A informação sobre a volta da taxa foi confirmada pelo secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Uallace Moreira, em entrevista à Reuters.
Segundo o secretário, a ideia da retomada é estimular a produção local dos carros eletrificados, o que já parece ser o caminho para algumas montadoras, como as chinesas BYD e GWM. As duas marcas já compraram fábricas por aqui.
Moreira explicou ainda que essa tributação deve ser gradual e atingir sua taxa máxima no prazo de três anos. O objetivo do cronograma é evitar choques no mercado e dar previsibilidade às fabricantes.
A retomada do imposto, contudo, não tem uma data definida pelo governo para acontecer e ainda passará por outras discussões. A definição deve ser divulgada pelo vice-presidente e líder do ministério, Geraldo Alckmin, afirmou o secretário.
Além dos 100% elétricos, os híbridos vindos do exterior também devem ser afetados. "O que a gente pode fazer para estimular a produção local? É dificultar um pouco ou encarecer a importação”, afirmou em entrevista à Reuters. A volta da tributação virou assunto bem no momento em que a chegada de carros elétricos alcança números históricos no país. Os resultados, em partes, foram conquistados com a estratégia agressiva das fabricantes chinesas na oferta dos modelos verdes.
Uma dessas montadoras, inclusive, já havia se manifestado contra a retomada dos impostos. A BYD, através do seu conselheiro e porta-voz no Brasil, Alexandre Baldy, criticou a possível volta da tributação em entrevista, também à Reuters.
A crítica ocorreu no início do mês, dias após o presidente da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Márcio Leite, vir a público defender a retomada da cobrança. Ele também demonstrou preocupação com o crescimento da frota chinesa no país, que saltou de 4% para 21% em dez anos.
Quando retomada por completo, ou seja, com os 35%, a tributação sobre os elétricos igualará a cobrança de impostos entre carros eletrificados e modelos a combustão. A taxa também vale, é claro, para carros híbridos que chegam importados por aqui.
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