Os países da União Europeia, finalmente, começam se preocupar com a descasamento entre a necessária atenção às mudanças climáticas e o longo caminho de adaptação da indústria automobilística.
A pressa é inimiga da perfeição, já dizia o jurista Rui Barbosa, no início do século passado. E a Europa só agora começa a constatar que não pode manter incentivos fiscais por longos períodos para apressar as vendas de veículos elétricos, sem desequilibrar as contas públicas e comprometer o tempo necessário para adaptação da indústria e sua extensa cadeia de fornecedores.

Matias Giannini, brasileiro e presidente executivo da multinacional Horse Powertrain, chama atenção para o fato de que mais da metade dos veículos produzidos no mundo ainda dependerá de motores de combustão em 2040.
Também aponta o acerto do Mover (Programa Mobilidade Verde e Inovação) criado pelo Brasil. O País estabeleceu assim um marco regulatório claro, de longo prazo. Criou incentivos fiscais para pesquisa e desenvolvimento, sem esquecer de uma metodologia de contabilidade de gás carbônico (CO²) com base no ciclo de vida dos veículos.
Primeiramente, da origem da geração de energia até as emissões no escapamento dos carros. Em uma segunda etapa, a desmontagem e reciclagem total.
"O Brasil demonstra ser possível reduzir emissões de carbono sem destruir toda uma cadeia produtiva ou perder competitividade. E faz isso ao levar em conta sua matriz energética limpa, seus biocombustíveis e uma política industrial coerente. Um modelo que pode, sim, inspirar a Europa nesse momento", conclui Giannini.

A Horse Powertrain, sediada em Londres, tem 17 fábricas em três continentes, incluindo a de São José dos Pinhais (PR), e cinco centros de Pesquisa e Desenvolvimento. É uma sociedade entre o Grupo Renault que inclui Nissan e Mitsubishi (45%), a chinesa Geely (45%) controladora de Volvo, Polestar, Lotus, ZEEKR, Lynk & Co, Livan (anteriormente Lifan), Proton, London Electric Vehicle Company (LEVC) e a submarca de SUVs elétricos Geometry, além do grupo árabe saudita de petróleo e gás Aramco (10%).
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