RPG sobre 2 rodas

Massa do motociclista é determinante na estabilidade da moto
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Geraldo Simões
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Você já deve ter ouvido falar em uma técnica chamada RPG. Não, não se trata daqueles jogos de computador, mas de reeducação postural geral, que ensina a recuperar a boa postura. Quando recebo os alunos para a primeira aula no curso SpeedMaster de Pilotagem começo explicando que o preceito básico da pilotagem de moto é posicionar-se corretamente. É como um RPG voltado à moto, com objetivo de recuperar o tônus postural.

Dificilmente alguém aprende a pilotar motos com um especialista. Mais de 50% aprende com amigo ou parente. O restante em motoescola nas quais o instrutor está longe de ser especialista. Por isso o motociclista novato já começa sua jornada aprendendo errado com uma série de vícios posturais.

Em primeiro lugar, vou analisar os veículos. Pense no automóvel, com uma massa média de 1.000 kg. O motorista de 80 kg representa muito pouco no total da massa carro + motorista. Agora imagine uma moto de 180 kg. O motociclista de 80 kg representa quase 40% do total da massa moto + piloto. Portanto, a massa do motociclista exerce influência determinante na estabilidade da moto.

Se um motorista pular no banco do carro durante uma curva não mudará em nada a trajetória. Mas se um motociclista se movimentar, por menor que seja, interfere no delicado equilíbrio da moto.

Só que nem todas as motos são iguais. E para saber como se posicionar corretamente primeiro é preciso identificar em qual destas categorias sua moto se encaixa:

Custom – Caracteriza-se por ter grande distância entre-eixos, pequeno vão livre do solo e grande ângulo de inclinação da coluna de direção rake. A ciclística é projetada para longas retas e apresenta pouca mobilidade nas curvas e no uso urbano. O peso é concentrado entre os eixos e o piloto posiciona-se ereto, com peso deslocado para trás.

Esportiva – Graças aos semiguidões baixos e avançados, o piloto posiciona-se com o corpo deslocado à frente. As motos esportivas são extremamente estáveis em curvas, mas a pequena distância entre-eixos e o menor “rake” prejudica a estabilidade em retas. O pequeno vão livre do solo garante baixo centro de gravidade. O pequeno ângulo de esterço do guidão dificulta o uso na cidade.

Naked – tem praticamente a mesma ciclística de uma moto esportiva, porém com o guidão montado sobre a mesa superior. Isso proporciona maior ângulo de esterço e facilita o uso urbano. As suspensões são mais “macias” e confortáveis.

Trail e uso misto – Por ter guidão largo, pequena distância entre-eixos e grande vão livre ao solo é uma moto que se enquadra muito bem ao uso urbano, sobretudo se a cidade tiver péssima pavimentação. Além, é claro, de uso rural, nas trilhas e estradas de terra. Porém a relação de transmissão “curta” limita a velocidade nas longas estradas. O posição de pilotagem leva o piloto a se deslocar para a frente.

Utilitária – Representam quase 80% do mercado. São as motos na faixa de 100 a 150cc feitas para trabalho. As pedaleiras ficam posicionadas de forma a permitir longas jornadas sem forçar as pernas. O piloto fica bem ereto e pilota praticamente sentado.

De todas estas categorias, as que exigem posturas mais diferentes são a custom e a esportiva que têm características muito diferentes das outras. Por isso, vou dividir em partes, começando pelas utilitárias, que são a maioria.

Relaxe

A primeira regra é manter o corpo relaxado, ombros soltos, costas levemente inclinadas para frente. Os braços ficam sempre em ângulo, nunca esticados. A expressão “braço-duro” vem dessa postura endurecida sobre a moto.

Os punhos devem seguir os braços e repousar relaxado sobre as manoplas as peças de borracha. Importante é manter as manetes as alavancas de freio e embreagem bem à frente dos dedos. Tenho visto muitos motoboys deslocando as manetes para cima como forma de evitar as batidas nos espelhos dos carros. Porém, com a alavanca do freio colocada para cima o motociclista precisa girar o punho para alcançar a manete e acaba acelerando ao mesmo tempo!

Já os pés também devem ficar relaxados sobre as pedaleiras, mas atenção: não deixe as pontas apontadas para baixo. Nem sobre os pedais de freio e câmbio. Quando a ponta do pé fica apoiada no pedal do freio, sem perceber toca de leve no freio, provocando aumento do consumo de gasolina e superaquecimento do sistema de freio. Deixar o pé apoiado no pedal de freio não reduz o tempo de reação nas frenagens, como dizem nas motoescolas, só gasta mais freio!

Também mantenha as pontas dos pés sempre acima da linha das pedaleiras. Lembre que as motos inclinam nas curvas e chegam até a raspar os pedais no asfalto. Imagine se a ponta do pé encostar no asfalto e bater em algum obstáculo. Além de desequilibrar a moto pode causar uma grave lesão nos pés.

Lembre-se de que o banco é bem espaçoso, não precisa ficar com a barriga apoiada no tanque!

Na próxima coluna a postura das motos esportivas e nakeds.


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Geraldo Tite Simões é jornalista, instrutor de pilotagem e ministra o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio de Honda, Pirelli, Tutto e Shoei. www.speedmaster.com.br

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