A Abeifa, associação que reúne importadores, divulgou nesta sexta-feira (2) balanço referente ao mês de setembro. De acordo com os números, os licenciamentos tiveram alta de 4,8% em relação a agosto, com 2.703 unidades negociadas pelas marcas associadas. No acumulado do ano, 19.841 veículos foram comercializados. O recuo é de 20,8% sobre igual período de 2019.
De acordo com a associação, além da pandemia do novo coronavírus, pressão cambial e taxa básica de juros baixa durante o ano (hoje, a 2%) foram fatores determinantes para o desempenho ruim dos importados no mercado brasileiro em 2020.
“Continuamos com uma previsão de câmbio médio a R$ 5,25, e uma Selic que vai continuar baixa por bastante tempo. Esta combinação dólar apreciado, real desvalorizado e Selic baixa continuará gerando pressão sobre os importadores”, afirmou João Henrique Oliveira, presidente da Abeifa.
O dirigente voltou a reforçar a necessidade da redução do imposto de importação, que hoje é de 35%, para 20%. Além disso, Oliveira também defendeu melhor adequação das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos híbridos e elétricos.
“Este é um governo que foi eleito com a pauta do liberalismo econômico. É preciso abrir o mercado para o comércio global. A taxação de veículos importados é quase proibitiva no Brasil. [...] Temos algumas distorções no Brasil que não deveriam acontecer”, ressaltou.
Dos importadores associados a Abeifa, quem se destacou foi a Porsche. A marca alemã foi a única a vender mais no acumulado de 2020 do que no mesmo período de 2019: 2.023 unidades foram comercializadas, contra 1.245 entre os meses de janeiro e setembro do ano anterior; alta de 62,5%.
Por outro lado, considerando veículos produzidos no país e importados pelas associadas, a JAC sofreu retração de 62,4%, com apenas 576 licenciamentos.
A Abeifa projeta para 2020 que suas associadas vendam 58 mil unidades, sendo 29.500 destas produzidas em território nacional. Caso se concretize, esta será a primeira vez em que os importadores comercializarão mais carros montados no Brasil. Ainda de acordo com as estimativas, importados, que sofreram com as variáveis macroeconômicas, fecharão o ano em queda de 17,4%.
Embora os números não sejam tão bons, a Abeifa acredita que seus associados “se defenderam bem” durante a crise, e garantiu que nenhuma marca chegou a manifestar interesse de deixar de operar no mercado brasileiro.
Além disso, crê que os importadores poderão, no futuro, fazer uma “readequação de portfólio” a fim de permanecer no país. O panorama pode até não ser dos melhores, mas, para a associação, poderia ter sido pior.
“Não ter pensado [num cenário desfavorável] acabou, de certa forma, nos ajudando a atravessar esse ano. Nossas marcas vinham com estoque relevado em 2020, comprado em períodos anteriores, quando não havia ocorrido a disparada do dólar. Talvez nosso otimismo tenha feito com que atravessássemos melhor essa situação”, salientou João Henrique Oliveira.