A apuração jornalística da imprensa automotiva brasileira é excelente. Em maio noticiamos que a DFM (sigla para "Dong Feng Motor") estrearia oficialmente no mercado brasileiro, conforme noticiado pelos colega da AutoEsporte. Tiro certo.
Por aqui, a fabricante será conhecida pela sigla. A operação começará nesta semana, com a estreia no Festival Interlagos de dois modelos elétricos com propostas diferentes: o hatch compacto Box e o SUV compacto Vigo. A pré-venda da dupla deverá ser aberta durante a apresentação oficial.Quais os planos da DFM?
A estratégia é clara. O Box será o modelo de entrada da DFM e terá como principais adversários carros como BYD Dolphin Mini e Geely EX2, enquanto o Vigo deverá ficar um degrau acima, apostar em mais espaço, potência e capacidade de bateria.
A marca pretende usar os dois modelos para conquistar espaço justamente em uma das áreas mais disputadas do mercado brasileiro atualmente: a dos carros eletrificados de preço mais acessível, que faz bastante sucesso no varejo.
Conhecido como Nammi 01 na China, o DFM Box tem 4,02 metros de comprimento, 1,81 metro de largura, 1,57 metro de altura e 2,66 metros de entre-eixos. Apesar das dimensões compactas, o hatch tem porta-malas com capacidade para 326 litros e ainda um "frunk" - como é chamado o compartimento de bagagem dianteiro - para 26 litros.
No Brasil, será vendido na configuração Urban, com motor elétrico dianteiro de 95 cv e torque de 16,3 kgfm. A bateria mais provável para o mercado nacional, embora ainda não confirmada, é a de 42,3 kWh, que proporciona autonomia de até 430 quilômetros pelo ciclo chinês CLTC. O número definitivo do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) ainda depende da homologação do modelo pelo Inmetro, mas deverá ser algo próximo a 30% menos (300 quilômetros).
O Box também chama atenção pela lista de equipamentos: a configuração brasileira promete ter central multimídia de 12,8 polegadas, câmera 360°, carregador de celular por indução, banco do motorista com ajustes elétricos e recursos de assistência à condução, como controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e assistente de permanência em faixa.
Vigo, o SUV
O segundo modelo da estreia é o DFM Vigo, conhecido como Nammi 06 em outros mercados. Apesar de também usar só propulsão elétrica, o SUV tem uma proposta mais sofisticada e familiar: são 4,30 metros de comprimento, 1,86 metro de largura, 1,65 metro de altura e 2,71 metros de entre-eixos, além de um porta-malas para 500 litros.
O conjunto mecânico é mais forte. O Vigo usa motor elétrico dianteiro de 163 cv de potência e 23,5 kgfm de torque, suficiente para levar o SUV de zero a 100 km/h em 7,8 segundos - a velocidade máxima é de 150 km/h.
Lá fora, pode ser equipado com baterias de 51,5 kWh ou 54 kWh, com autonomia de 470 quilômetros no ciclo CLTC. Ou seja, deverá ter algo próximo a 330 quilômetros no padrão do Inmetro. No Brasil, será oferecido nas versões Urban e Urban Plus.
Dessa forma, a DFM cria uma divisão clara e interessante entre seus primeiros produtos: o Box será o carro responsável por disputar o segmento de entrada, enquanto o Vigo tentará atrair consumidores que desejam um SUV mais espaçoso sem precisar partir para modelos maiores e mais caros.
A chegada dos dois também marca o início de um projeto ambicioso: a DFM não pretende limitar a operação brasileira aos elétricos. A empresa planeja ampliar a gama com outros veículos eletrificados, incluindo híbridos e os equipados com tecnologia REEV, que tem um motor a combustão como extensor de autonomia.
Por outro lado, vale dizer que a empresa não prevê trabalhar com carros exclusivamente a combustão no país.
O que vem por aí?
Além de Box e Vigo, a fabricante já prepara a apresentação de outros produtos durante sua estreia no Festival Interlagos 2026, como os SUVs Mage e Huge. Vale destacar ainda que as marcas premium Voyah e M-Hero, que fazem parte do grupo Dong Feng Motor, também deverão ser apresentadas ao público brasileiro como parte da estratégia de expansão.
A empresa quer ampliar rapidamente sua presença comercial. A previsão é chegar a 57 concessionárias nos próximos meses, enquanto já trabalha em um projeto de produção nacional. A ideia é começar a fazer veículos no Brasil a partir de 2028, embora a DFM ainda avalie se utilizará fábrica de uma parceira ou se construirá sua própria unidade.
Os preços de Box e Vigo deverão ser revelados na abertura da pré-venda. A expectativa é de que a estratégia comercial seja um dos principais argumentos da marca, principalmente porque a DFM entra em um segmento no qual BYD, Geely, GAC, MG e outras chinesas já disputam fortemente os consumidores.
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