Saiba porque a Ninja H2 é a Moto do Ano 2016

Aceleramos a esportiva turbinada de 210 cv que custa R$ 120 mil
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Karina Simões
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Moto turbo existe? Existe sim e sempre me perguntei como seria pilotar uma. Já respondi a essa pergunta algumas vezes e aproveitava para dizer que a ideia de extrair mais potência de motores de motos adicionando um turbocompressor não é de hoje.

 

Na década de 1980, diversas montadoras se aventuraram neste nicho. A Yamaha estreou com a XJ 650T, depois veio a Honda com a CX 500T e CX 650T. Na sequencia, a Suzuki lançou a NX 85D Turbo e a Kawasaki veio com a GPZ 750 Turbo - a mais potente de todas na época, com 112 cv. Foi uma febre, que passou.

Isto é, até 2014, quando a Kawasaki apresentou a Ninja H2 no Salão de Milão, um projeto desenvolvido em parceria com a divisão aeroespacial da marca. Seria ela minha chance de experimentar a entrega de potência de uma moto turbinada?

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A H2 foi eleita a Moto do Ano 2016 pela revista Duas Rodas. Felizmente, como jurada, “tive” que acelerar a "bala de prata" da Kawasaki. Sei que você deve estar com muita pena de mim, mas são ossos do ofício. O apelido, aliás, cai bem à H2. Ela é a moto de rua mais potente do mundo atualmente, com 210 cv, e a única a vir de fábrica com uma pintura com partículas de prata, que reluz.  

O visual com cortes angulosos impressiona. As peças foram esculpidas pensando para minimizar o arrasto e auxiliar na estabilidade da moto em altas velocidades. Em meio a tanto para olhar, dois pontos chamaram minha atenção de cara, um deles é a balança monobraço – incomum em modelos da Kawasaki – e a outra é o quadro em treliças soldado à mão. A H2 é montada artesanalmente.

É possível passar o dia analizando carenagem, acabamento, pintura, ou mesmo o símbolo que parece um ideograma japonês na dianteira. A marca Kawasaki River é usada raras vezes e apenas em modelos com significância histórica. Mas chega de conversa, afinal essa moto não foi feita apenas para ser admirada.

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A "responsa" de pilotar uma moto exclusiva como essa corroía meu estômago desde a hora que acordei. Passei o dia pilotando outras motos e tentando controlar minha ansiedade. A Kawasaki trouxe ao Brasil apenas 28 exemplares, vendidos a R$ 120 mil cada um. Muito, mais muito mais grana que o compacto 1.0 que eu tenho na garagem.

Eu teria poucas voltas com ela e queria aproveitar o máximo aquilo. Enfim, chegou minha vez. Antes de sair com a esportiva, um engenheiro da marca me deu algumas instruções, mas a cara de espanto/felicidade dos jornalistas que pilotaram a H2 antes de mim não saía da minha cabeça.

Já pilotei outras esportivas de 1.000 cc, mas a H2 dá a impressão de ser maior que as outras. Nem tanto, o entre-eixos é pouca coisa maior que o da irmã ZX-10 e, embora ela seja muito potente, é pesada. São 238 kg em ordem de marcha – a nova Ducati Panigale 1299, por exemplo, pesa 179 kg.

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Dei partida e me senti o centro das atenções. Todo mundo de olho na “mina” que pilotaria a H2. Mas isso não me preocupava. O que me deu certa tensão foi que o engenheiro que me deu as instruções, insistiu para que eu pilotasse a moto em modo Rain (com menor entrega de potência) e eu recusei. “Não, obrigada, tenho poucas voltas para experimentar a moto. Pode colocar no modo full, por favor”, disse convicta. Ai, ai, ai...

Na primeira volta, fui me acostumando com a moto, mas abri o acelerador com vontade na reta para sanar minha curiosidade. Um coice abrupto colou minha lombar no apoio do banco – e entendi porque ela tem um cockpit onde o piloto se encaixa. A carenagem parece furar o ar e você vai muito rápido (mesmo!).

Isso porque o motor de quatro cilindros em linha possui um supercharger. Não é o turbo convencional acionado pelos gases do escape, a diferença é que ele tem acionamento mecânico e assim não há o “turbo lag”, aquele atraso típico do turbo convencional.

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São 210 cv de potência (a 11.000 rpm) e 13,6 kgf.m de torque (a 10.500 rpm), mas já em baixas rorações a turbina está girando, por isso a entrega de potência é tão imediata. Mesmo com retomadas tão impetuosas, a H2 me impressionou pela suavidade. Pode parecer contradição, mas a fera fica escondida até você chamar ela para sair. Ou seja, a potência é totalmente administrável, cabe ao piloto saber que ela está lá e usá-la na hora certa. Com isso, fica bem claro que a H2 não é uma moto para iniciantes.

A H2 precisa de eletrônica para segurá-la no chão e fazer dela um modelo “pilotável”. E ela tem. O controle de tração possui nove níveis, ela tem anti-wheelie (para a dianteira ficar no chão, já que a entrega de potência brusca colocaria o pneu nas alturas), controle de freio motor e até controle de largada, tecnologia disponível em carrões superesportivos como o Audi R8, por exemplo.

Mais acostumada com a moto passei a observar outros detalhes. Na parte digital do painel, uma linha com a palavra "boost" vai sendo preenchida conforme a pressão extra enche o motor. A posição de pilotagem também merece elogios, bem mais confortável que as demais esportivas que pilotei naquele dia.

A suspensão dianteira é de alta performance Kayaba AOS-II com separação entre ar e óleo e a traseira é do tipo monochoque totalmente ajustável. Os freios ABS contam com discos semi-flutuantes Brembo de 330 mm de diâmetro e pinças com fixação radial e quatro pistões opostos. Na traseira o disco é simples de 250 mm.

O escape é grande, brilhante, e... um pouco exagerado para o meu gosto. A moto já brilha demais com sua pintura espelhada, não precisava daquele cromado todo. Uma ponteira esportiva cairia bem ao conjunto e, de quebra, eliminaria um pouco de peso.

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Me empolguei tanto com a H2, que perdi a conta das voltas e acabei andando mais. Foi sem querer (querendo, claro). O maior desafio da Kawasaki foi propor essa entrega de potência brutal - que nos faz arregalar os olhos e abrir um sorriso sob o capacete - em um conjunto que garanta a estabilidade, a boa maneabilidade e a segurança.

Todas as unidades da H2 que a Kawasaki trouxe ao Brasil, foram vendidas. Mas se você quer uma, pode encontrar aqui nos classificados da WebMotors.

Para quem quer mais performance e tem uma conta bancária mais recheada, há a H2R, que foi a atração da marca no Salão Duas Rodas 2015. Apenas para as pistas, a versão R entrega até 326 cv de potência em um conjunto com 20 kg a menos. Um número absurdo que só não assusta mais que o preço que ela chegará aqui. A marca não divulga, mas você pode fazer a encomenda e esperar (sentado) pela conta. 

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