Teste: Triumph Bonneville T100

Rodamos nas estradas inglesas com esta histórica naked
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Qualquer um que se interesse por motos e pela história desses veículos de duas rodas certamente já ouviu falar da Triumph Bonneville. Lançada em 1959, a Bonneville era dotada de uma ciclística ágil, motor bicilíndrico e um inconfundível design. Logo se tornou um ícone dos anos de ouro das motos inglesas nas décadas de 1960 e 1970. De tão clássico, o modelo continua até hoje no line-up da inglesa Triumph.

Porém, a Bonneville produzida na fábrica da marca em Hinckley, Inglaterra, foi modernizada. Seu tradicional motor de dois cilindros paralelos, quadro, suspensões e freios, tudo traz especificações dignas das motos atuais. O que não mudou foi o visual do clássico modelo. Ainda bem.

Quando questionado pelos funcionários da Triumph qual modelo desejaria pilotar, não hesitei em escolher a Bonneville. Afinal, mesmo modernizada, essa motocicleta é um verdadeiro ícone sobre duas rodas. Ofereceram-me a versão T100 da “moderna” Bonneville, equipada com rodas raiadas e aro 19 na dianteira, guidão mais estreito e recuado, enfim, a versão com visual mais clássico e fiel ao original. Para minha honra, tratava-se ainda de uma série especial e comemorativa dos 110 anos das motos Triumph celebrados em 2012. Com fabricação limitada a 1.000 unidades, a 110th Anniversary Edition Bonneville (que pilotei) trazia a inscrição “Number 5”, ou seja, era a quinta unidade produzida na fábrica 2, localizada em Hinckley. Outro detalhe fica por conta da pintura prata e verde, que remete às cores da primeira motocicleta Triumph fabricada em 1902.

Viagem no tempo

Montar em uma motocicleta com o desenho típico dos anos 60 é praticamente uma viagem no tempo. Até que dar partida com o simples toque de um botão me fez voltar a 2012 e lembrar que, apesar de clássica, essa Bonneville é moderna. Mesmo com temperatura amena, na casa dos 15°C, o propulsor de dois cilindros paralelos, como o modelo original, mas com a capacidade cúbica aumentada para 865 cm³, ligou com facilidade. Também essa Bonneville é equipada com alimentação por injeção eletrônica multiponto, porém os corpos dos carburadores foram mantidos para não perder o charme original do modelo: os bicos injetores estão nos dutos e ainda existe um afogador para auxiliar as partidas na fria “Terra da Rainha”. O bicilíndrico é refrigerado a ar, mas traz radiador de óleo para auxiliar.

Com especificações espartanas, o desempenho da Bonneville é modesto, mas dentro de sua proposta: são 68 cavalos de potência máxima a 7.500 rpm e 6,9 kgf.m de torque máximo a 5.800 rpm. Na prática o motor mostrou-se bem elástico e com bastante força a partir de 3.000 giros não exigindo muitas trocas de marchas no câmbio de cinco velocidades.

A posição de pilotagem é bastante urbana e confortável – faz lembrar as motos Honda da década de 70 e até mesmo a CB 400 dos anos 80: afinal, onde você acha que os japoneses aprenderam a fazer suas motos? Foi, aliás, a capacidade de marcas como Honda, Yamaha, Kawasaki e Suzuki a produzir motos em larga escala que fez grande parte das fábricas inglesas a fecharem suas portas.

Nesta versão mais clássica, a T100, o guidão é curvado para trás e permite posicionar-se de forma bem ereta. Entretanto, o banco totalmente plano e com menos espuma do que a versão convencional cansa um pouco depois de algum tempo. Mas vale lembrar que, mesmo essa “nova” Bonneville, tem a proposta de ser uma moto urbana, de fácil pilotagem e uso diário, e não para longas viagens.

Até mesmo porque seu visual totalmente naked (sem carenagem) não permite velocidades muito altas. Acima de 80 milhas por hora – a unidade de medida utilizada na Inglaterra e que equivale a cerca de 120 km/h – o vento incomoda o piloto. O intervalo de ignição de 360° - em que os dois cilindros “detonam” separadamente – faz com que as vibrações em altos giros sejam sentidas nos pés.

Senhora ágil

Uma qualidade que fez da Bonneville um sucesso no passado foi sua ciclística bastante ágil. O quadro berço simples em aço permite mudanças de direção com facilidade e estabilidade em alta velocidade. É de se imaginar que na versão moderna essas qualidades foram aprimoradas: afinal o conjunto de suspensões, apesar da receita tradicional, usa garfo telescópico convencional na dianteira, da marca Kayaba e com 41 mm de diâmetro; na traseira, sistema bichoque com conjunto mola-amortecedor também Kayaba e regulável na pré-carga da mola. Especificações suficientes para proporcionar agilidade a essa senhora modernizada.

Os freios também têm grife: são dois discos Nissin (310 mm de diâmetro na frente e 255 mm, atrás) mordidos por pinças de dois pistões. Números modestos, porém eficientes para frear os 225 kg (em ordem de marcha) da Bonneville T100.

Urbana com estilo

Percorremos cerca de 200 milhas – pouco mais de 300 km – na região de Cotswold, no centro oeste da Inglaterra, passando por Stratford-upon-Avon, cidade onde nasceu o dramaturgo William Shakespeare, e outros belos e pequenos vilarejos. No trajeto, o conjunto de suspensões mostrou-se bem macio e absorvia com facilidade as poucas imperfeições do piso e alguns obstáculos. Com velocidade máxima limitada a 70 milhas por hora (110 km/h) nas estradas, a ciclística dessa Bonneville demonstrou a agilidade que a consagrou ao longo de décadas.

O mais difícil era se adaptar à mão inglesa, ou seja, manter-se sempre à esquerda nas estradas secundárias de duas mãos. Complicado mesmo eram os cruzamentos: para virar á direita era preciso pegar a faixa da esquerda. Algo que, no início, confunde o cérebro de quem está acostumado a dirigir na direita como nós.

No geral, a Triumph Bonneville T100 saiu-se de acordo com sua proposta: uma moto urbana, versátil já que pode encarar uma viagem desde que não muito longa e o melhor com muita história e estilo.

A Triumph Motorcycles vai operar oficialmente no Brasil a partir de outubro – com fábrica própria em Manaus (AM), onde serão montados alguns modelos pelo processo CKD e outras motos serão importadas. Ainda não há uma confirmação oficial sobre quais modelos serão comercializados no País, mas por se tratar de uma moto emblemática e histórica da Triumph, a Bonneville certamente estará entre elas.

Ficha Técnica – Triumph Bonneville T100

Motor Dois cilindros paralelos, DOHC e refrigeração a ar
Capacidade 865 cm³
Câmbio Cinco velocidades
Potência máxima 68 cv a 7.500 rpm
Torque máximo 6,9 kgf.m a 5.800 rpm
Suspensão dianteira Garfo telescópico convencional Kayaba de 41 mm de diâmetro e 120 mm de curso
Suspensão traseira Sistema bichoque com dois conjuntos mola-amortecedor Kayaba com 106 mm de curso
Freio dianteiro Disco simples de 310 mm com pinça flutuante de dois pistões
Freio traseiro Disco simples de 255 mm com pinça flutuante de dois pistões
Pneu dianteiro 100/90 - 19
Pneu traseiro 130/80 - 17
Comprimento total 2.230 mm
Largura total 740 mm
Altura (sem espelhos) 1100 mm
Entre-eixos 1.500 mm
Altura do assento 775 mm
Altura mínima do solo não disponível
Peso (em ordem de marcha) 225 kg
Tanque de combustível 16 l
Cores Preta, vermelha/branca, preta/verde
Preço Não definido


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