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Como deverá ser o futuro do Salão do Automóvel

Os grandes eventos automotivos que conhecemos precisavam mudar. E a pandemia do coronavírus só antecipou a transformação

por André Deliberato

Hoje vou contar uma história aqui no WM1 que talvez muita gente não queira ouvir. Mas os tradicionais salões de automóveis, como conhecemos, já eram.
Os eventos, se voltarem a existir, deverão ser diferentes e totalmente distintos da forma como eram feitos, vistos e visitados até pouco tempo - especialmente o de São Paulo, que viveu 58 anos (1960-2018).
A tendência, segundo especialistas de todo o mundo, é que esses eventos se transformem em locais de negócios, demonstrações de tecnologias e - principalmente - possibilidades comerciais.

Como o WM1 viu acontecer na Agrishow, na semana passada, e como o mundo vê acontecer em todo começo de ano na CES, a feira de tecnologias de Las Vegas, nos Estados Unidos, onde as empresas apresentem novidades que vão além dos carros.
E tudo isso com um diferencial importante: a possibilidade de poder vender os produtos expostos aos visitantes que se mostrarem interessados. Por exemplo: segundo a RAM, foram mais de 50 unidades vendidas durante os cinco dias de Agrishow. Já fontes ligadas à Ford garantem que a empresa também negociou mais de 10 carros por dia na feira.
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Vale lembrar que, no Salão do Automóvel de São Paulo que conhecíamos, o máximo que fabricantes podiam fazer era cadastrar o perfil do interessado e encaminhar o contato à concessionária, que só poderia fazer a venda fora do evento.
Gastar milhões em um espaço onde não é possível vender seu produto obviamente passou a ser desinteressante. Justamente por isso o perfil dos eventos mudou - e mais: diversas montadoras passaram a fazer eventos próprios.
Em todos esses eventos atuais, por sinal, há outra novidade: a interação. Na maioria delas, os visitantes podem entrar nos veículos e até fazer test-drives. Algo bem mais interessante do que simplesmente admirar à distância.
Faz mais sentido, né?
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Como deverá ser o futuro Salão do Automóvel?

É fato que a proposta tradicional do Salão do Automóvel não "vira" mais. É clara a falta de interesse dos fabricantes em gastar tanto dinheiro para expor suas novas ideias em um mundo cada vez mais conectado, onde tais conceitos e novidades podem ser apresentados de forma mais rápida - e barata - com estratégias digitais.
Fontes ligadas aos fabricantes já conversaram com a reportagem do WM1 a respeito durante o último Salão, em 2018, e também um pouco antes do final de 2020, quando era para ter acontecido outra edição - que não rolou por conta da pandemia da Covid-19.
A posição é sempre a mesma, independentemente da marca: "você prefere gastar alguns milhões em um salão que proíbe a venda de carros ou a mesma grana em vários eventos próprios mais baratos e que trazem retorno muito mais positivo?", argumentam.
A resposta parece óbvia.

Transformação é global

Importante ponderar que esse lance das vendas é algo que só acontecia no Salão do Automóvel de São Paulo. É por isso que, hoje, a Agrishow se tornou o "Salão do Automóvel do Brasil". Fiat, Jeep, RAM, Volkswagen, Chevrolet, Ford, Nissan, Mitsubishi e Renault são exemplos de fabricantes que estavam presentes no evento, originalmente uma feira internacional de tecnologia agrícola.
No resto do mundo, porém, a tendência é de que os autoshows também sofram alterações, e sigam a transformação pela qual todo o setor de mobilidade tem passado..
Quem acompanha a evolução do automóvel sabe que as montadoras, com o avanço cada vez maior da tecnologia, deixarão de vender carros e passarão a "comercializar mobilidade" - o que inclui aluguel de carros, car sharing  (compartilhamento de carros) e vários outros tipos de serviço.
É desse modo que devemos imaginar o futuro dos salões: se transformarão em uma espécie de mini-CES, onde as marcas deverão investir ainda mais em soluções para este "novo mundo", que surgiu ao longo dos últimos anos - com carros cada vez mais conectados, eletrificados e autônomos, em vez de meramente mostrar sua atual gama de produtos.

E no Brasil?

Por aqui, a tendência é de que eventos como a Agrishow e festivais monomarcas ganhem cada vez mais força.
Isso significa que os salões que acontecem no mundo todo vão acabar? Como dissemos, não acreditamos no fim desse tipo de evento, mas sim em uma transformação. A maior prova disso foi o Salão do Automóvel de Genebra, que não aconteceu em 2020 e 2021, e só voltou a acontecer no ano passado.
O Salão de Frankfurt, na Alemanha, é outro exemplo: trocou de cidade em 2021 (o evento foi realizado em Munique) e mostrou um pouco desta nova cara digital e tecnológica que falamos.
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E não só os eventos, mas tudo deve se transformar ainda mais nos próximos anos, o que inclui ainda o perfil e a proposta de cada fabricante de automóveis.
Os próprios carros, como toda a indústria mostra a cada lançamento, deverão se transformar cada vez mais - quando forem autônomos e elétricos, por exemplo, as indústrias químicas e os fabricantes de combustíveis precisarão se reinventar também.
Mas o WM1 reitera: essas mudanças e transformações não significam o "fim" de alguma coisa, e sim o início de um novo cenário.
Esperamos que os próximos passos da indústria, tanto em relação aos carros e suas tecnologias como no que diz respeito à necessidade de realização de um evento, sejam sempre positivas para o consumidor final.

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