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Fabricantes querem adiar novas regras de emissões

Ante o coronavírus, montadoras tentam prorrogar prazo para se adaptarem às leis que mudam limites de níveis de poluentes

por André Deliberato

Os fabricantes de automóveis no Brasil querem adiar as novas regras de emissões, hoje previstas para a virada de 2022 e 2023. Chamadas de Proconve 8, elas se baseiam nas tecnologias empregadas pelo Euro 6, nome da norma europeia para veículos movidos a diesel - em sua maioria, no Brasil, composta por caminhões e ônibus.
De acordo com a Anfavea (associação das montadoras de veículos automotores), a negociação está em andamento desde março e tem como objetivo adiar as imposições do conjunto de regras em três anos (para 2025/2026). "A pandemia atrasou todo o trabalho de desenvolvimento. Por isso, o cronograma já foi afetado", garante Luiz Carlos Moraes, atual presidente da entidade.
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Regras de emissões: por que adiar?

Ainda segundo o órgão máximo que representa os fabricantes, o adiamento das novas regras é necessário também pela crise econômica causada pela pandemia. "É necessário lembrar que esses programas representam investimentos altíssimos, que não podem mais ser feitos com a queda do faturamento e a impossibilidade, neste momento, de ajuda financeira das matrizes", explica Moraes.
Mas o jogo é difícil. Do outro lado, há mais de 20 ONGs e grupos defensores do meio ambiente que pedem que não sejam feitas alterações nos prazos originais - e que, ainda, requerem que qualquer medida econômica voltada ao setor automobilístico seja necessariamente atrelada a melhorias ambientais.
O Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) foi criado justamente para reduzir a emissão de poluentes atmosféricos e ruídos emitidos pela frota veicular nacional. Ele foi elaborado com a pretensão de estimular a mudança gradual, assim como na Europa - atualmente estamos na fase 7, o equivalente ao Euro 5.
Vale observar, ainda, que o nascimento do programa nos anos 1980 surgiu de um trio composto por indústria, poder público e sociedade. "A indústria desde então cumpre com todas as metas, etapas e prazos estipulados. E o governo idem, já que sempre criou mecanismos de inspeção veicular e de renovação de frota", explica a Anfavea.
O acordo atual, que prevê mudanças e queda nos níveis de emissões para a virada de 2022 para 2023, foi definido em 2018. Só que já estamos atrasados: os Estados Unidos adotam o padrão equivalente ao Euro 6 desde 2010, enquanto a Europa o faz desde 2014 - por lá, eles já até estudam o Euro 7, dois níveis à frente do nosso.

Os dois lados da disputa

Para uma comparação mais justa, em tamanho territorial e número de automóveis, vamos citar a Índia, que adotou o Euro 6 - equivalente ao Proconve 8 - em abril deste ano. O argumento utilizado por representantes do setor de que a mudança acarretará no aumento dos custos é forte. Segundo fontes ligadas às marcas, as empresas estão em uma "sinuca de bico".
Por outro lado, o ISS (Instituto Saúde e Sustentabilidade) afirma que essa pressão da indústria que quer atrasar em três anos a implementação do Proconve 8 "vai custar a vida de 10 mil brasileiros, que, com internações hospitalares, pode levar a gastos estimados em mais de R$ 4 bilhões".
É importante registrar que esse "jogo de forças" existe desde antes da pandemia começar e que foi comprometido depois que a CAP (Comissão de Acompanhamento e Avaliação do Proconve) deixou de existir há dois anos. "Andamos na contramão", é a opinião do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente).
E agora, o que acontece? Na opinião de ONGs e especialistas do setor, isso precisa ser discutido com a sociedade. Isso porque um debate importante como esse impacta diretamente a vida de quem vive em cidades grandes a médio e longo prazos.

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