Os subcompactos Fiat Mobi e Renault Kwid são os automóveis zero-quilômetros mais acessíveis do Brasil, embora custem mais de R$ 65 mil e estejam longe do conceito tradicional de carro popular, já que, por força da legislação, têm mais equipamentos tecnológicos e de segurança que muitos completões do passado.
Recentemente, o presidente da Stellantis para a América do Sul defendeu que a indústria deveria se unir em volta do projeto de automóveis baratos de comprar e de manter, ainda que fazendo algumas concessões, como em espaço e desempenho.
Dentro desse contexto, será que haveria espaço para uma nova categoria de carros populares? Enquanto esses automóveis baratos, pelados e acessíveis não voltam ao mercado, relembre a seguir alguns modelos "populares" com motorização 1.0 que deixaram a sua marca na história.

Em 1988, a brasileira Gurgel - mais conhecida pelos utilitários feitos sobre base Volkswagen - inovou ao lançar o subcompacto BR 800.
Urbano, simples e com carroceria em fibra de vidro, saía da fábrica em Rio Claro (SP) com um motor 0.8 boxer de dois cilindros e 32 cv. O BR 800 serviu de base para o Supermini, que era (um pouco) menos espartano.

Lançado em 1990, o Fiat Uno Mille foi o modelo que inaugurou o conceito de carro popular, combinando a carroceria do compacto Uno com um motor 1.0. Era uma estratégia para se beneficiar do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido naquele ano para carros com menos de 1.000 cm³.
Com visual ainda bastante atual para a época, o Uno Mille era produzido com um motor de 993 cm³ e 48,5 cv e surpreendia pelo despojamento: os bancos dianteiros não tinham apoio de cabeça ou regulagem do encosto. Estavam ausentes também o retrovisor do lado direito e as saídas laterais de ventilação.
Hoje, os motores 1.0 turbo que equipam alguns compactos são sinônimo de bom desempenho. Mas do lançamento do Mille até o fim dos anos 1990, quem queria um carro pequeno para acelerar forte ficava bem distante dos automóveis com motores de menos de 1.000 cm³.
O primeiro a quebrar esse paradigma foi o Gol 1.0 16V Turbo, lançado em 2000. Com cabeçote multiválvulas e sobrealimentação, o motor EA 111 foi a 112 cv. Uma marca digna dos 2.0 aspirados da época. Uma pena que o carro passou longe do sucesso esperado e se aposentou em 2003 como o único Volkswagen Gol turbo de fábrica.
Lançado em 2000, o Chevrolet Celta era uma espécie de volta ao passado. Mas no bom sentido... pelo menos para os fãs dos carros populares. Naquela época, como o próprio Gol Turbo deixou claro, os modelos 1.0 já estavam ficando mais equipados e sofisticados.
Foi nesse cenário que surgiu o Celta. Feito sobre a base do Corsa, tinha várias soluções de projeto pensadas para que o hatch fosse um automóvel acessível. Até 2015, foi um dos carros mais baratos do mercado brasileiro, disputando o publico com outros espartanos como o Fiat Palio Fire e o Volkswagen Gol "G4".
No lançamento do SUV compacto EcoSport, em 2003, a Ford fez o impensável para a época: botou como opção de motor para a versão mais básica o 1.0 8V Zetec Rocam sobrealimentado com um compressor volumétrico, para desenvolver 95 cv.
Com isso, o EcoSport se tornou o primeiro SUV 1.0 do mercado brasileiro. Algo que é comum nos dias atuais, mas causou estranheza na época. Tanto que, atualmente, esses Eco 1.0 são verdadeiras moscas brancas.
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