A Ford anunciou no fim do mês passado que trará ao mercado brasileiro a picape F-150. A grandalhona, que é a mais vendida do segmento no mundo, deve pintar por aqui em 2023 e terá que bater a concorrência com três rivais da marca RAM: 1500, 2500 e 3500. O trio é sucesso por aqui e conta com fila de espera gigante para os interessados.

A RAM nada sozinha no mercado das picapes grandes no nosso mercado desde 2005, quando começou a comercializar a 2500. Em 2020, a marca do grupo Stellantis lançou outra integrante da família, a 1500, que tem menor porte e motorização a gasolina. A lista foi completa em março, com o anúncio da chegada da 3500 (veja o vídeo abaixo), que tem motorização mais potente que a 2500 e, é claro, cobra mais por isso.
Mas o preço não é um problema no segmento, visto que a picape vendeu mais de 1,1 mil unidades em cinco horas. Os preços das picapes RAM variam entre R$ 460.990 (1500 e 2500) e chegam até R$ 529 mil versão Longhorn 6.7L Turbodiesel CD da 3500.
De acordo com dados da Fenabrave, só nos primeiros meses de venda da sua linha 2022, a RAM 2500, que é vendida na versão Laramie e chega importada do México, registrou 357 emplacamentos. A irmã menor 1500 só anotou 34 unidades, o que deve ser justificado pela escassez de estoque da picape para entrega aos proprietários que já adquiriram o modelo.
Voltemos a F-150. Os números indicam um caminho interessante para a picape grande porte da Ford. A expectativa é que tenha preços nessa mesma faixa das concorrentes RAM, com alguma variação para baixo. Isso porque lá nos Estados Unidos, por exemplo, a Ford F-150 custa US$ 48.065 contra US$ 50.035 e US$ 56 mil cobrados pela RAM 1500 Rebel e 2500 Laramie, respectivamente.
O preço menor e a disponibilidade de estoque — é claro, caso não ocorra o mesmo problema de falta de provisão que acomete as rivais — podem favorecer a picape da Série F.
Um senão da picape seria o fato de provavelmente só trazer opções com motores a gasolina. Atualmente, a gama de versões da picape disponível na terra do Tio Sam, só traz variantes a gasolina e híbridas, o que a coloca distante das rivais 2500 e 3500. A dupla da RAM, diferente da 1500, usam motor a diesel Cummins 6.7L que rende até 377 cv de potência e 117 kgf.m de torque.
Os motores mais cotados para serem trazidos ao país na F-150 são: o V6 2.7 turbo de 329 cv e o V8 5.0 de 400 cv (mesmo do Mustang Mach 1), ambos sempre casados com a transmissão automática de dez marchas.
O presidente da Ford América do Sul, Daniel Justo, disse que a picape grande vem para consolidar a linha da marca no país ao lado da Ranger e da Maverick. Segundo ele, a marca quer reafirmar a autoridade que construiu em todo mundo. "É mais um exemplo de que nós vamos continuar a trazer para o consumidor brasileiro o que existe de mais avançado no mundo”, concluiu Justo, durante a AgriShow, feira agropecuária realizada em Ribeirão Preto, em São Paulo.
Vale mencionar que atualmente a F-150 está na sua 14ª geração e se destaca nessa nova linha pelas inovações introduzidas. Em fevereiro deste ano, a picape comemorou também o marco de 40 milhões de unidades produzidas.
Na prática, podemos dizer que a Ford demorou para decidir trazer a F-150 para o país. Mercado, claramente, a picape terá, resta saber se fará o mesmo sucesso que tem feito nos Estados Unidos e tomará o lugar dos modelos RAM como a picape grande mais vendida.