Apesar da diversificação que o mercado brasileiro sofreu nos últimos anos, com a chegada de marcas diferentes e a instalação de novas fábricas, as vendas continuam concentradas nos modelos e marcas que sempre dominaram seus respectivos segmentos. Com isso, bons carros acabam com papel secundário no mercado.
O fato de o consumidor brasileiro ainda dar preferência a modelos de melhor revenda, bem como estratégias malsucedidas de fabricantes que erram o posicionamento de seus produtos, faz com que modelos interessantes vendam pouco.
O WM1 mostra abaixo cinco exemplos de bons carros que têm potencial para vender melhor, mas são praticamente esquecidos pela maioria dos consumidores. Confira:
A nova geração do 208 foi lançada no segundo semestre de 2020 após muita expectativa. No entanto, o hatch fabricado na Argentina ainda não conseguiu embalar nas vendas, muito por ser mais caro que concorrentes mais consolidados no mercado. Apesar do bom nível de equipamentos e da construção sofisticada, o modelo vendido em nosso mercado manteve o motor 1.6 aspirado da geração anterior – enquanto os rivais oferecem motorizações turbo.

Bonito e bem construído, o Cerato ganhou uma motorização mais condizente para o seu porte nesta geração: trocou o 1.6 aspirado de 128 cv por um 2.0 aspirado de 167 cv. Mas isso não foi o suficiente para tomar uma parcela das vendas de Toyota Corolla, Honda Civic, Chevrolet Cruze e Volkswagen Jetta. Segundo a Fenabrave, o Cerato registrou ínfimos 1.246 emplacamentos em 2020.

Tecnicamente, a Frontier não decepciona frente às rivais. As motorizações turbodiesel entregam potência e torque na média da categoria (160 cv e 41 kgf.m e 190 cv e 45,9 kgf.m, combinadas ao câmbio manual de seis marchas ou automático de sete velocidades, respectivamente), sempre com tração 4x4 e reduzida.

O nível de equipamentos é bom, com direito a teto solar na versão topo de linha, embora faltem sistemas de assistências de condução semiautônoma, presentes em algumas concorrentes. Os preços pouco competitivos muito provavelmente influenciaram nos apenas 8.077 emplacamentos registrados no ano passado.
A picape derivada da primeira geração do SUV Duster inaugurou um segmento, mas foi logo ofuscada pela Fiat Toro. Para efeito de comparação, a Oroch vendeu apenas 6.070 unidades em 2020 enquanto a rival emplacou nada menos que 53.974 exemplares.

Ainda assim, o modelo da Renault tem bons predicados, como a mecânica robusta, as suspensões confortáveis e o espaço interno superior ao das picapes pequenas de cabine dupla. Tanto motorização 1.6 quanto a 2.0 atendem bem quem busca uma picape para uso de lazer ou até comercial. No entanto, a versão equipada com o arcaico câmbio automático de quatro marchas deve ser evitada pelo elevado consumo de combustível.
O SUV da marca francesa foi lançado em 2015, mesmo ano da estreia de Honda HR-V e Jeep Renegade, mas nunca chegou perto dos rivais em números de venda - 4.602 emplacamentos em 2020. Além do menor apelo da Peugeot em nosso mercado, o 2008 foi prejudicado por oferecer o câmbio automático de seis marchas somente em 2019 (antes era de quatro marchas).

A versão topo de linha traz bom nível de equipamentos e ágil motor THP 1.6 turbo de 173 cv, que proporciona um dos melhores desempenhos da categoria.