Quando discutir a relação é algo divertido

Corrente, correia ou cardã: conheça os prós e contras e os cuidados de cada sistema de transmissão das motos

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Roberto Dutra
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Discutir a relação é algo incômodo? Nem sempre.. Quando se trata da relação da motocicleta, quem leva a vida sobre duas rodas topa conversar sobre o assunto sempre que possível - e com a maior paciência. Relação é o nome genérico para a transmissão secundária das motos, aquela que leva a força do motor para a roda traseira.

Os sistemas usados são corrente/coroa/pinhão, correia com polias ou eixo cardã com engrenagens. Mas qual deles é o melhor e quais os cuidados que devemos ter com cada um?

A mais adequada

Vamos por partes. O melhor sistema, mesmo, não existe. O que há é o mais adequado ao projeto da moto, ao uso para o qual ela foi projetada.

Sendo assim, podemos dizer que as correntes são mais adequadas às motos de baixo custo e às de alto desempenho (como esportivas, nakeds e as trail mais radicais), as correias se encaixam melhor nas motos cujos motores trabalham em giros baixos e médios (como as custom) e o eixo cardã, nas que têm uma pegada mais sport-touring ou mesmo trail menos barra pesada.

Mas não existe lá uma ciência muito exata nisso. Há exceções de todos os tipos, desde motos de alto desempenho com eixo cardã a modelos de pegada mista com correia.

Corrente

A corrente é o sistema mais comum. Ela conecta um pinhão na lateral do motor a uma coroa dentada na roda traseira. Tem elos habitualmente feitos de aço, unidos por pinos, com ou sem retentores ou emenda.

Suas vantagens são o custo mais baixo, a resistência, a facilidade de obtenção por ser a mais comum e até mesmo a facilidade de troca. As desvantagens são a necessidade de manutenção frequente (ajuste de tensão e lubrificação) e a durabilidade limitada se comparada à das correias e dos cardãs.

Corrente
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Legenda: Corrente é mais barata, mas requer ajustes de tempos em tempos
Crédito: Divulgação

Os cuidados básicos são justamente esses: de tempos em tempos é preciso ajustar a tensão para reduzir a folga que a corrente adquire com o tempo e, em intervalos até menores, lubrificá-la - inclusive depois de pegar chuva, lavar a moto ou trafegar por lugares com piso de terra e afins, que sujam a corrente (aí, deve-se lavá-la e, depois, lubrificá-la). Quando chegar ao fim da vida útil, é importante não fazer economia burra: troque o conjunto completo!

Correia

Já as transmissões por correia têm funcionamento similar ao da corrente, mas com peças diferentes. No lugar do pinhão, uma polia pequena. No da coroa, uma polia maior. Fazendo a conexão, uma correia composta por borracha e malha de aço, entre outros materiais (fibra de vidro, aramida e kevlar podem entrar na mistura).

As vantagens das correias são, principalmente, a durabilidade - chegam a rodar 100 mil quilômetros, contra uns 40 mil quilômetros de uma corrente original e bem cuidada, não espalham sujeira (as correntes podem sujar a moto e as roupas de piloto e garupa com óleo ou graxa) e praticamente não requerem manutenção.

2. Correia
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Legenda: As coreias têm vida útil bem maior e, por isso mesmo, costumam custar mais
Crédito: Divulgação

Não pedem lubrificação e os ajustes de tensão são raríssimos. No máximo, requerem uma limpeza de tempos em tempos para retirar detritos que podem ficar presos entre seus dentes. Nesses casos, vale consultar o manual da moto ou uma concessionária, pois podem haver variações nessa manutenção de acordo com marcas e modelos.

Por outro lado, as correias têm preços maiores do que as correntes - mas é um custo proporcional: duram duas ou três vezes mais, então custam duas ou três vezes mais! O importante, aqui, é trocá-la rigorosamente no prazo estipulado pelo fabricante, pois se uma correia arrebenta com a moto em movimento a chance de um acidente é enorme. Nas correntes, quando há rompimento, vez ou outra é possível botar uma emenda.

Vale lembrar que as correias também são a transmissão padrão dos scooters. Neles, elas ligam não duas polias, mas dois eixos cônicos móveis, cujo movimento faz variar a relação de transmissão. Também neles é preciso respeitar o período de trocas indicado pelo fabricante.

Eixo cardã

O eixo cardã, por sua vez, talvez seja a mais prática relação secundária para motocicletas - naturalmente que depende do seu uso. Normalmente sua única manutenção é a troca do óleo interno, que, além de ser em pouca quantidade - e, portanto, barato -, deve ser feita em intervalos que costumam ser bem longos. Outra vantagem indiscutível é sua durabilidade: normalmente, por toda a vida útil do veículo.

Porém, o cardã tem seus dilemas. Primeiro, é um sistema pesado, já que é composto por várias peças - engrenagens satélite nas pontas, "luvas" na saída da caixa e na entrada do diferencial traseiro e uma cruzeta, que permitirá o giro do conjunto simultaneamente ao movimento de sobe e desce da balança traseira. Sendo assim, e também por não ser um sistema barato, é mais aplicável em motocicletas médias ou grandes.

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Legenda: Cardã é considerada a relação de transmissão mais prática para motos
Crédito: Divulgação

Além disso, pede uma saída diferente do motor/caixa de marchas - longitudinal em relação ao chassi. Para correntes e coroas, é a habitual saída transversal. O cardã também tem o chamado "efeito torque", que é uma "puxada" para o lado quando se acelera a moto. Mas nos modelos modernos isso é até raro, e só costuma acontecer com a moto parada. Em movimento, nenhuma "puxada".

Uma questão a se preocupar com o cardã é na hora de trocar o pneu traseiro. Em motos com balança dupla normal, isso pode exigir bastante trabalho e algum conhecimento técnico - que não será encontrado em qualquer borracheiro. Mas, se a balança for monobraço, aí é o melhor dos mundos: solta-se e prende-se a roda como se faz em um carro, de forma rápida e relativamente limpa.

Então...

Cada sistema de transmissão tem suas vantagens e desvantagens. Mas os três têm algo em comum: a necessidade permanente de atenção por parte do proprietário da moto, para que tenham longa durabilidade e proporcionem segurança. Na dúvida, consulte o manual do proprietário e/ou seu mecânico de confiança.

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