Qual o limite de inclinação da moto nas curvas

Inquietação dos novos motociclistas em enfrentar curvas é natural e compreensível
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Geraldo Simões
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Uma das perguntas mais comuns no curso SpeedMaster de Pilotagem é sobre os limites. Durante o desenrolar do curso, várias vezes os alunos questionam sobre qual o limite de inclinação da moto nas curvas ou como perceber que a moto está chegando perto do limite.

Normalmente as motos atuais têm um limite de inclinação bem maior do que a maioria dos usuários imagina. Desde uma simples 150cc utilitária até uma poderosa moto esportiva, todas têm limites seguros e que podem ser percebidos pelo motociclista.

Em primeiro lugar, uma inquietação comum nos novos motociclistas é o medo de enfrentar as curvas. Esse medo é natural e compreensível, uma vez que nos sites de compartilhamento de vídeos existem milhares de quedas em curvas. E nas competições o tombo acontece sempre perto ou durante as curvas. Mas o que vou revelar é um alívio a todos os motociclistas: a moto é um veículo mais estável quando está na curva do que em linha reta!

Isso se deve à construção dos pneus. Quando está inserida na curva, a área de borracha que entra em contato com o solo aumenta pela deformação causada pelos esforços laterais. Além disso, as laterais dos pneus de moto já têm naturalmente mais área mesmo. Quando está em linha reta a área de contato do pneu com o solo é menor! Se for para se preocupar, então que seja em linha reta!

Nas motos a partir de 250cc os pneus são construídos e projetados para dar ainda mais esta situação de estabilidade em curvas. Quando chega nas motos esportivas, a banda que toca o solo em linha reta representa cerca de 20% do total da banda de rodagem do pneu. É na curva que os pneus de motos esportivas gostam de ficar e se sentem bem.

Justamente por ser um elemento de vital importância na segurança, os pneus, de qualquer tipo, são desenhados de forma a passar ao motociclista o ponto de limite de inclinação nas curvas. Na junção da banda de rodagem com a lateral do pneu forma-se um ângulo, uma espécie de vinco, que serve para determinar o limite de inclinação na curva. Ao atingir esse ponto, o motociclista sente como se a moto quisesse voltar, como se uma força a empurrasse para a vertical.

Como nem todo mundo tem esta sensibilidade, as fábricas de moto instalam alguns limitadores que servem para avisar ao motociclista que chegou a hora de parar de inclinar. Geralmente esse limitador é um pino colocado na extremidade das pedaleiras. Por uma questão de segurança, esse limitador toca o solo antes de atingir o limite do pneu. Por exemplo: imagine que a fábrica de pneus determinou que aquele produto permite inclinar com segurança até 50º em relação ao solo horizontal. Para dar uma margem de segurança, esse limitador da pedaleira tocará o solo quando a moto chegar a 53º, um pouco antes do limite dos pneus esses números são hipotéticos.

Mesmo assim é comum ver motociclistas que gostam de retirar esses limitadores, alegando que atrapalham a pilotagem! O que atrapalha são os arranhões pelo corpo!

Imagine o risco que um motociclista corre quando altera a medida do pneu! Ao usar um pneu traseiro mais largo, apenas por questões estéticas, esse limite de inclinação na curva será alterado, porém a moto não estará preparada para essa mudança. O resultado é que em algumas situações a moto encosta a pedaleira no asfalto com tanta violência que arremessa o piloto pra cima!

Meus limites

Mais importante do que os limites determinados pela moto são os próprios limites. Acho potencialmente perigoso quando vejo turmas de motos viajando em alta velocidade pelas estradas. Não só pela velocidade em si, mas porque em uma grupo de pessoas sempre tem diferenças de habilidade e sensibilidade. Pessoas são diferentes!

Em competição os pilotos correm quase se encostando porque todo mundo ali conhece os seus limites e dos colegas. Mas fazer isso pelas estradas é uma temeridade, porque por mais amigos que sejam, nunca se conhece as reações de outra pessoa diante de um susto. Uma frenagem inesperada pode causar uma baita confusão.

A atitude mais sensata em relação aos limites é “ouvir” seu sexto sentido. Quando não se sentir confortável naquela situação o melhor é reduzir e avisar aos amigos que vai encontrá-los em algum ponto. Um dos grandes erros cometidos por novos motociclistas é querer estender seus limites além da capacidade e do conhecimento.

Uma dica que sempre recomendo é a mesma usada em trilhas ou atividades de aventura que envolvem riscos. “O da frente é responsável pelo de trás”. Ou seja, o motociclista que vai à frente precisa manter os de trás no campo de visão do retrovisor. Se ele sumir, reduz a velocidade. Assim o grupo todo fica limitado à velocidade de quem está no fim da fila.

Caso contrário, se todo mundo sai correndo, alguém menos preparado pode querer acompanhar e sofrer uma queda que vai atrapalhar o fim de semana de todo mundo.

Respeite seus limites e os da moto e sua jornada será muito mais tranquila!

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Geraldo Tite Simões é jornalista, instrutor de pilotagem e ministra o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio de Honda, Pirelli, Tutto e Shoei. www.speedmaster.com.br

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