Quando começou a já não tão recente invasão de carros elétricos no Brasil, muita gente achou que seria uma onda passageira. E muita gente achou que, finalmente, esses automóveis "a bateria" chegaram para ficar. Na época, eu preferi não escolher nenhum dos lados e esperar pra ver. Hoje, sabemos que - pelo menos aparentemente - vieram para ficar.
Muita gente está comprando carro elétrico no Brasil. Para motoristas de aplicativo, esses modelos têm representado uma enorme economia de combustível. E para tantos outros, essa economia e também uma boa praticidade no dia a dia.
Para as pessoas que têm cogitado e me perguntam se ter um elétrico seria uma boa ideia, eu sempre disse que talvez sim, desde que pense no elétrico para mobilidade urbana - é para isso que servem, e servem bem. Nos últimos tempos, dirigi alguns elétricos, mas sempre em lançamentos, test-drives curtos e algumas vezes em pistas fechadas.
Aí peguei um Geely EX2 para rodar durante uma semana. Minha primeira experiência com um elétrico no mundo real, nas ruas e no dia a dia. Eu sempre pensei que um carro elétrico jamais seria uma opção real para meu uso. Agora já não penso assim. Mudei um bocado meus conceitos sobre carros elétricos.
Se antes eu pensava que "carro elétrico é para os outros e jamais terei um", agora penso que talvez, um dia, possa ser uma opção para mim também. Eu, que sou fã de motores a combustão e ando basicamente de moto, enquanto meu velho SUV raiz com motor 2.0 16 válvulas, que bebe demais e anda de menos, fica lá paradão na garagem...
Explico abaixo os motivos - confira!
O design do Geely EX2 é mais exótico do que bonito, principalmente para quem está acostumado a carros a combustão. Nada de grade na frente, superfícies limpas e lisas, e linhas arredondadas. Um aspecto geral bastante simpático. Não é exatamente bonito, mas está longe de ser feio.
Gostei especialmente dos conjuntos óticos, tanto na frente quanto atrás. Nada de invencionices, exageros ou detalhes cafonas: tudo equilibrado, com tamanho adequado e coerente com o design do carro. Na tampa traseira a inscrição "Geely" aparece duas vezes - eu tiraria a menor, que fica ao lado da inscrição "EX2", e deixaria apenas a maior, que fica no meio da tampa. Mas é um detalhe de menor importância.
A experiência diferente começa ao "ligar" o carro. Não há chave. Chego perto do EX2, aperto o botão no chaveiro e o carro "desperta". Entro, boto o cinto e o painel de instrumentos TFT com tela de 8,8 polegadas mostra que o carro "reconheceu" a existência de um motorista. Piso no pedal do freio e pronto: o carro está "ligado" e apto a rodar. Tudo simples, rápido, limpo, asseado e silencioso. Uma coisa até meio futurista.
Tento parear o smartphone, mas no EX2 é preciso usar cabo USB e eu não tinha um comigo. Apple Car Play e Android Auto estão disponíveis, assim como conexão Bluetooth. Mas vou de rádio, mesmo. No console central aciono o "câmbio", que é uma lingueta com três posições - D, N e R, de drive, neutral e rear.
Ao manobrar para sair da vaga, a enorme tela multimídia de 14,6 polegadas exibe imagens da câmera 540 graus, facilitando absurdamente a ação. Nem preciso olhar os retrovisores. Assim qualquer tira nota 10 na baliza!
Saio da garagem e começo a rodar com o EX2. A posição de dirigir é ótima, com ajustes elétricos no banco. O ambiente é clean, com o fundo branco na telinha do painel de instrumentos, alguns poucos botões no volante e a multimídia.
Os ajustes do ar-condicionado são na tela multimídia, assim como os do sistema de som (o volume também pode ser ajustado no volante). São fáceis e intuitivos, mas é preciso desviar a atenção do trânsito. Ou seja, faça antes de sair.
Algumas pessoas podem considerar cafonas os apliques com imagens de prédios aplicados na parte direita do tablier e nos painéis das portas. Mas eu gostei: exaltam a proposta urbana do carro e são diferentes de tudo o que já vi.
No trânsito o EX2 parece se sentir em casa. Roda suave sobre suspensões com aquela calibragem muito macia, típica de diversos modelos chineses. Os conjuntos, McPherson na frente e Multilink atrás, proporcionam alto nível de conforto. Mas deixam a carroceria adernar um tanto nas curvas mais rápidas e fazem o carro pular ao passar por ondulações no asfalto. Se a condução for mansa, porém, essas características são menos evidentes.
Se a suspensão macia por vezes incomoda, as frenagens são eficientes e o carro não rebola. Isso apesar dos pneus Ling Long, cuja aderência não é exatamente maravilhosa. Tanto que "cantaram" em certas curvas fechadas - e forçadas, admito -, e também nas frenagens mais fortes.
O ideal é, mesmo, dirigir o EX2 de forma suave. Desta forma, o carro encanta e convence como excelente opção de mobilidade urbana. Mas é difícil não querer acelerar com mais força: as respostas ao pedal direito são muito rápidas e o EX2 exibe uma agilidade realmente impressionante. Quem curte dirigir pode se divertir nesse carro: os espaços no trânsito são preenchidos com rapidez e segurança e, não raro, os outros carros à volta são deixados para trás.
Pelo Inmetro, o zero a 100 km/h é feito em 10,2 segundos e a velocidade máxima é 140 km/h. Números muito coerentes com a proposta urbana do modelo. Mas, quando você pisa forte no acelerador, a impressão é que o zero a 100 km/h é até mais rápido.
Curiosamente não se tem aqui uma usina de força. O motor elétrico do EX2 fica na traseira, é alimentado por uma bateria de 39,4 kWh e entrega 116 cv de potência com 15,3 kgfm de torque. Não são números impressionantes. Mas o desempenho do carro, que pesa cerca de 1.300 quilos, é absolutamente convincente.
O pacote ADAS a bordo tem piloto automático adaptativo, alerta de mudança de faixa, frenagem automática de emergência, farol alto automático, a tal câmera 540 graus e câmera de ré. Ajuda na medida certa, sem interferir demais. Chatinho, só o alerta de mudança de faixa, que apita o tempo todo.
E há um curioso aviso no painel de instrumentos: se você está parado e o carro da frente anda, aparece o alerta "o carro da frente avançou". Me senti levando uma bronca, tipo "não vai andar não, mané?". Achei engraçado e isso tornou a experiência com o EX2 mais legal.
Saiba mais:
Naturalmente estão a bordo vários recursos de segurança, como ABS e controles de tração, de descida e de partida em rampas - esse são muito práticos! -, sistema anticapotamento, monitoramento da pressão dos pneus, seis airbags, detecção de ocupação em todos os bancos, sensores de estacionamento traseiros e Isofix para cadeirinhas infantis. Sim, o carro é forte em segurança.
Outro barato é que a diversão não parece cobrar um preço alto. O Inmetro também aponta autonomia de 289 quilômetros. Pois quando saí da concessionária o painel apontava 400 quilômetros de alcance e, depois de alguns dias de diversão, devolvi o EX2 com pouco menos de 200 quilômetros de autonomia - pelo painel. No total, rodei uns 150 quilômetros.
A praticidade no comportamento dinâmico do EX2 vem acompanhada de outras. O porta-malas tem tamanho satisfatório, com capacidade para 375 litros - ou até 1.200 litros com os bancos traseiros rebatidos. E na frente, sob o capô, há outro espaço, com 70 litros de capacidade.
Além disso, a bordo do EX2 os passageiros não se apertam: quem vai ao lado do motorista tem amplo espaço para pernas e cabeça, e atrás dois ocupantes viajam com espaço de sobra. Três ficam relativamente justos, mas não apertados. E aqui vão as medidas do carro: 4,13 metros de comprimento, 2,65 metros de entre-eixos, 1,80 metro de largura, 1,58 metro de altura e 16 cm de altura livre do solo.
Aliás, falando em porta-malas, foi lá que eu vi um aspecto negativo no EX2: o modelo não tem estepe, nem mesmo aquele fininho temporário. Em vez disso, você encontra, lá no porta-malas, um kit de reparo de pneu furado. Algo ainda bem incompatível com nossa realidade e nossa cultura automotiva. Afinal de contas, quanta gente saberia usar esse kit?
Tirando isso, o Geely EX é uma excelente opção de carro para a mobilidade urbana. É vistoso - chamou bastante a atenção nas ruas -, confortável, espaçoso, prático, intuitivo, seguro, descomplicado e ainda por cima divertido. Depois dessa experiência, eu, que sou devoto de Nossa Senhora da Combustão Interna, passei a acreditar que um carro elétrico poderá ser, um dia, uma opção para minha garagem.
O Geely EX2 na versão topo de linha Max avaliada custa iniciais R$ 136.800. Um preço competitivo diante de rivais como BYD Dolphin e até mesmo em relação a modelos compactos a combustão. Não por acaso as vendas do modelo têm sido relevantes no mercado brasileiro.
As garantias são de oito anos ou 150 mil quilômetros para a bateria e de seis ou 150 mil quilômetros para o veículo. E vale lembrar que a Geely está "associada" à Renault no Brasil. Portanto, a rede de assistência já é bastante significativa.
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Oferta Relacionada: Marca:GEELY Modelo:EX2