Elétricos importados voltarão a ser tributados

Governo diz que a retomada do imposto tem como objetivo estimular a produção dos modelos "verdes" no Brasil

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Lucas Cardoso
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A chegada de carros elétricos importados ao Brasil pode sofrer uma leve retração nos próximos anos. O motivo? A retomada do imposto de importação de 35%, que está zerada desde 2015.

A informação sobre a volta da taxa foi confirmada pelo secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Uallace Moreira, em entrevista à Reuters.

Segundo o secretário, a ideia da retomada é estimular a produção local dos carros eletrificados, o que já parece ser o caminho para algumas montadoras, como as chinesas BYD e GWM. As duas marcas já compraram fábricas por aqui.

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A BYD foi uma das fabricantes que movimentaram o mercado de elétricos, especialmente com a chegada do hatch Dolphin
Crédito: Divulgação
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Moreira explicou ainda que essa tributação deve ser gradual e atingir sua taxa máxima no prazo de três anos. O objetivo do cronograma é evitar choques no mercado e dar previsibilidade às fabricantes.

A retomada do imposto, contudo, não tem uma data definida pelo governo para acontecer e ainda passará por outras discussões. A definição deve ser divulgada pelo vice-presidente e líder do ministério, Geraldo Alckmin, afirmou o secretário.

Além dos 100% elétricos, os híbridos vindos do exterior também devem ser afetados. "O que a gente pode fazer para estimular a produção local? É dificultar um pouco ou encarecer a importação”, afirmou em entrevista à Reuters.

A volta da tributação virou assunto bem no momento em que a chegada de carros elétricos alcança números históricos no país. Os resultados, em partes, foram conquistados com a estratégia agressiva das fabricantes chinesas na oferta dos modelos verdes.

Uma dessas montadoras, inclusive, já havia se manifestado contra a retomada dos impostos. A BYD, através do seu conselheiro e porta-voz no Brasil, Alexandre Baldy, criticou a possível volta da tributação em entrevista, também à Reuters.

Governo quer estimular a produção local de elétricos. A GWM é uma das montadoras com planos nesse sentido
Crédito: Reprodução
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A crítica ocorreu no início do mês, dias após o presidente da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Márcio Leite, vir a público defender a retomada da cobrança. Ele também demonstrou preocupação com o crescimento da frota chinesa no país, que saltou de 4% para 21% em dez anos.

Quando retomada por completo, ou seja, com os 35%, a tributação sobre os elétricos igualará a cobrança de impostos entre carros eletrificados e modelos a combustão. A taxa também vale, é claro, para carros híbridos que chegam importados por aqui.

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