Falta de peças afeta produção no primeiro semestre

Crise no fornecimento de semicondutores faz resultados ficarem abaixo das projeções feitas pelo mercado

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Guilherme Silva
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A crise global no fornecimento de semicondutores, que tem obrigado montadoras a reduzir ou até paralisar as suas atividades, afetou a produção da indústria automobilística nacional no primeiro semestre. Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), devido à falta dessas peças, os números ficaram abaixo do que previam os fabricantes.

Produção da fábrica da Hyundai, em Piracicaba (SP), é uma das afetadas pela falta de componentes eletrônicos
Produção da fábrica da Hyundai, em Piracicaba (SP), é uma das afetadas pela falta de componentes eletrônicos
Crédito: Divulgação
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De acordo com a entidade, 1.148.500 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus deixaram as linhas de montagem nos primeiros seis meses do ano, volume 57,5% maior que as 729 mil unidades do mesmo período de 2020, quando todas as fábricas ficaram paralisadas por até dois meses devido à pandemia. Para uma comparação mais justa, a Anfavea aponta uma redução de mais de 300 mil veículos, ou 22% frente aos números do primeiro semestre de 2019.

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“Estimamos que a falta de semicondutores tenha impedido que algo entre 100 mil e 120 mil veículos fossem produzidos no primeiro semestre. Esse problema afeta todos os países produtores e tem impedido a plena retomada do setor automotivo”, explicou Luiz Carlos Moraes, Presidente da Anfavea.

Em junho, a produção de 166.947 unidades foi a pior dos últimos 12 meses, em função das várias paradas de fábricas de automóveis ao longo do mês, situação que se repete desde o final do primeiro trimestre.

Porém, na comparação com junho do ano passado, quando a indústria sentia o impacto dos primeiros meses de pandemia no país, a produção foi 69,6% superior.

Produção de caminhões se manteve em alta graças ao bom desempenho do agronegócio
Produção de caminhões se manteve em alta graças ao bom desempenho do agronegócio
Crédito: Divulgação
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A baixa oferta de alguns produtos, causada pela falta de peças, é refletida nos resultados do mercado interno. No primeiro semestre de 2021, pouco mais de um milhão de unidades foram licenciadas no país, 32,8% a mais que no mesmo período do ano passado - 17,9% a menos que no primeiro semestre de 2019. As vendas de 182.453 carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus em junho recuaram em relação aos últimos dois meses.

O relatório da Anfavea também mostra uma queda de 9,4% nas exportações de junho em relação a maio, apesar do aumento de 72,6% frente ao volume de junho de 2020. Cerca de 200.100 veículos foram exportados no primeiro semestre (alta de 67,5% em comparação com o mesmo período do ano passado), tendo a Argentina como principal destino.

Agronegócio impulsiona venda de caminhões 

As notícias mais otimistas vêm do setor de caminhões, favorecido pelo bom desempenho do agronegócio e do e-commerce, e a despeito de problemas pontuais com insumos. A produção de 74.700 unidades no primeiro semestre é a melhor para o período desde 2014, da mesma forma que as 58.700 unidades licenciadas entre janeiro e junho.

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