A BYD tem tido vários motivos para comemorar, no Brasil. Com quase 113 mil emplacamentos em 2025, é a chinesa mais bem-sucedida do nosso mercado e o subcompacto elétrico Dolphin Mini fechou os últimos dois meses como o automóvel mais vendido no varejo. Esses fatores fazem com que a operação brasileira da gigante industrial asiática seja, atualmente, a mais importante do grupo fora da China. E com todos os ventos a favor, há espaço para a operação brasileira da BYD agir ainda mais como fabricante "plena" de automóveis do que como importadora de veículos?
Modelos BYD brasileiros
Em pouco mais de quatro anos, a BYD foi de uma marca "exótica" para a 5ª maior marca de automóveis do país. Um avanço impressionante, principalmente considerando que os carros chineses já foram alvo de muito preconceito no Brasil.E depois de iniciar a montagem dos primeiros carros na fábrica de Camaçari (BA), a BYD começou a desvincular o desenvolvimento dos modelos da linha brasileira daqueles vendidos na China.
Embora, à primeira vista, possa parecer um retrocesso, essa estratégia está ligada a uma necessidade de adequação da sua gama de produtos ao nosso mercado. O mercado chinês é atualmente o mais aquecido do mundo, com uma infinidade gigantesca de marcas quase saindo no tapa para conquistar o cliente.
Uma competição tão brutal que a vice-presidente executiva da BYD e presidente da BYD Americas, Stella Li, em entrevista a um grupo de jornalistas brasileiros no Salão de Pequim, disse acreditar que muitas delas não vão estar no mercado daqui há 10 anos.
Mas, para não estarem nessa lista de marcas que vão sumir até a próxima década, as marcas chinesas se forçaram a reduzir artificialmente a vida de um produto, para nunca perder o fator novidade.
"Na China, o ciclo de vida de um produto é muito rápido. Em um ano e meio você já precisa mudar um modelo", destacou Stella Li.
Enquanto isso, no restante do mundo, é normal que um automóvel passe, no mínimo, de dois a três anos antes da primeira reestilização.
BYD brasileiros e chineses
Stella Li complementa que isso não significa que todos os BYD vendidos nas concessionárias brasileiras serão totalmente desconectados dos chineses. Mas que o ciclo de desenvolvimento de alguns produtos, eventualmente, será diferenciado em relação ao que se fará na matriz. Pratica que, aliás, é comum a outras marcas operando no Brasil e no mundo.Vice-Presidente da BYD Brasil, Alexandre Baldy detalhou essa dinâmica de carros dedicados especialmente para o nosso mercado, que já começou a ser posta em prática.
Exemplo disso disso é o elétrico Dolphin, que ganhou recentemente a versão Special Edition, com motorização de 177 cv de potência e visual atrelado ao do carro vendido na China. Mas que, segundo Baldy, não vai "matar" o Dolphin "tradicional".
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E essa prática será reforçada nos próximos anos com a transformação da fábrica de da Bahia em um complexo que reunirá também fornecedores de componentes e um centro de pesquisa e desenvolvimento de automóveis. Além disso, a marca também vai inaugurar um complexo de R$ 300 milhões para testes de veículos, no Rio de Janeiro (RJ) - a chamada BYD Racetrack.
Isso permitirá não só que alguns carros sejam mantidos em linha exclusivamente no Brasil. Mas, também, que algumas tecnologias de ponta - como a direção semiautônoma - sejam aperfeiçoadas e calibradas para a realidade das ruas brasileiras.
"O desenvolvimento de novos produtos será feito em Camaçari (BA). A partir do produto feito, todo o trabalho de desenvolvimento de tecnologias acontecerá no nosso centro de experiências e pesquisas no Rio de Janeiro", finalizou.
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