Foi em julho de 1976 que a Fiat iniciou a produção do 147 na então novíssima fábrica de Betim (MG). Era o primeiro modelo da marca italiana feito no Brasil e um daqueles carros que a gente pode considerar uma verdadeira curiosidade do nosso mercado.
E a razão para isso é que, em uma época em que a indústria local ainda fazia vários automóveis derivados de modelos já ultrapassados na Europa e Estados Unidos - mesmo no segmento de luxo -, a Fiat escolheu para a sua estreia no mercado um automóvel compacto novo e criado especialmente para o Brasil.

O plano inicial da Fiat era produzir aqui no Brasil o 127, um compacto lançado na Itália em 1971 e que era um dos menores modelos da gama europeia da marca, mas que tinha inovações como o motor dianteiro disposto na transversal e a tração dianteira.
Elementos que possibilitavam que o 127 tivesse uma cabine bastante ampla mesmo com as dimensões externas bastante compactas. Com 3,59 metros de comprimento, era 42 cm mais curto que um Fusca da mesma época.
Mas, no final das contas, os italianos decidiram que a fábrica brasileira iria produzir um novo modelo baseado no 127, mas com mudanças visuais, estrutura e suspensão mais reforçada. E, também, uma nova motorização - tudo para distanciar o carro do modelo vendido na Europa.
E assim nasceu o 147.

Entre as mudanças do 147 em relação ao 127 da mesma época estavam a tampa do porta-malas - maior que a do carro europeu e que incorporava o vigia traseiro -, além de uma nova dianteira e novas lanternas traseiras maiores. As laterais também eram diferentes, com janelas de linhas mais retas.
E no lugar do antigo motor 0.9 de quatro cilindros e comando de válvulas no bloco, o 147 foi lançado com um novo propulsor 1.0, mais conhecido como 1050. Conceitualmente mais atual que o do 127, tinha comando de válvulas no cabeçote e desenvolvia 55 cv de potência.
Curiosamente, além desse novo motor 1050, a Fiat italiana aproveitou outros elementos surgidos inicialmente para o 147 na reestilização do próprio 127 - que, a partir de 1977, passou a ter também janelas laterais e tampa do porta-malas com o mesmo desenho do modelo brasileiro.
Enquanto na Europa o 127 até serviu de base para outros produtos feitos por empresas independentes, aqui no Brasil o 147 deu origem a uma família de vários automóveis projetados e produzidos diretamente pela filial brasileira da Fiat.
O primeiro deles foi uma variação furgão do 147, em 1977, que foi seguida pela caminhonete City, em 1978. Esta foi a primeira picape derivada de um carro compacto feita em série no Brasil.
Na City, o banco traseiro e o porta-malas eram substituídos por uma caçamba com capacidade para levar até 450 quilos de carga. Uma curiosidade do modelo é que, assim como a Toro, a tampa do compartimento de carga também tinha abertura lateral.

Já em 1980 chegou a station wagon Panorama, que era baseada em uma variante alongada da base do 147. Plataforma que seria usada também na Pick-Up - substituta da City - e no furgão Fiorino.
E foi naquele mesmo ano que o 147 passou por sua primeira reestilização, quando ganhou uma nova dianteira que ficou conhecida como "frente Europa", embora não tivesse relação com o visual do 127 europeu da mesma época.
Uma nova atualização veio em 1982, com o lançamento do Spazio: mantendo a base do 147, o hatch tinha frente, traseira e interior atualizados. Aliás, esse modelo chegou a ser vendido também na Europa com o nome de 127 Unificata.
O último membro da família 147 a estrear foi o sedã de duas portas Oggi, que foi produzido até 1985.
Com o lançamento do Uno no Brasil, em agosto de 1984, os carros da família 147 foram sendo gradualmente descontinuados na fábrica de Betim. Isso até que o último Fiorino deixou a linha de montagem em 1988, substituído pelo furgão derivado do Uno. Um total de 709.230 unidades produzidas.
Mas o "nosso" Fiat teve uma sobrevida na Argentina, onde a Sevel começou montando o 147 em 1981 e, conforme a linha de montagem brasileira ia sendo desativada nos anos 1980, aumentava o índice de nacionalização do hatch no país vizinho. O que deu origem até a uma curiosa versão esportiva - o 147 Sorpasso - que era equipada com um motor 1.3 de 90 cv de potência.
Na Argentina, o 147 teve uma vida bem mais longa que no Brasil e deixou de ser fabricado definitivamente apenas em 1996, quando já era vendido com o nome de Vivace - como uma opção de automóvel espartano e de baixo custo de aquisição.
No total, foram 232.807 unidades do modelo produzidas no país vizinho.

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