Carros como o Chevrolet Opala e, mais recentemente, o Fiat Doblò, mostram que um automóvel pode muito bem ultrapassar décadas em uma mesma geração, desde que exista demanda no mercado. Mas mesmo esses exemplos de veteranos da indústria automobilística brasileira podem ser considerados jovens perto de alguns dos modelos da lista a seguir.
Confira abaixo alguns modelos de automóveis que estão perto ou já ultrapassaram a marca dos 40 anos de produção em uma mesma geração, apenas recebendo atualizações estéticas e mecânicas. O mais curioso é que algumas dessas máquinas seguem disponíveis mesmo em mercados desenvolvidos.
O britânico Morgan 4/4 é o recordista absoluto em termos de longevidade. Lançado em 1936, teve a produção interrompida em 1939 por conta da Segunda Guerra Mundial. Retomada em 1946, a fabricação do roadster seguiu sem interrupção até 2019. Neste período de impressionantes 77 anos, o carro de produção artesanal incorporou diversas melhorias mecânicas, encerrando a sua vida equipado com um motor Ford 1.6 Sigma, o mesmo do New Fiesta. Mesmo assim, manteve até o final a carroceria com estrutura de madeira recoberta por chapas metálicas.
Lançado na Alemanha em 1938, o Volkswagen Fusca só foi sair de cena em 2003, quando o último exemplar do "besouro" foi produzido no México. Apesar das diversas melhorias mecânicas e visuais que o modelo incorporou ao longo da sua trajetória, como a injeção eletrônica de combustível e a área envidraçada maior, a estrutura básica do modelo permaneceu a mesma.
Durante muitos anos, o mercado automotivo indiano foi fechado para as importações. Isso explica como o Hindustan Ambassador permaneceu em linha ao longo de 57 anos. Quando foi lançado, em 1957, o modelo era uma novidade, sendo uma versão produzida sob licença do britânico Morris Oxford Series III, revelado um ano antes. Mas o tempo foi passando e o sedã só recebeu novos motores e leves alterações estéticas. Se tornou um ícone automotivo indiano pelas suas características únicas de direção e só foi sair de linha em 2014.
Conhecido como o carro nacional do Irã, o Paykan acompanhou toda a turbulenta história do país do Oriente Médio nas décadas finais do Século 20 e início do Século 21. Lançado em 1967 com carroceria sedã, era o britânico Hillman Hunter produzido sob licença. Ao longo dos anos recebeu uma versão picape e retoques no visual. Com o tempo, por conta da maior facilidade de obter peças, o fabricante Iran Khodro adaptou o projeto para receber componentes vindos do Peugeot 504. Só saiu de linha em 2015, quando foi produzido o último exemplar do Paykan picape.
Quando o Lada Niva foi lançado, em 1977, ainda não se falava no fim da União Soviética. E automóvel com tração 4x4 e carroceria fechada de carro de passeio também não era algo comum de se ver. Apesar dos 45 anos em linha e de parecer um carro de outra era, o valente utilitário da marca russa segue com a sua carroceria original e o rústico conjunto mecânico, tendo recebido apenas novos equipamentos e retoques no visual. Com o futuro sombrio trazido pela guerra na Ucrânia, é possível que o Niva continue somando mais alguns anos ao seu já longo histórico.
Uma lista de modelos mais longevos não poderia deixar de fora a Volkswagen Kombi de segunda geração. Lançado na Alemanha em 1967, inovou com a adoção por padrão da porta lateral corrediça. Descontinuada na Europa em 1979, seguiu em produção no México até 1994. Quando a trajetória da T2 parecia encerrada, o modelo foi relançado no Brasil em 1997, se despedindo da linha de montagem da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) apenas em 2013. No total, foram 43 anos em produção.
Lançado na União Soviética em 1970, era considerado um modelo moderno na época. Derivado do Fiat 124, exigiu a construção de uma fábrica completamente nova com apoio e tecnologia dos italianos. Mas o que era um objeto de desejo em seus primeiros anos de mercado terminou a sua jornada em 2012, após 42 anos de produção, como uma opção automóvel simples e acessível.
Quem pensa que carro veterano é coisa de mercados em desenvolvimento não conhece a trajetória do Citroën 2CV. Lançado na França em 1948 como uma alternativa de transporte barato e econômico para o difícil período do pós-Segunda Guerra Mundial, só saiu de linha em 1990, quando o último exemplar foi fabricado em Portugal. O carrinho conseguiu essa façanha quase sem alterações no visual e mantendo o motor de dois cilindros e refrigeração a ar.
Lançado em 1959, o britânico Mini inovou com o conceito de carro compacto com motor transversal e bom espaço interno. O carro é tão icônico que permaneceu em produção no Reino Unido até o ano 2000. Nesse meio tempo, passou por diversas reestilizações e incorporou melhorias mecânicas e tecnológicas (inclusive o airbag para o motorista) com o objetivo de enfrentar carros bem mais atuais. Mas a carroceria básica se manteve ao longo de 41 anos de produção.
Se os carros da Toyota têm fama de resistentes, um dos responsáveis por isso é o 4x4 Land Cruiser J70. Lançado em 1984, surgiu como o substituto do J40 (feito no Brasil como Bandeirante). De tão versátil, foi usado até como arma de guerra, equipado com canhões na caçamba em diversos conflitos na África e Oriente Médio. O modelo segue em produção no Japão até os dias atuais. Pode receber airbags laterais e de cortina para atender às regras mais severas de segurança. Mas o forte são as versões “peladas” para uso em locais que exigem um automóvel simples e robusto.