O mercado brasileiro de motocicletas tem tido um ano de 2025 bastante positivo. Raros foram os meses com vendas em queda, e tudo aponta para um fechamento de ano com o melhor resultado em 14 anos.
Nesse cenário, duas marcas se destacam com resultados especialmente positivos: Royal Enfield e Bajaj. Com expansão progressiva e sustentável de redes de concessionários - a primeira já passou das 40 e a segunda, das 50 - e sucessivos lançamentos de novos modelos, as duas têm visto seus números de vendas crescerem absurdamente.

Mas, afinal, qual será o futuro dessa briga? Até agosto último, pegando mês a mês, isoladamente, a Royal Enfield vinha melhor. Mas, em setembro, as vendas da Bajaj superaram as da conterrânea pela primeira vez - vale lembrar que ambas produzem suas motos na Índia, e de lá elas vêm desmontadas para serem montadas em Manaus (AM).
Em agosto, último mês à frente da rival, a Royal Enfield vendeu 2.815 motocicletas. A Bajaj, por sua vez, emplacou 2.759. A diferença já era pequena. Aí veio setembro e a Bajaj emplacou 2.931 motocicletas, passando por pouco a Royal Enfield, que registrou 2.738 unidades entregues. Agora, a Bajaj é a sexta marca do país, e a Royal Enfield está em sétimo.
No acumulado do ano, a Royal Enfield ainda está à frente. Mas os números apontam para um crescimento vertiginoso da Bajaj.
De janeiro a setembro deste ano a Royal Enfield anotou 22.251 motos vendidas, volume que correspondeu a um crescimento de 79,6% em relação às 12.389 unidades emplacadas pela marca no mesmo período do ano passado. Sim, um aumento muito expressivo!
Porém, a Bajaj somou 19.725 emplacamentos nos mesmos nove primeiros meses deste ano. Só que esse volume representou um crescimento de nada menos que 214% em relação às 6.724 unidades emplacadas no mesmo período de 2024. Ou seja, a Bajaj está acelerando muito mais do que a Royal Enfield.
Esse "sprint" da Bajaj tem explicações bem razoáveis. Ambas têm produtos interessantes e acessíveis, e da mesma forma têm investido na expansão da rede de lojas e no pós-venda. Mas é fato que o lineup da Bajaj tem mais a ver com um número maior de consumidores brasileiros do que a linha Royal Enfield.
Explicamos: presente no país desde 2017, a Royal Enfield começou suas operações com modelos custom e de apelo retrô. E assim ficou durante bastante tempo. Só que esse tipo de motocicleta tem público relativamente restrito no Brasil - são motos de nicho.
Aí a marca investiu em modelos diferentes, como a trail Himalayan 411, a funbike Scram 411 e, bem depois, a Hunter 350. E viu suas vendas crescerem e a Hunter 350 se tornar sua moto mais vendida no país.
A marca seguiu por esse caminho e, embora tenha lançado outros modelos custom - Super Meteor 650 e Shotgun 650 -, passou a investir forte fora da "bolha". E hoje tem três modelos que fogem da receita retrô: a própria Hunter 350, que continua vendendo bem, a ótima e muito bem-sucedida Himalayan 450 - que é lider no segmento das maxtrail - e a recém-lançada Guerrilla 450, uma naked urbana com o mesmo conjunto de chassi/motor da Himalayan 450.
Com visual bacana, desempenho instigante, preços acessíveis e proposta "popular" por ser uma naked, a Guerrilla 450 provavelmente fará tanto sucesso quanto a "prima" trail Himalayan 450.
E a Royal Enfield ainda tem outras cartas na manga: vêm aí a custom Classic 650 e a scrambler Bear 650, que também serão motos de nicho, mas certamente farão o mesmo sucesso que os outros modelos com a mesma plataforma - inclua-se aí as já quase veteranas Interceptor 650 e Continental GT 650, que hoje não são mais best-sellers, mas já tiveram seus dias de glória.
A Bajaj, por sua vez, está há menos tempo no mercado brasileiro - apenas dois e meio. Mas desde o começo apostou em modelos autenticamente urbanos. Chegou com apenas três - as Dominar NS160, NS200 e 400 - e depois lançou a Dominar 250 e a city/street completinha Pulsar N150.
Nesse meio tempo viu suas vendas crescerem progressivamente, não só devido ao crescente número de lojas, mas principalmente pelos preços atraentes - tanto que seu modelo mais vendido é justamente o mais caro, a Dominar 400 - e que, ainda por cima, é a líder no segmento das naked/roadster!
Hoje a Bajaj ainda tem uma linha mais enxuta que a da rival, porém composta por modelos com visual city/street e/ou naked, que tradicionalmente são bem aceitos por uma enorme parcela do mercado comprador no Brasil.
E como vem novidade por aí - na mesma linha -, podemos esperar que as vendas da Bajaj continuem crescendo significativamente - e num ritmo mais forte que o da Royal Enfield.