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China recua na produção de carros autônomos

Acidente com vítimas fatais levou o governo chinês a reduzir o incentivo à produção desse tipo de veículo. E agora?

por Fernando Calmon

Um acidente grave que resultou na morte de três estudantes universitárias, em março de 2025, levou os reguladores chineses a reduzir o incentivo o programa de automóveis autônomos apenas em dezembro último.
O carro, um sedã elétrico Xiaomi SU7, apresenta linhas claramente “inspiradas” nas do Porsche Taycan. O SU7 vem com sistema próprio de automação de Nível 2,5 e se chocou contra um obstáculo de interdição parcial de pista em uma rodovia. Na realidade, outros acidentes semelhantes já haviam ocorrido, mas os censores chineses impediram a ampla divulgação. A Xiaomi tem forte presença em telefones celulares no Brasil e na China é considerada uma das campeãs nacionais em tecnologia de ponta. Isso a levou a produzir automóveis e partir para enfrentar a Tesla, que também se envolveu em vários acidentes até agora investigados nos EUA.

O Nível 2,5 atual obriga os motoristas a manterem as mãos no volante e que estejam prontos para intervir quando alertados do risco de acidente.
Vários acidentes, alguns fatais, ocorreram com os Tesla nos EUA e a empresa enfrenta investigações. Em 2018, um Volvo XC90 autônomo Nível 4 durante teste noturno da Uber envolveu-se em atropelamento fatal de uma ciclista. Antes, em 2016, o motorista de um Tesla morreu ao se chocar contra um caminhão-baú branco não detectado pela câmera do automóvel.
Veja também Os carros autônomos experimentais continuam a ser avaliados em vias públicas nos EUA. Europa e Japão estão bem mais cautelosos. Pesquisa recente nos EUA indicou 9,1 acidentes por um 1,6 milhão de quilômetros rodados com veículos autônomos e 4,1 acidentes (menos da metade) em veículos dirigidos por motoristas de carne e osso. GM, Uber e antes a Apple desistiram, mas a Waymo (Google) continua.

A China também acaba de proibir, a partir de 2027, o uso de maçanetas externas retráteis em carros elétricos. Estes deverão dispor de sistemas mecânicos internos e externos para que as portas possam ser abertas em caso de acidentes.
Há risco de pessoas ficarem presas dentro dos veículos, sem que socorristas tenham como abri-las. Pelo menos uma maçaneta interna terá que ser claramente identificada e não meio escondida, como em alguns modelos atuais.
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