Os milionários chineses continuam se multiplicando; é comum você encontrar em frente a um restaurante cinco estrelas na Din Tai Fung, a mais badalada avenida das lojas de luxo em Xangai, dois ou três Rolls Royce estacionados, um Bentley chegando, uma Ferrari saindo. É um desfile de luxo sobre rodas.
Por isso as empresas que fabricam carros de luxo correm atrás desse potencial, que parece inesgotável, produzido no país ou levando para lá os seus produtos para atender a crescente demanda.
A notícia do crescimento da Porsche na China é apenas a constatação do grande espaço que as marcas premium estão conquistando no país. Ela lançou no ano passado o Cayenne GTS, o novo 911 e o novo Boxter. Este ano lançou o 911 Carrera e terá ainda os híbridos 918 Spyder e o utilitário esportivo Macan. Para 2014 a empresa vai inaugurar um Centro de Tecnologia em Xangai.
A BMW já fabrica na China e está ampliando a capacidade de produção. Em parceria com a chinesa Brilliance, investiu 1,5 bilhão de euros e terá capacidade de produzir 500 mil unidades no país. A China se tornou o mais importante mercado da BMW.
A Infiniti, marca de luxo da Nissan, também quer conquistar uma fatia desse atraente mercado: vai fabricar dois modelos na China a partir do ano que vem, com investimento de US$ 315 milhões. A capacidade de produção estimada é de 250 mil unidades, metade da meta traçada para 2016 para a produção global, que é de 500 mil carros.
Outra alemã, a Audi é a marca de luxo mais vendida no mercado chinês: foram 400 mil unidades em 2012, um aumento de 29,6 % em relação ao ano anterior. O A4 L, o A6 L e o Q5 são fabricados em Changchun; venderam 322.700 unidades no ano passado. Os importados cresceram ainda mais: 83%, com destaque para o luxuoso utilitário esportivo Q7 e os sedãs A8/S8, que no Brasil custam em torno de R$ 500 mil.
A super luxuosa Bentley, que pertence ao grupo Volkswagen, vendeu mais carros na China em 2011 do que a Grã-Bretanha, o que ocorreu pela primeira vez nos 92 anos da história da marca. O mercado chinês já é o segundo do mundo para a marca inglesa, perdendo apenas para os Estados Unidos. A expectativa é continuar crescendo.
A Lexus, marca de luxo da Toyota, cresceu 56% no ano passado (vendeu cerca de 80 mil unidades), apesar dos problemas de entrega, por causa dos terremotos e do tsunami. A japonesa vende na China 15 modelos, sendo quatro híbridos.
Menos de uma década depois de ter sido considerada a capital mundial da bicicleta, a China se transformou no maior mercado de carros de luxo, ultrapassando pela primeira vez o mercado estadunidense. Graças ao país, a Rolls-Royce - símbolo maior do luxo sobre rodas - encerrou o ano com recorde de vendas. A Rolls Royce produz modelos especialmente para os chineses, como Phantom estendido e uma edição limitada para comemorar o ano do Dragão, vendida a US$ 1,6 milhão. Em 2011, a China foi o país que mais comprou veículos da Rolls-Royce, tirando os Estados Unidos do primeiro lugar no ranking pela primeira vez na história. Assim, passou também os demais países consumidores de super luxo, como Grã Bretanha, Emirados Árabes e Japão.
O formidável desempenho na economia chinesa e a explosão de consumo de produtos de luxo são tão excepcionais que os investidores pensam grande. Crescimento abaixo da média é sinal de incompetência. Tanto que a Lamborghini anunciou que o mercado chinês estaria “perdendo o fôlego”. Isso porque, a expectativa da empresa no ano passado era crescer “só” 20%, bem abaixo do crescimento registrado no ano anterior, que foi de 70%.
Cá entre nós: vindo de uma empresa da combalida Zona do Euro, a piadinha não tem a menor graça.
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