Entre as muitas discussões sobre mobilidade, os carros autônomos certamente são lembrados como uma solução para melhorar o trânsito e reduzir os acidentes nas grandes cidades. Além disso, o carro autônomo permite que os usuário realize atividades de lazer ou de trabalho nos trajetos.
E nessa corrida por automóveis capazes de dispensar o motorista nos deslocamentos, as montadoras já têm a concorrência de grandes empresas de tecnologia, como a Alphabet (conglomerado do qual faz parte o Google), Uber, entre outras. A previsão é que os primeiros carros totalmente autônomos cheguem às ruas até 2030.
Embora registros históricos apontem que nos anos 1930 já existiam carros controlados à distância por um operador, o primeiro veículo realmente autônomo foi apresentado há mais de 50 anos pela alemã Continental para observar o comportamento dos pneus de maneira científica em condições reais de uso.
O sistema aplicado em um Mercedes-Benz 250 Automatic foi desenvolvido em 1968 pelas empresas Siemens e Westinghouse em parceria com as universidades de Darmstadt e Munique.

Naquela época, o carro já era capaz de rodar por conta própria devido a dispositivos eletromecânicos ou eletropneumáticos, que acionavam o acelerador e os freios, além de controlar a direção. Um cabo de aço esticado na pista de testes definia a trajetória que o veículo devia seguir. Antenas de rádio transmitiam os dados para uma torre de comando, enquanto câmeras na parte inferior do carro gravavam o que acontecia com os pneus.
Para funcionar sem a intervenção humana, o carro autônomo depende da integração de uma série de sistemas dedicados à sua condução. O mais importante é a inteligência artificial, que fará toda a análise da situação para intervir quando necessário.
GPS de alta precisão: mais avançado que o dos navegadores atuais, são capazes de mostrar a localização precisa do veículo com uma margem de leitura de apenas 2 centímetros (hoje, essa leitura é feita a 4 metros do carro).
Câmeras: complementam o GPS para determinar a posição do veículo, inclusive auxiliam nas manobras de estacionamento.
Sensores e radares: fazem a leitura do que acontece ao redor do veículo para que os demais sistemas atuem com precisão. Mostram outros veículos, pedestres, ciclistas, animais e objetos na via.
Controle de cruzeiro adaptativo: acelera, freia e retoma a aceleração automaticamente. É orientado por radares que analisam a distância dos veículos à frente.
Assistências de manutenção e mudança de faixas: permitirá, a partir do nível 4 de automação, que o veículo mude sozinho de faixa nas rodovias.
Os carros atuais já possuem algum grau de autonomia de condução, como o controle de cruzeiro adaptativo e os sistemas capazes de frear e até mudar a trajetória do veículo ao detectarem uma situação de emergência (aproximação do veículo da frente, travessia de pedestres e ciclistas). Mas modelos 100% autônomos só deverão ser lançados na próxima década.
Nesse meio tempo, os veículos ganharão tecnologias autônomas em etapas. De acordo com a SAE Internacional (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade), esse processo será dividido em cinco fases.
As três primeiras etapas exigem a presença do condutor para observar e, se necessário, intervir na operação do veículo, mesmo com o auxílio de tecnologias responsáveis pela aceleração, frenagem e de mudança de trajetória em algumas situações.
Somente a partir da quarta fase é que os carros serão capazes de assumir o controle total da direção: captarão informações do que acontece ao redor e se comunicarão com outros veículos inteligentes com foco total na segurança viária.
Ainda assim, o quarto estágio de automação ainda exigirá que os motoristas conduzam os veículos nas cidades. Na estrada, a tecnologia será capaz de levar o usuário do ponto A ao ponto B sem precisar da interferência humana durante o deslocamento.
Somente na quinta fase é que o veículo assumirá o controle total, tanto em trechos urbanos como em viagens, e executará todas as tarefas inerentes ao motorista.
Embora as tecnologias autônomas tenham avançado com o passar dos anos, as leis de trânsito de muitos países ainda não mostram sinais de mudança para lidar com a nova realidade. Além dos entraves técnicos e econômicos, algumas questões jurídicas relacionadas a veículos autônomos ainda não têm respostas.
Será preciso revisar a legislação de trânsito para definir, por exemplo, de quem será a responsabilidade no caso de uma colisão que envolva um veículo autônomo. A culpa será do usuário, que estava distraído enquanto o carro o conduzia, ou do fabricante, que não criou uma tecnologia capaz de evitar um acidente?
Atualmente não há uma legislação de trânsito específica no mundo para esse tipo de veículo. Alguns países, como Alemanha, China e Estados Unidos, possuem apenas regulamentos para testes de carros autônomos.
Além disso, será necessário investir muito dinheiro na adequação de ruas e estradas, uma vez que as tecnologias autônomas também utilizam a sinalização da malha viária para se orientar.
Os primeiros carros com nível mais elevado de automação devem ir da fase 2 para o estágio 4, segundo os planos anunciados pelas alemãs Audi, BMW e Mercedes-Benz. A sueca Volvo também está na corrida com um tecnologia que é desenvolvida em parceria com a Uber.
A BMW já revelou que pretende lançar a versão de produção do modelo Vision iNext ainda em 2021. O primeiro carro autônomo da marca bávara conta com a parceria da arquirrival Mercedes-Benz no desenvolvimento da tecnologia.
A nova geração do Volvo XC90 será o primeiro carro da marca capaz de rodar sem a intervenção de um motorista. O modelo deverá ser apresentado ainda este ano.
O novo Mercedes-Benz Classe S já foi lançado, mas será o responsável pela introdução de tecnologias autônomas de nível 4 entre os carros da marca. O lançamento está previsto para 2022.
Já a Audi chegou a anunciar que o sedã A8 seria o primeiro carro autônomo nível 3 do mundo, mas questões ligadas à legislação atrasaram os planos da marca. É provável que a próxima geração do A8 seja lançada na Europa no ano que vem já com automação de nível 4.