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Anfavea: mercado de automóveis tem alta em março

No trimestre, porém, números foram inferiores aos do mesmo período de 2021. Mas há otimismo devido à demanda reprimida

por Roberto Dutra

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revelou os números do mês de março e do primeiro trimestre em sua coletiva mensal nesta sexta-feira (8/4). As vendas de carros de passeio e comerciais leves no mês passado somaram 134.904 unidades, volume 9,6% superior às 123.035 unidades do mês anterior, mas 23,8% inferior às 177.080 do mesmo mês em 2021.
Já no acumulado de janeiro a março, foram entregues 374.533 unidades, o que representou uma queda de 24,7% em comparação às 497.812 unidades do mesmo período do ano passado.
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Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, os números refletem os problemas enfrentados pelo setor automotivo não só neste momento, mas desde o pico da pandemia, em 2020.
"A indústria ainda encontra dificuldades com o fornecimento de insumos, principalmente de semicondutores. Além disso, temos um cenário de aumento nos preços dos combustíveis, inflação alta e a incerteza sobre uma nova redução no imposto sobre produto industrializado (IPI). A primeira redução teve impacto positivo, com queda nos preços, e esperamos que venha a segunda redução", explicou Moraes.



Apesar disso, os estoques estão razoavelmente adequados: o volume é o maior dos últimos 17 meses, com cerca de 125 mil carros e comerciais leves nos pátios. Mas, Luiz Carlos Moraes pondera que ainda não se pode falar em oferta normalizada, e que é preciso aguardar mais algum tempo para se ter uma previsão definitiva dos números do mercado para este ano. "Por um lado ainda temos processos de produção desorganizados e atrasados, com falta de componentes. Por outro, temos uma enorme demanda reprimida: só as locadoras precisarão de cerca de 600 mil carros para atualizar suas frotas", diz Moraes.
O presidente da Anfavea também destacou que a retração nas vendas não aconteceu somente no Brasil, mas também em outros países, como Itália, França, Estados Unidos e Alemanha. A entidade divulgou um estudo da consultoria IHS Markit, que reviu suas projeções de vendas de veículos em escala global de 84 milhões de unidades - o que representaria um crescimento de 9,1% em relação a 2021 - para 81 milhões - aumento de 5,6%. Na América do Sul, a previsão de vendas caiu de 2.970.883 unidades para 2.941.791.
"É um problema na cadeia global de produção. E ainda temos a perda da demanda na Rússia e na Ucrânia, além da redução ou interrupção no fornecimento de insumos oriundos desses países", completou Moraes.

Anfavea quer infraestrutura para os elétricos

Por fim, o segmento de veículos elétricos também ganhou destaque na reunião virtual com os jornalistas do setor. A entidade considera a criação de uma infraestrutura de carregamento de veículos elétricos um de seus grandes desafios, e vislumbra duas rotas diferentes para o processo de descarbonização no Brasil para os próximos 10 a 15 anos - uma conservadora, que aconteceria de forma lenta e quase inercial, e outra acentuada, que acompanhe a tendência global.
Nesse segundo caso, será preciso instalar 154 mil pontos de recarga para veículos elétricos no país, o que custará em torno de R$ 14 bilhões até 2035. Nesse cenário, o país teria, naquele ano, cerca de 3,2 milhões de carros elétricos - hoje tem apenas mil pontos de recarga para uma frota de uns 87 mil veículos elétricos. Para comparar, a Europa tem, hoje, uma frota de 3,9 milhões de veículos elétricos e 225 mil pontos de recarga.
Para estudar essa questão, a Anfavea vai criar um grupo de trabalho com foco em infraestrutura e eletromobilidade, com representantes de todas as montadoras - todas as marcas poderão participar.
Os objetivos principais serão definir rotas prioritárias para estações de recarga em rápida em rodovias, buscar parceiros para a criação dessa rede de recarga (postos, concessionárias de rodovias, empresas de energia) e identificar possíveis estímulos para eletrificados, como redução de impostos e taxas, isenção de rodízios etc.

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