Direção autônoma: mais longe de virar realidade

Fabricantes deverão concentrar esforços no Nível 3 de direção autônoma. Popularizar os níveis 4 e 5 é quase uma utopia

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Fernando Calmon
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O esforço no desenvolvimento da direção autônoma começou há cerca de 20 anos. Vários fabricantes têm se dedicado a aperfeiçoar novos recursos para aumentar a segurança ativa dos veículos. Hoje a sigla ADAS (Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista, em tradução do inglês) desperta interesse crescente. Afinal, evitar acidentes está no cerne das preocupações da indústria, autoridades de trânsito e também seguradoras.

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    "Permitir que os motoristas se dediquem a outras atividades enquanto dirigem pode ser um próximo passo para ajudar os fabricantes a enfrentar os consideráveis ​​investimentos em condução autônoma", destacou a agência noticiosa britânica Reuters, em artigo no último dia 23.

    Van Autonoma Hyundai
    A Hyundai é uma das grandes marcas do mundo que pesquisam a condução autônoma de veículos
    Crédito: Divulgação
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    Os motoristas poderiam tirar os olhos da estrada para um bate-papo pelo celular e até usar um laptop desde que o carro os alerte para retomar o controle do veículo. Trata-se da automação condicional, Nível 3. A Ford pretende oferecer este recurso a partir de 2028. GM e Honda também se empenham. A Tesla já proporciona um sistema semiautônomo, que batizou de forma totalmente inadequada de Full Self-Driving (Autocondução Total, em tradução livre) e já causou acidentes nos EUA.

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      A Mercedes-Benz chegou a disponibilizar o Nível 3 nos EUA. Porém, interrompeu recentemente em razão da velocidade limitada e condições restritas. Mas não desistiu do programa, ao contrário da Stellantis - que apontou altos custos, desafios tecnológicos de difícil superação e expectativas de real demanda do consumidor.

      O objetivco da direção autônoma é permitir que o motorista faça outras coisas em vez de apenas dirigir o veículo
      Crédito: Reprodução
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      Outros executivos argumentam que alternar o controle entre o carro e o motorista humano é inviável ou inseguro, além de questões complexas de responsabilidade. "Não sabemos se o Nível 3 algum dia fará sentido financeiramente", afirmou Paul Thomas, da Bosch América do Norte. Este nível de automação é intermediário em escala até 5.

      O desenvolvimento pode chegar a US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões), quase o dobro do Nível 2. Nem dá ainda para imaginar quanto custaria alcançar os níveis 4 e 5 - neste caso, nem volante e pedais os carros teriam. "O grande desafio tecnológico do Nível 3 é projetar um sistema capaz o suficiente para detectar a necessidade de intervenção humana, fornecer um aviso e continuar em ação até que o motorista assuma o controle", disse Bryant Smith, especialista em regulamentação de condução autônoma.

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