Parece claro e aceitável que 20 horas obrigatórias de aulas teóricas pode ser um exagero. No entanto, o que importa é o rigor dos exames, tanto da parte teórica quanto prática. Como bem lembrou Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, "no Japão não há obrigação de um curso teórico, mas é preciso acertar 90% das questões. Aqui, apenas dois terços (66%)". Nem precisa comparar o índice de acidentes fatais do Brasil com o do Japão. Então, existe claramente um viés demagógico que estima em 20 milhões os motoristas e motociclistas sem habilitação no País. Não se explicou como se chegou a esse número, pois a frota real circulante é bem menor que frota registrada.
Há, assim, evidente exagero. Um ponto positivo foi a renovação automática da CNH para quem não cometeu infração de trânsito nos 12 meses anteriores ao fim da validade do documento, estabelecida em 9 de janeiro último. Motoristas com mais de 70 anos não se enquadram nesta norma, o que está correto.
Nove Departamentos Estaduais de Trânsito responderam com o fim da prova de baliza para estacionar em vagas paralelas ao veículo. De fato, isso facilitará obter a CNH. Todavia, há grande potencial de aumentar os congestionamentos com as dificuldades naturais de muitos iniciantes. São Paulo, onde há a maior frota do País, já aderiu.
Outra facilidade que apenas reflete as vendas em ascensão constante: exames práticos poderão ser feitos com automóveis de câmbio manual ou automático. Essa é uma realidade e sua adoção nada tem a ver com o estigma de bom ou mau motorista. Respeitar normas e evitar multas deve estar na consciência e responsabilidade de todos. Em congestionamentos, principalmente, eliminar o pedal de embreagem diminui estresse e cansaço.
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