Ford F150 Raptor é 'insanidade' em forma de picape

Aceleramos a bruta de 456 cv e constatamos: é uma das picapes mais divertidas do mundo - possivelmente a mais divertida!

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Marcelo Monegato
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Muito fácil de definir a Ford F150 Raptor: ‘ph0d@’! Me desculpe se você não fala palavrões, mas a grandalhona é a materialização da insanidade. Nesta terça-feira (27), viajei até Tatuí, interior de São Paulo (SP), para, desta vez, queimar gasolina e levantar poeira no Campo de Provas da marca norte-americana com essa entidade entre as picapes – algo que não pude fazer há quase um mês, quando tive contato com picape para apresentar todos os seus detalhes.

A vontade de acelerar a Raptor era tão grande que às 5h30 pulei da cama, 7h30 estava na estrada e 9h30 na recepção do Campo de Provas - tudo com raro bom humor matinal. Detalhe: minhas duas horas em contato com a picape começavam apenas às 10h30. Mesmo após dez anos acelerando alguns dos carros mais incríveis do mundo, ainda consigo criar expectativas em torno de algumas máquinas. E a Raptor com certeza é uma delas...

O primeiro contato é sempre de muito respeito. A alguns metros de distância, a F150 impressiona com seus quase 5,90 metros de comprimento e mais de 2,10 metros de largura de espelho retrovisor a espelho retrovisor.  E lá está ela. Na cor vinho. A mesma que tive a oportunidade de ver, mas não acelerar, ao lado da belíssima azul, que desfilou com graça durante o Salão do Automóvel de São Paulo 2018.

Antes de acelerar, no entanto, somo ‘conduzidos’ pelo piloto de testes da Ford Luis Gozzani, que é um dos 20 em todo o mundo que é Tier 4, ou seja, tem a maior ‘patente’ entre estes caras com habilidade única e feeling aguçado para desenvolver todos os tipos de carros que chegam às concessionárias da marca do oval azul. E quando é imaginava que iríamos passear até o local onde eu poderia acelerar, Gozzani simplesmente mostrou algumas sandices que a Raptor é capaz.

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Legenda: Ford Ranger Raptor tem interior refinado
Crédito: Bibo Bouzaz/WM1

Câmbio no M (manual) e tração 4x2. Controles de tração e estabilidade desabilitados. Pé cravado no pedal da direita e a bruta destraciona na estrada de terra batida. Rapidamente ganhamos velocidade. E o bate-papo amigável e descontraído dá lugar ao silêncio. Em declive em uma estrada acidentada, batemos mais de 150 km/h – até onde eu consegui ver. A adrenalina então cai nas veias como um motor com injeção direta de combustível joga gasolina na câmara de combustão.

A suspensão trabalha de maneira frenética. O ronco do motor invade a cabine pelas saídas de escapamento. Gozzani atua levemente na direção para fazer pequenos ajustes de rota, e atua nas borboletas atrás do volante para deixar claro que ali, quem manda, é ele – e não a eletrônica. Rapidamente o apreensivo silêncio abre espaço para um sorriso de canto de boca. A musculatura do corpo antes tensa, relaxa. Os olhos vidrados somem, e a cara de alucinado ganha ares mais amigáveis. O fato de a Raptor estar de lado na estrada de terra em uma rotatória de raio longo não assusta mais.

A Raptor consegue, com maestria, superar expectativas.

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Legenda: Ford F150 Raptor
Crédito: Bibo Bouzaz/WM1

HORA DE ENTENDER

Assumo o comando da Raptor. Não posso dizer que somos velhos amigos, mas lembrava de cada botão que conheci um mês atrás. Ajusto de maneira elétrica banco, coluna de direção (altura e profundidade) e até pedaleira. O motor já está ligado e o assento, que tem sistema de aquecimento, está no nível máximo de resfriamento, já que em Tatuí tinha um Sol parra cada um. Ar-condicionado também na temperatura mais baixa e câmbio no D (drive), afinal, a ideia era conhecer a Raptor, e não tentar fazer algo parecido com o que Gozzani fez – até porque seria totalmente vexatório para mim e extremamente perigoso para os demais. A cota de adrenalina, por hora, estava completa! Mesmo assim, mantenho a tração no 4x2...rs

O motor 3.5 V6 Turbocharger fala baixo enquanto Raptor e eu nos conhecemos. Sei, no entanto, que os 456 cv de potência máxima estão prontos para serem acordados a 5.000 rpm. E a qualquer toque no acelerador com um pouco mais de gosto e malícia, a F150 responde com um rugido e uma destracionada, já que 70,5 kgf.m de força são despejados no eixo traseiro. O câmbio automático de 10 marchas, que é exatamente o mesmo do Mustang e do Chevrolet Camaro, mas com um escalonamento próprio, entrega tanto conforto, com trocas suaves, quanto eficiência quando a busca e esportividade. Se é rotações elevadas que precisa para ‘driftar’ e levantar poeira, o câmbio então segura a marcha e faz o motor suar.

 Ford F150 Raptor
Legenda: Ford F150 Raptor
Crédito: Bibo Bouzaz/WM1

Por conta do tempo curto, a missão é extrair o máximo de conhecimento possível da Raptor para, quem sabe, me divertir. Desligo os controles eletrônicos e dou uma patada no acelerador. Automaticamente a picape se coloca de lado, mas de maneira extremamente previsível. Apesar de bruta, a F150 não é traiçoeira. Não impõe reações abruptas e incontroláveis. Dosando o acelerador, então consigo colocar ela de lado e me divertir. Claro que é preciso um pouco de habilidade e responsabilidade, pois cravar o pé direito no assoalho de qualquer maneira pode transformar a Raptor em um ‘Boi Bandido’ e causar um sério acidente.

A suspensão trabalha muito bem e é sem dúvida um dos pontos altos. Utiliza sistema independente na dianteira e eixo rígido na traseira. Os amortecedores da Fox, no entanto, têm curso extremamente longo. Para se ter uma ideia, passeando lentamente por uma estradinha de terra batida, a picape trepida um pouco. Andou em alta velocidade pelo mesmo piso, as trepidações somem. É bizarro, mas real! Abusando em um local com depressões mais evidentes, a F150 transmite inicialmente a sensação que vai decolar pela movimentação da carroceria, mas por conta deste curso longo dos amortecedores os pneus para todo terreno sempre estão em contato com o solo. Ou seja: a Raptor consegue transmitir muito bem suas reações para quem está atrás do volante.

Batendo um papo sobre as reações da grandalhona, Gozzani lembra que a Raptor tem alguns comportamentos daqueles bajas que rodam nas dunas. A carroceria oscila em todos os sentidos – quando levanta chega a empinar a frente –, mas a todo momento está com as ‘quatro patas’ no chão.

 Ford F150 Raptor
Legenda: Ford F150 Raptor
Crédito: Julio Nery/WM1

Apesar de ter rodado sempre no 4x2, pois o objetivo era saber o que de tão divertido a Raptor tem, há também opções de tração 4x4 que funciona mais ou menos sob demanda, 4x4 permanente, reduzida e bloqueio do diferencial. Também existem modos de condução que trabalham em alguns parâmetros da picape, como resposta do acelerador e momento das trocas de marchas. Nesta Raptor testada, que é uma 2018, os amortecedores não alteram o setup, algo que já acontece com a linha 2019.

QUERO UMA! E QUEM NÃO QUER?

No início da tarde, com a Raptor coberta de poeira, a sensação era de que eu precisava ter uma na minha garagem para me divertir muito mais. Ela tem todas as capacidades de carga para ser uma excelente trabalhadora, reúne itens de conforto e segurança iguais ou melhores em relação a muitos utilitários esportivos (SUVs) e recursos para se aventurar em locais de difícil acesso, mas parece ter sido idealizada na realidade para a prática do freestyle em qualquer superfície escorregadia. E quanto menos aderência, melhor.

Infelizmente, a Ford não tem planos de trazer a F150 Raptor para o Brasil. Vamos torcer para ser a mesma história do Mustang, pois a marca norte-americana negou sempre e hoje, garças aos deuses da combustão de alta octanagem, hoje está entre nós oficialmente. Agora é fazer campanha pela bruta. E eu posso começar: #FordRaptorNoBrasil

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Legenda: Ford F150 Raptor 2019
Crédito: Julio Nery/WM1
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