, oportunidade que Dona Rose terá a partir deste ano com a transmissão da categoria Moto2 — seu filho Eric entrará no certame somente em junho, quando completa 16 anos, idade mínima para competir.

Formação
Embora famosas no meio motociclístico, essas mamães não criaram seus filhos com nenhuma receita mágica. Cada um tem sua personalidade e cada mãe tem sua forma de educar seus pupilos. “Acho que temos sempre que zelar pela segurança fora de casa. Por isso às vezes controlo um “pouquinho” o horário da volta para casa”, admite Dona Rose, 46, salientando que o Eric ainda tem 15 anos e não pode gandaiar por aí.

Do outro lado, Dona Norma parece mais liberal. Com 61 anos e mãe de três filhos — além do Jorginho e da Mariana, tem a primogênita Ana Thereza Balbi —, a mamãe Balbi manifesta seu lado coruja. “Sou muito liberal, talvez por confiar muito em meus filhos. Na verdade, eles são bem disciplinados, não é preciso controlar”, conta aos risos. O engraçado é que todas as preocupações dessas mães foram contadas com muito bom humor e uma pitada de preocupação, salientando que os perigos existentes no mundo contemporâneo superam os riscos que seus filhos enfrentam na carreira. E se alguns pensam que a carreira internacional só tem seu lado positivo, Dona Elzi resume o sentimento do seu filho Alexandre. “Quando todos diziam para mim que ele tinha uma vida de rei, ficava uma semana em cada país, eu percebia que não conheciam o Alexandre”, revelando que seu filho sofria com a saudade da família, o que, claro, afetava-a também.

E para todas elas, a felicidade mora na satisfação dos filhos. “O fato de o Eric estar se profissionalizando no que mais gosta de fazer o torna especial, pois a grande maioria dos jovens nem sempre sabem o que querem com 15 anos de idade. Por isso sou uma mãe feliz”, confidencia a mãe Granado. Se elas fazem tudo certo, nem elas sabem, mas “acredito ter feito sim, pois sempre apoiei a decisão dos meus filhos e procurei dar força para que eles pudessem ir atrás dos seus sonhos”, sublinha Dona Norma.

Futuro
Todas as mães, merecidamente lembradas com um dia só delas, se desdobram para criar seus filhos e realizar todos os seus anseios. Não é diferente com as mães de pilotos. Dúvida, preocupação e apoio incondicional, com isso, garantem elas, tudo fica mais fácil através do esporte. “Passamos por momentos bons e ruins. Porém, o que acredito mais ter valido a pena, além dos vários títulos conquistados, foi a grande união que o esporte trouxe para a nossa família”, diz Dona Norma.
Para finalizar, trazemos um resumo do que todos os filhos têm a dizer de suas mães nas palavras de Jorge Balbi Jr. “Ela é tão incrível que nunca pensa nela, os filhos sempre estão em primeiro lugar! Sem falar nas inúmeras vezes em que meu pai precisava viajar com a gente e ela tinha que ficar trabalhando para que pudéssemos ter condições de seguir em frente. Te amo muito mãe, feliz dia das mães! Feliz dia das mães para todas as mães do Brasil!”, deseja ele a Dona Norma e a todas as mães.

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