E o Brasil - quem diria - é atualmente o principal mercado de exportação dos carros eletrificados chineses. Dados da China Passenger Car Association (CPCA) apontam que, entre janeiro e maio deste ano, um total de 130.967 veículos foram enviados da China para os portos brasileiros.
Com esse resultado, o Brasil, que começou 2024 bem longe de ser o maior comprador de carros híbridos e elétricos feitos na China, hoje está na frente de país como Bélgica (115.318 unidades), Reino Unido (67.956 unidades) e Tailândia (54.744 unidades).

Esse domínio dos eletrificados chineses no mercado brasileiro fica bem claro nos números do mercado. No ranking dos mais vendidos, dos dez carros híbridos e elétricos mais emplacados em maio, sete foram automóveis importados da China.
O campeão foi o BYD Dolphin Mini, um subcompacto elétrico que emplacou 2.104 unidades. Já entre os híbridos, o modelo mais vendido foi o plug-in BYD Song Plus, com 1.559 unidades.
Os únicos brasileiros que aparecem na lista são o Toyota Corolla Cross, com 1.304 emplacamentos, e os híbridos leves Caoa Chery Tiggo 7 (466 unidades) e Tiggo 5x (351 unidades), que apesar de ostentarem o logo uma marca chinesa na grade, são produzidos em Anápolis (GO).
Uma explicação está justamente no fato de esses automóveis híbridos e elétricos chineses terem chegado para ocupar faixas até então inexploradas pelos fabricantes mais tradicionais no nosso mercado.
Até o "boom" dos eletrificados chineses, boa parte dos híbridos e elétricos vendidos no Brasil era de marcas premium, posicionados em faixas mais elevadas do mercado. Hoje, é possível encontrar vários chineses eletrificados na mesma faixa de veículos 100% a combustão.
Um deles é o Renault Kwid E-Tech, que sai por R$ 99.990 e é o elétrico mais barato do Brasil. Curiosamente (ou não), apesar de levar o losango da marca francesa na grade, o subcompacto é importado da China.
Além do preço de aquisição relativamente baixo, esses automóveis feitos no país asiático também atraem a clientela pelo custo-benefício, ao oferecer carros bem equipados e com conjuntos mecânicos bem atraentes.
Tanto que é chinês também o carro híbrido plug-in mais acessível do Brasil - o BYD King, que parte de R$ 175.800. O principal concorrente, o Toyota Corolla Altis Hybrid, é até mais completo. Mas é mais caro (R$ 190.120) e tem conjunto motriz híbrido autocarregável.