A chegada da GAC ao Brasil ganhou um novo capítulo com o lançamento do Aion UT, hatch elétrico que veio para disputar espaço com modelos como BYD Dolphin, Dolphin Plus, Geely EX2 e GWM Ora 03.

A receita da marca é relativamente simples: bom espaço interno, bastante tecnologia e um conjunto mecânico capaz de entregar desempenho acima da média do segmento.
Durante o lançamento do modelo, tive a oportunidade de dirigir a versão Elite, a mais completa da linha. Ainda é cedo para um veredito definitivo, já que este foi apenas um primeiro contato. Mas alguns pontos ficaram bastante claros logo nos primeiros quilômetros.
O Aion UT é fabricado sobre a plataforma AEP 3.0, arquitetura desenvolvida exclusivamente para veículos elétricos. Diferentemente de muitos concorrentes que adaptam plataformas originalmente criadas para carros a combustão, o hatch "nasceu" elétrico.
O projeto foi desenvolvido no centro de design da GAC em Milão, na Itália, e criou linhas arredondadas, assinatura luminosa marcante e um visual que foge um pouco da agressividade que domina boa parte dos carros chineses atuais.
Mas o principal diferencial está na cabine. Com 4,27 metros de comprimento e 2,75 metros de entre-eixos, o modelo tem uma das maiores áreas internas da categoria. Algo que a própria marca destaca como um dos seus principais argumentos de venda.
Meu primeiro contato com o GAC Aion UT foi bastante positivo. O hatch elétrico consegue unir desempenho, conforto, tecnologia e espaço interno de uma forma que poucos concorrentes oferecem atualmente.
Ainda faltam respostas que apenas uma convivência mais longa poderá trazer. Mas, pelo que mostrou nesse primeiro contato, o modelo chega ao mercado brasileiro com argumentos sólidos para incomodar os líderes do segmento.
Normalmente começo uma avaliação falando de motor ou desempenho. Mas, no caso do Aion UT, o que mais chamou minha atenção foi o espaço interno.
Apesar de ser um hatch, o carro não transmite a sensação de ser um compacto. Os 2,75 metros de entre-eixos fazem diferença na prática e criam uma cabine que lembra as de veículos de categorias superiores.
O assoalho plano contribui para essa sensação de amplitude, assim como o desenho interno da cabine. Tudo parece ter sido pensado para maximizar o aproveitamento do espaço.
A GAC afirma que é possível acomodar até três cadeirinhas infantis no banco traseiro. Durante o lançamento não tive a oportunidade de testar isso na prática. Mas certamente será uma das primeiras verificações quando o carro passar mais tempo comigo em uma avaliação completa.
Outro ponto positivo é a quantidade de porta-objetos espalhados pelo interior. Há nichos, porta-copos, ganchos e espaços para guardar pequenos itens em praticamente todos os lugares. Para quem usa o carro com crianças, isso faz bastante diferença no dia a dia.

Quando você olha para um hatch com 204 cv, é natural imaginar um comportamento agressivo. Mas não foi isso que encontrei ao volante.
O Aion UT é movido por um motor elétrico dianteiro de 150 kW (204 cv) e 21,4 kgfm de torque, que leva o carro a acelerar de zero a 100 km/h em 7,3 segundos.
Na prática, entrega respostas rápidas e a agilidade típica dos elétricos, mas de uma forma bastante precisa.
Em nenhum momento tive a sensação de que o carro poderia surpreender negativamente. Existe potência disponível, mas ela é entregue de forma progressiva e controlada.
Essa foi uma das características que mais gostei durante o contato inicial. O Aion UT acelera forte quando solicitado, mas não transmite aquela sensação de carro arisco ou desengonçado que alguns elétricos podem apresentar. Você sente que está totalmente no controle do veículo.
A suspensão temconjunto McPherson na dianteira e barra de torção na traseira, com calibração voltada para conforto e eficiência - segundo a própria GAC.
Durante o percurso feito no lançamento, a sensação foi de um carro bem acertado para o uso urbano. Transmite segurança, responde rapidamente aos comandos e não exige adaptação por parte do motorista.
A direção elétrica também contribui para essa sensação de facilidade ao volante. O hatch parece menor do que realmente é quando você está dirigindo.
Outro aspecto que me agradou bastante foi a visibilidade. Mesmo sendo um carro relativamente largo para a categoria, oferece excelente percepção das extremidades da carroceria.
Boa parte disso acontece por causa da área envidraçada posicionada entre a coluna dianteira e o retrovisor externo. Esse detalhe reduz significativamente os pontos cegos e melhora bastante a visão em cruzamentos e mudanças de faixa. É uma solução simples, mas que faz diferença no uso diário.
O Aion UT será vendido em duas versões. A Premium usa bateria de 44,12 kWh e tem autonomia de até 253 quilômetros pelo ciclo Inmetro. Já a Elite recebe bateria de 60 kWh e alcança até 310 quilômetros.
O carregamento pode ser feito em corrente alternada de até 6,6 kW ou em corrente contínua de até 87 kW. Nessa última condição, a recarga de 30% a 80% leva aproximadamente 24 minutos.
O modelo também tem tecnologia V2L, que permite alimentar equipamentos externos utilizando a energia armazenada na bateria.
A cabine segue a tendência minimalista que domina boa parte dos carros elétricos atuais. Os destaques são a central multimídia de 14,6 polegadas e o painel digital de 8,88 polegadas. Há compatibilidade sem fio com Android Auto e Apple CarPlay, além de conectividade wi-fi e aplicativo para controle remoto de funções do veículo.
O sistema ainda permite projetar o mapa da navegação diretamente no painel de instrumentos, uma solução interessante para reduzir distrações durante a condução.

Mas algo me incomodou nesse primeiro contato: o excesso de funções concentradas na tela.
Para ajustar os retrovisores externos, por exemplo, é necessário acessar menus da central multimídia antes de usar os comandos do volante. Os modos de condução também ficam escondidos dentro da interface.
Claro que existe uma curva de aprendizado e, depois de alguns dias convivendo com o carro, provavelmente tudo se torna mais natural.
Mas continuo acreditando que algumas dessas funções seriam mais práticas se tivessem comandos físicos dedicados. Em um carro compartilhado pela família, isso pode acabar se tornando um pequeno incômodo.
Saiba mais:
O porta-malas tem 340 litros de capacidade, número dentro da média para a categoria. O banco traseiro bipartido ajuda a ampliar a versatilidade quando necessário.
A versão Elite também adiciona itens interessantes para quem busca mais conforto, como bancos dianteiros com ventilação, ajustes elétricos, carregador por indução de 50 Watts, teto panorâmico com cortina elétrica e tampa do porta-malas com abertura elétrica.
A segurança é um dos pontos fortes do Aion UT.
As duas versões têm seis airbags, controle de tração, assistente de partida em rampa, ABS, EBD e piloto automático. Além disso, ambas mantêm o estepe, item que tem desaparecido de muitos elétricos vendidos atualmente.
Na versão Elite, o pacote ADAS nível 2 adiciona 11 assistentes de condução, incluindo frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego, alerta de colisão frontal e traseira, assistente de permanência em faixa e controle de cruzeiro adaptativo.
Pessoalmente, considero esse um dos argumentos mais fortes para investir os R$ 20 mil adicionais cobrados pela versão topo de linha.
Para quem transporta crianças diariamente, ter uma camada extra de assistência e monitoramento pode fazer bastante diferença na rotina.

As unidades que forem vendidas até o próximo dia 15 terão - nas duas versões - seguro gratuito por um ano e bônus promocional oferecido pela marca.
A diferença entre as versões é de R$ 20 mil. Olhando apenas para a ficha técnica, a Elite me parece a escolha mais interessante.
Além da autonomia maior, adiciona o pacote ADAS, bancos ventilados, carregador por indução, teto panorâmico e tampa elétrica do porta-malas. São equipamentos que impactam diretamente a experiência de uso e ajudam a justificar a diferença de preço.

Um dos destaques do Aion UT é a garantia. A GAC oferece cobertura de oito anos ou 160 mil quilômetros para o veículo e de oito anos ou 200 mil quilômetros para a bateria. O hatch também já é entregue com carregador Wallbox da GAC Energy.
O Aion UT faz bastante sentido para quem roda principalmente na cidade, quer migrar para um carro elétrico e valoriza espaço interno.
Também é uma opção interessante para famílias pequenas que precisam de um veículo fácil de dirigir, confortável e recheado de tecnologia.
Por outro lado, pode não ser a melhor escolha para quem faz viagens rodoviárias frequentes ou precisa de um porta-malas muito grande.
Apesar do excelente espaço interno, os 340 litros de bagageiro podem ser limitados para algumas famílias em viagens mais longas.
Entre os rivais diretos, o Aion UT encontra um espaço interessante. Frente ao BYD Dolphin, oferece mais potência e um dos maiores espaços internos da categoria.
Em relação ao Ora 03, tem uma proposta mais familiar e prática. E emm relação ao EX2 topo de linha, também consegue ser mais potente, ter autonomia maior e melhor espaço interno, mas cobra a mais por isso.
De acordo com a marca, o GAC Aion UT tem 253 quilômetros de autonomia na versão Premium e de 310 quilômetros na Elite. No entanto, esses dados podem variar se o carro vai rodar mais na cidade ou na estrada, bem como o modo de condução.
A diferença entre as duas versões é de R$ 20 mil. A configuração Elite adiciona autonomia maior, bancos com aquecimento e ventilação, ajustes elétricos nos bancos dianteiros, teto solar panorâmico, abertura e fechamento elétrico do porta-malas e pacote ADAS com 11 assistentes de condução.
O GAC Aion UT tem entre-eixos de 2,75 metros. ara comparação, é maior que o Volkswagen T-Cross, o SUV mais vendido do Brasil. Então, sim, pode acomodar bem a família.
O GAC Aion UT tem porta-malas para 340 litros, o que é compatível com a categoria. Mas pode não ser o suficiente para pessoas que costumam carregar muitos malas e objetos grandes.
Não. O pacote ADAS nível 2 fica restrito à Elite.
O GAC Aion UT tem oito anos ou 160 mil quilômetros de garantia para o veículo e oito anos ou 200 mil quilômetros para a bateria.
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