E quem disse que milagres não existem? Já nos acostumamos tanto aos carros que ficam mais caros a cada mudança de linha que estranhamos quando acontece justamente o contrário. Sim. A Jeep lançou o Commander 2026 e, apesar da reestilização e das mudanças de conteúdo, o SUV ficou consideravelmente mais barato em todas as versões.
Na linha 2025, o SUV médio tinha versões entre R$ 231.490 e R$ 340.990. Já na linha 2026, o modelo estreia com valores entre R$ 220.990 e R$ 324.990. Redução significativa nos preços. Mas que fica ainda mais impressionante quando se analisa o que aconteceu na gama de versões do Commander 2026.
É que a variação de entrada, a Longitude de cinco lugares - essa que custava R$ 231.490 - saiu de cena e a Longitude de sete lugares passou - novamente - a ser a opção mais acessível da linha. Com isso, um carro que era vendido por R$ 240.490 na linha 2025 agora é comercializado por R$ 220.990.
O discurso oficial dos executivos da Jeep no lançamento da linha 2026 do Commander é de que a marca sempre está atenta ao mercado e, por isso mesmo, resolveu reajustar para baixo os preços do modelo.
Traduzindo o "executivês" para o português, o que eles quiseram dizer é que o Commander estava caro e era preciso baixar os preços para melhorar a competitividade do produto.
E preço competitivo nunca é demais. Afinal, essa faixa de R$ 200 mil a R$ 350 mil é uma das mais lotadas de opções de produtos no mercado brasileiro de SUVs.
Olhando apenas os concorrentes diretos - SUVs médio de sete lugares e 100% a combustão -, o único carro que bota pressão no modelo da Jeep é o Caoa Chery Tiggo 8, que além da versão a combustão tem uma opção híbrida plug-in.
Pouco mais de 96% das vendas do Tiggo 8 foram da versão Pro, que custa R$ 199.990 mas oferece um pacote muito competitivo, com motor 1.6 turbo de 187 cv de potência e um completíssimo pacote de equipamentos.
E como todo mundo só quer saber de levar mais por menos, o Tiggo 8 vendeu mais que o Commander no semestre. Foram 7.467 emplacamentos, ante as 7.218 unidades do modelo da Jeep.
Mas, como eu falei lá em cima, a concorrência é bruta nessa faixa de preço e o Tiggo 8 é só um dos problemas enfrentados pelo Commander. Olhando toda a gama do SUV da Jeep, o modelo também briga diretamente com outros utilitários esportivos de propostas diferenciadas, porém na mesma faixa de mercado.
Entre os concorrentes médios e 100% a combustão, mas com cinco lugares, estão o Ford Territory (R$ 215 mil) e o Volkswagen Taos (de R$ 206.990 a R$ 231.990).
E é preciso botar nessa nessa lista também os SUVs médios híbridos de cinco lugares, como os GWM Haval H6 (de R$ 199 mil a R$ 288 mil), o BYD Song Plus/Premium (R$ 249 mil e R$ 299.800), e o Jaecoo 7 (de R$ 229.990 a R$ 249.990).
Já no topo da gama, o Commander Blackhawk brigava diretamente em preço com o GWM Tank 300, um híbrido plug-in 4x4 de 394 cv de potência e preço de R$ 339 mil.
Dentre esses concorrentes que eu citei acima, o Taos e o Haval H6 venderam bem mais que o Commander no semestre. Foram 8.550 unidades e 12.673 unidades, respectivamente.
Até a linha 2025, o que acontecia era que o Commander mais barato era caro demais para brigar com outros SUVs de cinco lugares e 100% a combustão. Já o topo de linha Commander Blackhawk superava o preço de outros SUVs médios mais potentes e com a motorização híbrida.
Considerando que, até a linha 2025, as versões flex - as mais acessíveis da linha - tinham uma participação de 50% no mix de vendas do modelo, dá para prever que os novos preços terão impacto positivo nas vendas do Commander.
Além de ter melhorado a competitividade das versões mais caras, a Jeep voltou a ter, na base da pirâmide, um Commander competitivo para brigar com SUVs a combustão menores e que levam cinco pessoas. E com o arquirrival Tiggo 8, é claro!



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