5 marcas que usam fábricas "emprestadas" no Brasil

Anúncio da GAC evidencia movimento que mostra como montadoras dividem linhas para acelerar produção e reduzir custos

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André Deliberato
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A chegada oficial da GAC ao Brasil anunciada nesta quarta (18/03) trouxe à tona um movimento curioso que, na prática, acontece há anos na indústria automotiva nacional: fazer carros de uma marca dentro da fábrica de outra montadora. Isso porque a GAC anunciou que montará seus produtos na planta da HPE, responsável pelos veículos da Mitsubishi, em Catalão (GO).

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    O caso chama atenção por envolver uma fabricante em processo de entrada no mercado brasileiro que não tem nada a ver com a marca japonesa importada pela HPE. Mas, acredite: isso está longe de ser um caso isolado. É o que vamos mostrar nesta reportagem - além de listar exemplos de complexos que produziram ou ainda fazem carros de marcas diferentes, muitas vezes até de empresas rivais.

    Anúncio da produção nacional da GAC no complexo de fábricas da HPE foi feito no lançamento do GS3
    Crédito: Evandro Enoshita/WM1/Webmotors
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      Fábricas compartilhadas: solução que reduz custos

      Em um cenário de custos elevados e necessidade de escala, compartilhar linhas de produção em fábricas virou uma alternativa eficiente para acelerar operações, reduzir investimentos e aproveitar estruturas consolidadas. Ao mesmo tempo, permite que empresas locais maximizem a utilização de suas fábricas.

      A própria movimentação recente envolvendo as marcas chinesas recém-chegadas reforça essa tendência. A Changan, por exemplo, já fez carros no Brasil em parceria com o grupo Caoa, e deve retomar essa estratégia em breve.

      O plano é usar novamente a estrutura da Caoa Hyundai em Anápolis (GO), que também abriga a produção de carros da Caoa Chery sob gestão local . O compartilhamento de uma mesma linha entre diferentes marcas revela como a flexibilidade industrial passou a ser um ativo estratégico.

      Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) era da Mercedes-Benz e chegou a produzir o GLA no Brasil
      Crédito: Divulgação
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      Outro exemplo recente está no Ceará

      A Chevrolet passou a produzir o Spark EUV elétrico e prepara a fabricação do Captiva EV na antiga planta da Troller, em Horizonte (CE). A unidade, que hoje pertence à empresa Comexport após a saída da Ford Motor Company, foi reativada com um novo modelo de operação, baseado justamente na prestação de serviços industriais para terceiros.

      Dentro de grandes grupos automotivos, a divisão de fábricas entre marcas também se tornou prática comum. O pólo da Stellantis em Goiana (PE), por exemplo, sempre foi associado à produção de modelos da Jeep e da Fiat, mas passou a incorporar veículos da Ram - e agora se prepara para produzir também um modelo da Peugeot.

      Já a planta de Porto Real (RJ), historicamente ligada à antiga PSA Peugeot Citroën, segue o caminho inverso e passará a montar um Jeep, o que amplia e mostra ainda mais a integração entre as marcas do grupo.

      Saiba mais:

        Há também casos em que a mudança envolve a aquisição completa de uma fábrica. Foi o que aconteceu quando a BYD assumiu a antiga unidade da Ford em Camaçari (BA). A estrutura está sendo adaptada para a produção de quase toda linha de eletrificados da marca, incluindo Dolphin Mini, Song Pro, Song Plus e King.

        A expectativa é alta: antes mesmo do início da produção local, a BYD revelou que já acumula mais de 100 mil pedidos no país, indicando que a demanda pelos modelos continua forte.

        No fim das contas, a chegada da GAC reforça uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos. Em vez de cada montadora investir bilhões em fábricas próprias desde o início, o compartilhamento de estruturas aparece como solução mais ágil e racional - especialmente em um momento de transição tecnológica, com eletrificação e novos modelos de negócio redesenhando a indústria.

        Produção do Chevrolet Spark EUV no Brasil começou na mesma fábrica que antes fazia Troller
        Crédito: Evandro Enoshita/Webmotors
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        Cinco fábricas que produzem para mais de uma marca

        • GAC: a GAC é o caso mais recente e que serve de gancho para justificar nossa reportagem e o movimento. A marca chinesa anunciou que produzirá seus carros na planta da HPE, responsável pelos modelos da Mitsubishi, em Catalão (GO). A estratégia permite acelerar a entrada da empresa no mercado brasileiro sem a necessidade de construir uma fábrica do zero.

        • Caoa Changan: a Changan, que por muitos anos no Brasil foi chamada de "Chana" - e justamente pela sonoridade ruim trocou de nome -, já usou a estrutura da Caoa Hyundai em Anápolis (GO) e deve retomar essa parceria. A mesma unidade goiana também faz veículos da Caoa Chery, revelando como diferentes marcas podem de fato compartilhar a mesma linha industrial no Brasil.

        • Chevrolet: a marca da GM passou a produzir o elétrico Spark EUV e se prepara para montar o Captiva EV na antiga fábrica da Troller, em Horizonte (CE). A planta hoje pertence à Comexport, que assumiu a operação após a saída da Ford (que transferiu o espaço para o governo do Ceará em setembro de 2024) e passou a oferecer a estrutura para outras montadoras.

        • Stellantis: um dos maiores grupos do mundo, a Stellantis é um dos principais exemplos de compartilhamento interno de fábricas. Em Goiana (PE), a unidade que nasceu com a Jeep passou a produzir também as picapes Fiat Toro e, mais recentemente, Ram Rampage. Agora, muito em breve, fará o novo Peugeot 3008. Já em Porto Real (RJ) a fábrica, historicamente ligada à PSA, passará a montar o Jeep Avenger, invertendo a lógica tradicional.

        • BYD: a BYD seguiu um caminho diferente ao adquirir a antiga fábrica da Ford de Camaçari (BA). A unidade está em obras, será ampliada e adaptada para fazer carros eletrificados como Dolphin Mini, Song Pro, Song Plus e King, com forte expectativa de demanda no mercado brasileiro.

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