BMW e Mini terão interiores "veganos" em 2023

Marca vai usar materiais de origem não animal para reduzir emissões de CO2 e chegar à neutralidade climática até 2050

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Roberto Dutra
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A notícia é, no mínimo, curiosa: o BMW Group anunciou que os modelos das marcas BMW e Mini terão, a partir de 2023, interiores "veganos". Como será isso? Simples: os veículos usarão acabamentos e forrações sem materiais provenientes de origem animal.

Explicamos: a fabricante quer alcançar a neutralidade climática até 2050. Parte desse esforço vem, obviamente, da redução progressiva nas emissões de CO2 ao longo de todo o ciclo de vida de um veículo e a seleção de materiais tem papel fundamental para atingir esse objetivo.

 

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O iX já usa muitos materiais recicláveis e deverá servir de exemplo para os outros modelos BMW e Mini
Crédito: Divulgação
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O BMW Group diz que substituição de matérias-primas de origem animal contribui significativamente para o aumento da sustentabilidade na produção de veículos. Além disso, a demanda por interiores 100% livres de materiais de origem animal tem crescido em todo mundo, especialmente na China, nos Estados Unidos e na Europa.

A marca ressalta que a troca dos materiais não irá afetar em nada a qualidade e o requinte, aspectos tradicionais nos interiores dos carros do BMW Group. Inclusive o uso de materiais ecologicamente corretos no interior já pode ser visto em modelos o BMW i3 e o BMW iX.

Os novos materiais poderão ser vistos, por exemplo, nos volantes dos automóveis, que devem cumprir critérios exigentes em termos de toque, aparência premium e resistência ao desgaste. Nos volantes, aliás, a BMW diz que a única diferença que os clientes sentirão será uma textura mais "granulada".

O novo material da superfície do volante reduz as emissões de CO2 ao longo da cadeia de produção em cerca de 85%, em comparação com o couro.

A BMW diz que a única diferença nos volantes "veganos" estará na pegada, já que o material será mais granulado
Crédito: Divulgação
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Hoje quase 80% das emissões produzidas ocorrem na forma de gás metano oriundo da criação de gado. Os 20% restantes vêm do processamento do couro bovino, que exige muita energia e água.

Um volante, apenas, pode parece pouco, mas quando se fala em produção de alta escala os números crescem. Por exemplo, os tapetes para vários modelos são feitos de um único material, evitando assim materiais misturados que, depois, seriam mais difíceis de reciclar.

Como resultado, o BMW Group economiza cerca de 23.000 toneladas de CO2 e 1.600 toneladas adicionais de resíduos todos os anos, uma vez que os tapetes reciclados e os resíduos também são reutilizados no processo de produção.

Zerar será um processo longo

Mas será um longo processo. A BMW considera que chegar a menos de 1% no uso de materiais de origem animal já será uma vitória, mas zerar será mais difícil.

A própria marca diz que, em certo momento, esses materiais só serão encontrados em áreas não visíveis, caso de substâncias cerosas como a gelatina usada em revestimentos de proteção, a lanolina em tintas, o sebo como aditivo em elastômeros e a cera de abelha como fundente para tintas.

- Com um volante feito de material vegano cuja que proporcione uma superfície de alta qualidade, estaremos atendendo ao desejo de nossos clientes que exigem visual, funcionalidade e pegada de alta qualidade - disse Uwe Köhler, chefe de desenvolvimento de materiais externos e internos do BMW Group.

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