eWonder: um caminhão(zinho) elétrico no uso real

Com porte de sedã compacto, esse cargueiro em miniatura chega como o veículo a bateria mais acessível da Foton no Brasil

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Evandro Enoshita
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Sou daqueles que não nega convites para dirigir. E nessa já guiei vários tipos de veículos de mais de duas rodas. Digo mais: adoro a experiência de guiar esportivos. Mas, cá entre nós, gosto mais ainda daqueles que fogem do comum. Como o Foton eWonder.

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    Esse caminhão leve estreia por R$ 235.990 como o menor e mais barato dos novos veículos elétricos de carga que a Foton acaba de lançar no Brasil. Quer saber como foi a experiência de guiar esse caminhão elétrico? Encarei um frete real com o eWonder e conto nas próximas linhas como foi essa experiência.

    Foton Ewonder (1)
    O eWonder estreia como o menor caminhão elétrico da gama da marca chinesa no Brasil
    Crédito: Evandro Enoshita/WM1
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    Impressões: Foton eWonder

    Pequeno por fora...

    E aqui eu conto um segredo dos eventos de lançamento: mesmo no caso das caminhonetes, são raras as ocasiões em que conseguimos avaliar um veículo com alguma carga na caçamba.

    Então a proposta da Foton de rodar com o eWonder carregado foi bem exótica. O plano era sair da sede da empresa chinesa de veículos comerciais, no bairro da Barra Funda, na capital paulista, e se locomover até um galpão logístico em Guarulhos.

    De lá, toca voltar para São Paulo para entregar uma carga de 600 quilos no armazém do programa Sesc Mesa Brasil, um banco de alimentos a instituições assistenciais. Um trajeto total de pouco mais de 60 quilômetros. Metade desse percurso com o baú carregado.

    Foton Ewonder (4)
    No interior, variação de cores e texturas para deixar o aspecto mais próximo ao dos veículos de passeio
    Crédito: Evandro Enoshita/WM1
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    Mas antes de falar como o eWonder se saiu nessa tarefa, bora falar da máquina. Ou melhor: maquininha, já que o eWonder é um caminhãozinho. Com 4,62 metros de comprimento, 1,71 metro de largura, 1,90 metro de altura e 3,08 metros de entre-eixos, ocupa praticamente o mesmo espaço no trânsito que um sedã compacto como o Volkswagen Virtus.

    O motor, integrado ao eixo traseiro, desenvolve 102 cv de potência e 22,4 kgfm de torque. Praticamente os mesmos números do propulsor que equipa um BYD Dolphin.

    Por outro lado, apesar da carinha de caminhão de brinquedo e do conjunto motriz relativamente pouco potente, o eWonder é valente: com um Peso Bruto Total (PBT) de 2.550 quilos e um peso em ordem de marcha de 1.225 quilos, tem uma capacidade de carga teórica de pouco mais de 1.300 quilos.

    Como essa diferença entre o PBT e o peso em ordem de marcha inclui a carga, o baú ou outro tipo de carroceria/implemento, o eWonder pode transportar - na prática - a mesma carga (quilos) que uma picape compacta. Porém, levando um volume (litros) muito maior.

    Os bancos são confortáveis e têm revestimento colorido
    Crédito: Divulgação
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    Carro de passeio ou cargueiro?

    Era uma dessas manhãs chuvosas de março de 2026. Pego a chave e entro na cabine do eWonder. Diferentemente do que se espera, o caminhão da Foton se aproxima mais dos carros de passeio que dos veículos cargueiros raiz.

    A começar pela própria chave. É presencial e a partida do veículo é dada ao apertar um botão. O seletor de marchas é um botão giratório no painel e o freio de estacionamento também é liberado ao apertar um botão.

    O painel do Foton eWonder tem linhas retas e apliques em preto brilhante
    Crédito: Divulgação
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    Na primeira parte do itinerário e rodando com o veículo vazio, esperava que o Foton eWonder tivesse um comportamento próximo ao de um carro elétrico de passeio. Mas esse caminhãozinho se assemelha mais a uma picape leve a combustão com câmbio automático.

    O motor tem força, mas sem entrega de acelerações empolgantes a cada pisada do acelerador. Já a direção leve e a ausência do pedal de embreagem garantem ótima desenvoltura para o modelo no anda-e-para. Características fundamentais para um veículo de carga pensado estritamente para uso urbano.

    Também achei os bancos bem confortáveis. O que não é tão confortável é o ruído que o Foton eWonder emite até os 30 km/h para alertar pedestres sobre a sua presença.

    O zumbido - questão de segurança, já que os motores de automóveis elétricos praticamente não fazem barulho - é pensado para alertar quem está do lado de fora. Mas também é alto o bastante para incomodar dentro da cabine. E não há música no sistema de som que permita compensar esse som de alerta.

    O quadro de instrumentos é bem completinho, mas tem tela de baixa resolução
    Crédito: Evandro Enoshita/WM1
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    Na estrada

    Aproveitei o curto trecho em alta velocidade na Via Dutra para ver até onde o Foton eWonder poderia ir. Descarregado e com trânsito livre, acelerei até o velocímetro apontar 100 km/h. Achei mais prudente parar por aí. O caminhão se mantinha estável. Mas eu não sabia até quando.

    Afinal, a combinação de chuva, carroceria estreita, centro de gravidade alto e pneus relativamente finos - medida 175/75 R14 - não é tão convidativa para pisar forte. Ainda mais em um veículo de carga.

    Aliás, a suspensão traseira - com feixes de mola - é daquele tipo que parece pedir para rodar 100% do tempo com algum lastro na traseira, já que parece meio solta com o veículo descarregado.

    O eWonder roda bem melhor carregado do que sem carga
    Crédito: Evandro Enoshita/WM1
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      No caminho de volta e já com o eWonder carregado, aproveitei para fazer o tira-teima da suspensão.

      Realmente: o eWonder fica melhor de guiar totalmente carregado. Imaginei que os 600 quilos adicionais no baú também prejudicariam bastante o desempenho. Mas me enganei. Os 22 quilos de torque do motor elétrico foram mais do que suficientes para permitir que o caminhão da Foton acelerasse com boa desenvoltura.

      Acostumado aos carros de passeio elétricos, estranhei o percentual de carga de bateria baixo apesar da pouca quilometragem rodada. Mas isso tem uma explicação.

      A bateria motriz - de 41,86 kWh -, permite ao eWonder rodar até 189 quilômetros sem parar para recarregar. Pode parecer pouco, mas, segundo a Foton, é o suficiente para atender às necessidades diárias de uma operação urbana de carga.

      O eWonder é voltado para uso 100% urbano
      Crédito: Evandro Enoshita/WM1
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      Os detalhes

      Aproveitei os meus últimos quilômetros ao volante do Foton eWonder para observar outros detalhes do caminhão. Por exemplo, o conforto de uma cabine climatizada por um ar-condicionado superdimensionado e perfeito para gelar a alma.

      A Foton fala em "acabamento interno refinado" no material de divulgação do eWonder. Já eu prefiro usar o adjetivo caprichado, pois os plásticos e revestimentos do interior agradam mais pelo variação de cores e texturas do que pela sofisticação. E apesar do painel digital, o quadro de instrumentos agrada mais pela quantidade de informações exibidas do que pelo visual ou resolução da tela.

      E, no final das contas, está tudo bem. Afinal, este veículo foi feito para ser uma máquina robusta de ganhar dinheiro. Para carregar muito e custar pouco por quilometro rodado. Ainda que sob uma fina camada de sofisticação, não deixa de ser um veículo de uso comercial.

      Encerrei a minha curta experiência ao volante do eWonder bem surpreso com o comportamento do caminhãozinho da Foton. É o típico caso em que você quebra a cara ao julgar um livro - ou seria um caminhão? - pela capa.

      Mas aquele zumbido em baixas velocidades... Ah, aquele zumbido!

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        Tags:Foton
        Comentários
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